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Ataque às Torres Gêmeas completa 20 anos neste sábado

A torre em fogo: imagem que impactou o mundo em 2001

Há exatos 20 anos neste sábado, 11, ocorria o maior atentado terrorista da história moderna. Naquela data, então uma terça-feira, o mundo foi surpreendido com a notícia de que aviões haviam se chocado com as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, o que posteriormente motivou a invasão americana no Afeganistão e a caça a Osama bin Laden, o mentor do atentado.

Eram 8h46 de terça-feira, 11 de setembro de 2001, quando o voo 11 da American Airlines se chocou com a Torre Norte do World Trade Center, em Nova Iorque. Minutos depois, às 9h06, outro voo, o 175 da United Airlines, atingia a Torre Sul do complexo, que na sequência viria a ruir por completo.


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No mundo, pessoas estarrecidas e hipnotizadas miravam monitores de TV, sem compreender o que ocorria. Aos poucos, vinha a notícia de que se tratava de atentado terrorista, ainda direcionado a outros alvos norte-americanos. Da queda das Torres Gêmeas do WTC, inauguradas em 4 de abril de 1973, com 110 andares e 417 metros de altura, resultaram quase 3 mil mortos, entre trabalhadores que atuavam no local, passageiros dos aviões, tripulantes e, claro, sequestradores suicidas que, logo se descobriu, eram integrantes de grupos islâmicos fundamentalistas.

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Enquanto a população mundial ainda tentava entender o contexto daquele acontecimento, o governo norte-americano identificou que o saudita Osama bin Laden era o mandante, e que ele estava sendo acobertado por membros do movimento Talibã, no Afeganistão. Os EUA iniciaram uma ofensiva naquele país (no qual tropas permaneceram até muito recentemente, em 2021), mas só atingiram Bin Laden em 2011, matando-o no vizinho Paquistão.



O que se seguiu ao 11 de setembro foi uma mudança radical nas relações e nas ações em nome da segurança, algo sem precedentes. Porém, como a história é emoliente, justo agora, em 2021, quando os EUA começavam a retirar seus soldados do Afeganistão, com isso abriram espaço para que o Talibã, resiliente, reassumisse o poder, o que ocorreu há menos de um mês, em 15 de agosto, e voltasse a disseminar o terror e o medo entre os afegãos, em especial entre as mulheres, alvos do rigor da sharia muçulmana.

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Uma guerra motivada por crenças

O atentado terrorista às Torres Gêmeas, a ação militar norte-americana no Afeganistão e a caça a Bin Laden e outros envolvidos nas atividades da Al-Qaeda e de grupos fundamentalistas islâmicos renderam um grande número de livros, filmes e outras abordagens jornalísticas ou culturais. Entre elas, uma obra lançada em 2006 foi saudada como uma das principais contribuições no sentido de investigar a fundo as motivações e origens dos grupos armados, em todo o Oriente Médio e na Ásia, que assumiam um discurso de agressão ou de combate aos Estados Unidos e a outras nações ocidentais.

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O vulto das Torres: a Al-Qaeda e o caminho até o 11/9, do jornalista e escritor norte-americano Lawrence Wright, 74 anos, no Brasil foi lançado pela Companhia das Letras, já no ano seguinte, em tradução de Ivo Korytowski, e recebeu o Prêmio Pulitzer de 2007, a mais importante distinção em jornalismo e literatura nos EUA. Wright começa por situar o leitor em relação às primeiras manifestações mais pontuais, em realidade árabe, de insatisfação de islâmicos em relação ao tratamento ou à suposta pressão negativa que as atitudes ocidentais (ou o capitalismo, bem como governos) estariam exercendo sobre suas crenças, costumes e sua forma de vida.

Tudo começa no Egito, no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial, agravado pelo conflito entre Israel e seu entorno; migra para o contexto da Arábia Saudita, onde a família Bin Laden passara a formar a sua imensa fortuna com projetos de engenharia e construção civil, incluindo a reforma das mesquitas de Meca e Medina; chega ao Afeganistão, com jovens árabes formando, na região de Peshawar, no Paquistão, um corpo de lutadores em auxílio dos afegãos em sua defesa contra a invasão russa; envolve igualmente o Sudão, onde Osama bin Laden depois se fixa, novamente explorando projetos de engenharia; para, por fim, ser desencadeada uma jihad, uma cruzada, pela Al-Qaeda (“A Base”, em árabe), definitiva contra os EUA e o Ocidente. O objetivo é implantar um amplo sistema de governo ou de poder que se guia pelo Alcorão, e que implica na imposição da sharia, os rigorosos preceitos religiosos islâmicos, em nome dos quais, para os radicais, todos os povos com outras crenças poderiam ser atacados.

