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Alessandra Pick encontrou no voluntariado um propósito

“Minha faculdade é a vida.” É assim que Alessandra Pick costuma resumir a própria trajetória. Aos 46 anos, a vera-cruzense carrega marcas de uma caminhada que se estruturou no trabalho, na maternidade, na superação após perdas familiares e na dedicação ao próximo.

Empresária à frente de uma rede de postos de combustíveis e de uma transportadora, ela acredita que as experiências vividas e as relações construídas ao longo do caminho foram fundamentais para formar a mulher que é hoje. “Sou empresária da vida”, define. Mãe pela primeira vez aos 15 anos, Alessandra conta que amadureceu cedo.

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Criada em uma rotina de trabalho desde a adolescência, conciliou a criação dos três filhos com a construção dos negócios ao lado do marido, Giovani, companheiro que considera ter sido seu grande parceiro e sua inspiração. “Nada foi fácil, mas nunca me acomodei. Se me der uma missão, vou resolver.” Hoje, ela vê essa força refletida nos filhos: Felipe, 29 anos, Eduarda, 26, e a caçula Giovanna, 15.”

Família movida pelo esporte

Alessandra com os filhos, o marido e a nora, Juceila

A história da família sempre esteve profundamente ligada ao esporte, em várias modalidades. O motociclismo, especialmente, tornou-se um elo afetivo entre eles. Alessandra foi a primeira campeã regional feminina de motocross da região, com o restante da família também presente em competições esportivas. “O esporte nos une”, lembra. Segundo ela, foi o esporte que ajudou a fortalecer os laços familiares e ensinou sobre superação.

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A vida, no entanto, também trouxe perdas profundas. Em 2019, Alessandra perdeu os pais. Pouco tempo depois, em 2023, enfrentou a morte do marido, Giovani, após dias de internação em uma UTI. O período foi um divisor de águas. “Eu não tinha escolha. Tinha três filhos e precisava continuar”, conta. Apesar da dor, Alessandra escolheu seguir com gratidão pelo tempo vivido ao lado de Giovani. “O que não tem solução é a morte. O resto, tentamos resolver.”

Aprender a viver

Entre uma lembrança e outra, Alessandra volta repetidamente à mesma reflexão: a importância de viver o presente. Ela entende que as perdas fizeram com que percebesse ainda mais o valor das relações e da simplicidade. “O dinheiro ajuda, resolve muita coisa. Mas ele não compra mais cinco minutos com quem amamos.” Por isso, acredita que é preciso demonstrar afeto, olhar para o outro e cultivar empatia. “As pessoas estão muito individualistas. Às vezes, um abraço sincero muda o dia de alguém.”

Mesmo à frente de grandes responsabilidades empresariais, Alessandra insiste em preservar a leveza. Gosta de ser reconhecida pela simplicidade, pela espontaneidade e pela capacidade de se conectar com as pessoas. E talvez seja justamente essa a maior lição de Alessandra: aprender na prática, entre tombos, perdas e recomeços, que a vida ganha mais sentido quando é vivida com coragem, leveza e olhar atento ao próximo. Para ela, seguir em frente também significa estender a mão, oferecer acolhimento e entender que, muitas vezes, ajudar alguém é o que também fortalece a quem ajuda.

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Paixão pelo que faz

Foi justamente em meio às dificuldades que o voluntariado ganhou ainda mais espaço na vida de Alessandra. Embora diga que sempre gostou de ajudar as pessoas, ela teve um envolvimento mais intenso a partir do temporal que atingiu a região em 2023.

Na época, começou auxiliando funcionários que tiveram as suas casas destelhadas e, quando percebeu, já estava mobilizada em ações maiores junto à comunidade. Depois, durante as enchentes de 2024, mergulhou ainda mais nas ações solidárias, ajudando famílias atingidas e participando da distribuição de doações em áreas afetadas. “Aquilo mexe contigo. Não tem dinheiro no mundo que pague o que sentimos quando conseguimos ajudar alguém”, relata.

O espírito voluntário também a aproximou da Feira da Produção, em Vera Cruz. Alessandra participa da organização do evento de forma espontânea, ajudando nos bastidores, na montagem e no suporte às equipes. “Se eu entro, só saio no final. Deve-se ter paixão naquilo que se faz”, resume. Para ela, o verdadeiro valor das experiências está nas conexões humanas. “Gosto de gente, de troca, de abraço sincero. O mundo está muito carente disso.”

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Karoline Rosa

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Karoline Rosa

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