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LISSI BENDER

Renovação da vida

Dias outonais divinos estamos vivenciando. À medida que o sol se volve lentamente para o norte, sua luz se torna mais dourada e morna, banha as frutas outonais e as sombras das árvores se deitam preguiçosas sobre a relva. Da varanda contemplo o entardecer, acompanho o sol brando e meu pensamento o acompanha em sua caminhada para o norte, para além-mar, onde agora o seu calor dissolve o frio e vivifica a natureza a se pronunciar em cores, aromas e sons. O renomado lírico Rainer Maria Rilke, em seu poema “Neue Sonne” (“Novo sol”), nos convida a refletir sobre a renovação da vida. Nele o astro, em seu retorno, traz luz e suave quentura, energia que vivifica e transforma a natureza.

O renomado poeta de Tübingen, Hölderlin, do Romantismo alemão, em seu poema “Der Frühling” (“A primavera”), escreve: “Die Tage kommen blütenreich und milde” (“Os dias chegam copiosamente floridos e amenos”). Desde 2007 venho acompanhado um tantinho a trajetória de Boris Palmer, o prefeito de Tübingen. Em todos esses anos, sempre reeleito, muito se empenhou pelo meio ambiente.

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Na semana passada ele postou no Facebook a imagem de um jardim primaveril que havia colhido em seu passeio pela cidade. Em cada início de primavera a cidade floresce. No centro histórico – postes, pontes e fontes ostentam arranjos coloridos de diferentes flores (fotos); também as pessoas em geral se esmeram no cultivo de flores. Comunidades do interior promovem concursos para premiar as casas com os mais belos jardins em evento festivo.

Mesmo em cidades grandes, flores e árvores recebem atenção especial. Estes dias o escritor Henning Fülbier (lembram dele? Esteve há pouco em Santa Cruz para uma noite literária) me enviou fotos do despertar da natureza em Berlin; suas palavras me faziam sentir seu júbilo com o retorno do sol. Em uma de suas fotos pode-se ver uma frondosa árvore, ainda um tanto adormecida, rodeada por flores. Junto dela há uma placa, na qual se pode ler: NATURDENKMAL (Monumento natural). Eis uma forma de reconhecimento da importância das árvores, também no mundo urbano.

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Muitos dos que vivem em apartamento cultivam flores em peitorais de janelas ou sacadas. Quem não tem possibilidade de cultivar, pode colher flores para vaso (Schnittblumen) em seus passeios pelos arredores das cidades ou no interior, onde agricultores cultivam grandes canteiros, próximo a estradas. Na entrada há uma placa com orientação e preço e, ao lado, uma caixinha para depositar pagamento.
Em outras primaveras, muitas caminhadas fiz pelos tradicionais Streuobstwiesen – campos de frutíferas, de variedades antigas, vivem de forma natural em meio a pradarias, para a proteção da biodiversidade.

Caminhar por entre as macieiras em flor, plantas e flores campestres é uma bênção que acaricia a alma. Costumava visitar minha amiga Sabine Heinle, fazendo o trajeto de Tübingen até a vila Hagelloch por uma floresta e me encantava com o canto de aves, o farfalhar das folhas e o aroma das flores de Bärlauch (alho silvestre) e, ao final dela, uma Streuobstwiese. Imergir com todos os sentidos na renovação da vida é descobrir e sentir o verdadeiro amor à natureza.

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