Agronegócio

Tabaco fica fora de exceções e será impactado por nova tarifa dos Estados Unidos

A confirmação da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, divulgada na noite dessa quarta-feira, 15, trouxe um novo sinal de alerta para o Vale do Rio Pardo. Diferentemente de produtos como café, carne bovina, suco de laranja, petróleo e aeronaves, que ficaram fora da medida anunciada pelo governo norte-americano, o tabaco permanece na lista dos setores atingidos pela sobretaxa.

A decisão afeta a principal cadeia econômica da região, responsável por milhares de empregos diretos e indiretos e pela geração de renda em dezenas de municípios produtores de tabaco no Rio Grande do Sul.

LEIA TAMBÉM: Taxação dos EUA pode atingir 21% das exportações brasileiras; veja os setores mais afetados

Publicidade

Os Estados Unidos divulgaram uma lista com mais de 2 mil produtos isentos da nova cobrança. Ela preserva itens considerados estratégicos para o abastecimento e para a economia americana. O tabaco, porém, ficou de fora das exceções, assim como calçados, móveis, madeira, têxteis e mel convencional.

Estados Unidos justificam medida por investigação comercial

Ao anunciar a nova tarifa, o governo dos Estados Unidos informou que a decisão decorre da conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo o governo norte-americano, a investigação concluiu que atos, políticas e práticas adotados pelo Brasil seriam prejudiciais ao comércio e à competitividade das empresas americanas. Entre os pontos citados estão regras relacionadas ao comércio digital, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro para o etanol dos Estados Unidos, serviços de pagamento eletrônico, combate ao desmatamento ilegal e políticas tarifárias consideradas não recíprocas.

Publicidade

LEIA TAMBÉM: Após críticas do governo dos EUA, Pix é defendido por entidades brasileiras

A administração do presidente Donald Trump afirma que a tarifa busca “nivelar as condições de concorrência” para agricultores, trabalhadores, inovadores e empresas americanas e criar um ambiente favorável para que o Brasil negocie mudanças nas práticas questionadas.

Mercado estratégico para o tabaco brasileiro

Embora a maior parte do tabaco brasileiro seja destinada a outros mercados, os Estados Unidos ocupam posição estratégica nas exportações do setor. Em 2025, o país foi o terceiro principal destino do produto brasileiro.

Publicidade

Entre janeiro e junho daquele ano, o Brasil embarcou cerca de 19 mil toneladas de tabaco para o mercado norte-americano, movimentando US$ 129 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Já em todo o ano de 2024, as exportações para os Estados Unidos somaram 39,8 mil toneladas, com receita de US$ 255 milhões.

Setor já previa perda de competitividade

Em manifestações anteriores sobre o aumento das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, afirmou que medidas tarifárias elevadas comprometem a competitividade do produto brasileiro no mercado americano e podem provocar redução significativa dos embarques para aquele país.

LEIA TAMBÉM: Tarifas americanas ameaçam US$ 334 milhões em exportações gaúchas

Publicidade

A expectativa do setor era destinar aproximadamente 40 mil toneladas da safra 2025/2026 ao mercado norte-americano. Atualmente, o Brasil comercializa tabaco com mais de 100 países, fator que reduz a dependência de um único comprador, embora os Estados Unidos continuem sendo considerados um mercado estratégico.

Fiergs pede negociação e medidas de apoio

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) lamentou a decisão do governo dos Estados Unidos e alertou para os impactos sobre a competitividade das empresas gaúchas.

Segundo o presidente da entidade, Claudio Bier, a medida reduz a previsibilidade dos negócios e pode comprometer investimentos, emprego e geração de renda. A federação defende que o governo brasileiro intensifique as negociações diplomáticas para tentar reverter a tarifa ou ampliar a lista de produtos beneficiados pelas exceções.

Publicidade

Caso a sobretaxa seja mantida, a entidade também pede medidas compensatórias, como linhas especiais de financiamento e políticas públicas voltadas aos setores mais afetados.

Indústria vê cenário mais difícil

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a nova tarifa amplia um cenário que já vinha pressionando as exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Segundo a entidade, desde o início das medidas tarifárias adotadas por Washington, as exportações brasileiras para o mercado americano caíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. Para a CNI, a nova sobretaxa tende a reduzir ainda mais a competitividade da indústria nacional. Apesar da retração, os Estados Unidos seguem como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.

Disputa comercial continua

A escalada das tarifas começou em 2025, quando os Estados Unidos adotaram medidas recíprocas sobre diversos países. Desde então, as cobranças passaram por alterações, chegaram a ser suspensas pela Justiça americana e foram substituídas por novas tarifas.

LEIA TAMBÉM: Exportações gaúchas aos Estados Unidos avançam após redução das sobretaxas

Na justificativa oficial, o governo americano afirma que, ao longo do último ano, tentou negociar mudanças com o Brasil para resolver as questões apontadas na investigação comercial, mas considera que não houve avanços suficientes. Por isso, decidiu aplicar a tarifa de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras, preservando apenas uma lista de produtos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou cujo fornecimento depende do mercado externo.

Além da tarifa, o governo americano sustenta que a medida faz parte da política comercial “America First”, voltada ao fortalecimento da indústria e dos produtores dos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, a intenção é ampliar a competitividade das empresas americanas e pressionar parceiros comerciais a rever práticas consideradas desleais.

Para o Vale do Rio Pardo, onde o tabaco representa uma das principais atividades econômicas e de geração de divisas, a manutenção das barreiras comerciais aumenta a expectativa sobre o desfecho das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e sobre a capacidade da indústria de ampliar ou diversificar mercados para absorver a produção gaúcha.

LEIA AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO PORTAL GAZ

QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!

Ronaldo

Share
Published by
Ronaldo

This website uses cookies.