Agronegócio

Santa Cruz se mantém como 2º maior exportador do Estado

Santa Cruz do Sul exportou US$ 618,3 milhões no primeiro semestre deste ano. A redução é de 16,3% em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da retração, a cidade manteve a posição de segundo maior exportador do Rio Grande do Sul, responsável por 6,9% de todas as vendas externas gaúchas, e ocupa a 56ª colocação no ranking nacional, com participação de 0,3% nos negócios do País no exterior.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as importações também recuaram no intervalo. Entre janeiro e junho, o município comprou US$ 59,8 milhões de fora, queda de 21% frente aos primeiros seis meses de 2025. A corrente de comércio, que reúne embarques e desembarques, somou US$ 678,1 milhões, retração de 16,7%.

Mesmo com o recuo nos dois indicadores, Santa Cruz registrou superávit comercial de US$ 558,5 milhões, confirmando o forte perfil exportador da economia local. A relação entre os dois fluxos evidencia essa característica: para cada US$ 1,00 importado, o município vendeu mais de US$ 10 ao exterior, uma das maiores proporções entre os principais polos do Estado.

Publicidade

LEIA TAMBÉM: Perdas de água chegam a 60% em Santa Cruz e Agerst cobra plano da Corsan para reduzir desperdício

Setor responde por quase 90% dos embarques

A pauta exportadora de Santa Cruz do Sul segue fortemente concentrada no setor fumageiro. O produto não manufaturado respondeu por 80,5% do total do semestre. Somados os demais itens ligados ao segmento, como outros derivados do tabaco, com participação de 6,9%, e charutos, cigarrilhas e cigarros, com 1,2%, a cadeia representou 88,6% de todas as vendas do município.

O arroz aparece como o segundo principal produto enviado ao exterior, com participação de 7,6%, seguido pelo papel para cigarros, com 0,8%, e sementes e frutos, com 0,4%. Os demais itens, entre eles máquinas, pedras preciosas e madeira, tiveram presença inferior a 0,2% cada.

Publicidade

A elevada concentração das transações em um único cultivo ajuda a explicar a retração registrada no período. Como a pauta é pouco diversificada, oscilações nos preços internacionais, na demanda, no câmbio ou na oferta da mercadoria acabam refletindo no desempenho comercial.

Bélgica

A Bélgica permaneceu como o principal destino das exportações de Santa Cruz do Sul, concentrando 30,8% dos negócios, o equivalente a aproximadamente US$ 190 milhões. Em seguida aparecem Indonésia, com 11,4%; Estados Unidos, com 9%; China, com 8,2%; Argentina, com 4,1%; México, com 3,6%; Costa Rica, com 3,5%; Vietnã, com 3%; Montenegro, com 2,2%; e Tunísia, com 2%.

LEIA TAMBÉM: Escolas de Santa Cruz entram no período de recesso; confira as datas

Publicidade

A distribuição dos mercados confirma a forte presença internacional do tabaco produzido e beneficiado na região. A Europa lidera como principal bloco comprador, impulsionada pelos belgas, tradicional centro de distribuição do produto. É seguida pela Ásia, com destaque para Indonésia, China e Vietnã, e pela América do Norte, representada principalmente por Estados Unidos e México.

Compras externas também com retração

As importações de Santa Cruz do Sul totalizaram US$ 59,8 milhões no primeiro semestre, o que garante ao município a 16ª posição entre os maiores compradores do Rio Grande do Sul, com participação de 1% nas aquisições estaduais. No cenário nacional, ocupa o 228º lugar (0,04% das compras brasileiras).

Assim como ocorre nas vendas, o principal item importado está ligado à principal atividade econômica local. O tabaco não manufaturado respondeu por 23,1% das entradas. Em seguida aparecem pastas e fibras têxteis, com 22,8%; papel e cartão revestido, com 6,4%; outros derivados do tabaco, com 5,1%; artigos esportivos, com 4,2%; lâmpadas e tubos elétricos, com 3,1%; e aparelhos de iluminação, com 2,4%. Os demais produtos industriais, como plásticos, móveis, produtos químicos e instrumentos, aparecem de forma pulverizada.

Publicidade

A presença do tabaco entre os principais itens adquiridos reforça o papel de Santa Cruz como polo internacional de beneficiamento. Parte da matéria-prima vinda do exterior é processada pela indústria local antes de seguir novamente para o mercado internacional.

LEIA TAMBÉM: Santa Cruz concentra maior dívida com o IPVA na região; valor chega a quase R$ 6 milhões

Conexão com diferentes continentes

A Argentina foi a principal origem das importações do município, respondendo por 23,6% do total. Logo atrás aparece a China, com 23,2%, seguida por Moçambique, com 8,4%; México, com 8,3%; Alemanha, com 7,4%; Estados Unidos, com 6,9%; Índia, com 5,2%; Suécia, com 2,6%; Vietnã, com 2,4%; e Letônia, com 1,3%.

Publicidade

A presença de Moçambique entre os principais fornecedores chama a atenção. O país africano é um dos grandes produtores mundiais de tabaco em folha, indicando que parte do material utilizado pelas indústrias instaladas em Santa Cruz é importada para processamento e posterior exportação.

Município é protagonista no comércio exterior gaúcho

Santa Cruz do Sul permanece atrás apenas de Rio Grande entre os maiores exportadores do Estado. Enquanto o município do Sul gaúcho tem porto marítimo e um parque industrial diversificado, a economia santa-cruzense sustenta seu desempenho principalmente na força do tabaco.

Outro representante do Vale do Rio Pardo também aparece entre os dez maiores exportadores do Rio Grande do Sul. Venâncio Aires ocupa a oitava posição, com US$ 334,5 milhões exportados no primeiro semestre, reforçando a importância regional da atividade para a balança comercial gaúcha.

LEIA MAIS: Tabaco fica fora de exceções e será impactado por nova tarifa dos Estados Unidos

Embora os números do primeiro semestre indiquem desaceleração nas duas pontas do comércio, o município continua registrando um dos maiores superávits do Estado e mantém posição de destaque no mercado internacional, impulsionado pela indústria local e pela forte inserção em mercados da Europa, Ásia e América do Norte.

Nova taxa para os EUA

A confirmação da aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos trouxe preocupação para a cadeia produtiva, principal pilar da balança comercial de Santa Cruz do Sul. A medida passa a valer a partir da próxima quarta-feira.

Os norte-americanos responderam por 9% das exportações de Santa Cruz no primeiro semestre, com compras de aproximadamente US$ 55,6 milhões. Representantes do setor avaliam que a sobretaxa pode reduzir ainda mais as vendas ao mercado daquele país, enquanto a indústria enfrenta dificuldades para redirecionar a produção.

O produto comprado pelos Estados Unidos é cultivado, selecionado e beneficiado conforme especificações definidas pelos próprios compradores, o que limita alternativas imediatas de comercialização. Levantamento da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta o tabaco entre os itens do agronegócio gaúcho que tendem a ser mais afetados pela futura taxação.

LEIA AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO PORTAL GAZ

QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!

Ronaldo

Share
Published by
Ronaldo

This website uses cookies.