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Arquiteto santa-cruzense foi lá duas vezes

O complexo do World Trade Center sempre atraiu a atenção do mundo. E o arquiteto santa-cruzense Ronaldo Wink fez questão de ir ver de perto aqueles prédios. A primeira vez em que foi até lá corria o ano de 1991. Recém-formado arquiteto, menos de um ano depois, como frisa, foi aos EUA e à Europa por cerca de dois meses para conhecer a arquitetura em várias cidades. A primeira parada foi justamente Nova Iorque e, claro, um dos pontos principais de interesse eram as Torres que, inauguradas em 1973, naquela ocasião já nem eram as mais altas do mundo, superadas que foram pela Sears Tower (hoje Willis Tower), em Chicago, em 1974.

Mas era das Torres Gêmeas, no sul de Manhattan, que se falava: concluídas em 1973, cada uma com 110 andares, foram idealizadas pelo arquiteto japonês Minoru Yamasaki e pelo americano Emery Roth. “Tinha-se acesso somente à Torre 2, onde ficava o Observatório, e um terraço no último andar. O WTC 1 ficava com a torre de comunicação e o restaurante no último andar, chamado Windows of the World (Janelas para o Mundo)”, recorda. “Foi uma experiência muito marcante, porque não havia todas essas torres que se tem hoje na Ásia.” Atualmente, a mais alta do mundo é a Burj Khalifa, em Dubai, de 2009, com 828 metros – uma com mil metros está sendo erguida na Arábia Saudita.

Arquiteto Ronaldo Wink visitou o World Trade Center em 1991

Wink voltou a visitar a Torre 2 em 1998, depois de um tour pela costa Leste. E houve uma terceira visita ao local, esta em 2013, quando as Torres Gêmeas já não existiam. Em lugar delas encontrou os monumentos memoriais, e ao lado estava sendo finalizada a One World Trade Center, de 104 andares. O novo conjunto em lugar de sete tem cinco edifícios. “Iniciada em 2006, cinco anos após o atentado, a One foi inaugurada em 2014, um ano depois que estive lá, e quando ela já estava praticamente pronta”, refere.

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Visitou ainda o Museu das Torres, não onde está hoje, mas em lugar provisório. “Muito me impressionaram os artefatos que foram recolhidos, desde a bandeira esfarrapada a vigas retorcidas, muitas fotos das equipes de bombeiros, e as impactantes das pessoas pulando antes de as torres colapsarem“, diz. Isso fora televisionado em tempo real para todo o mundo. “Naquela manhã, próximo das 11 horas, estava andando de carro pela cidade, a trabalho, e a notícia me chegou pelo rádio. Logo fui para casa e assisti ao vivo aquelas cenas chocantes“, salienta. “Isso tudo comandado a partir de uma caverna na Ásia, atingindo o coração dos Estados Unidos através do seu símbolo máximo.“

Uma notícia que deixou o mundo todo em pânico

Não há pessoa que, já tendo então idade suficiente para compreender o impacto daquele acontecimento, não lembre de onde estava, o que fazia ou como recebeu a notícia do atentado terrorista às Torres Gêmeas em 2001. Seja na rotina em família, em meio a estudos ou trabalhos, ou ainda em viagem, cada um certamente guarda na memória aquele dia e a primeira informação ou as primeiras imagens transmitidas pela TV. Para o autor desta reportagem, a circunstância foi igualmente emblemática. Já na condição de jornalista da Gazeta do Sul, chegava, justamente naquele 11 de setembro de 2001, pela manhã, de volta ao Estado de sua primeira viagem à Europa, mais especificamente à Alemanha, onde permanecera por três semanas.

O embarque na viagem de volta ocorrera no início da noite do dia 10, em Berlim, após passagens por cidades alemãs. Chegara na madrugada de 11 de setembro a São Paulo, para a conexão e continuação da viagem até Porto Alegre. Mal havia desembarcado e se preparava para a conclusão da viagem, de ônibus, até Santa Cruz do Sul, quando surgiu a notícia de que um avião se chocara com uma das torres do World Trade Center, logo seguido de outra aeronave, que atingia a segunda torre. Seria um divisor de águas na história. (Romar Beling)

Jornalista da Gazeta narra suas impressões

Maurício Goulart
mauricio@gazetadosul.com.br

Visitei o Museu do 11 de Setembro em uma tarde quente de 2019. Era final de julho, a poucos meses do início da pandemia de Covid-19, e a área do complexo do World Trade Center estava tomada de pessoas. A sensação que se procurava passar era a oposta da vivida no dia dos atentados: muita segurança para circular, em uma época em que aglomeração não era um problema.

Mas essa ideia de liberdade e o fato de termos visto ao vivo, pela TV, o que se passou nos atentados não preparam o espírito para a experiência no memorial de 30 mil metros quadrados. Peças da exposição, como os carros retorcidos dos bombeiros e as fundações de aço dos prédios que colapsaram, levam a imaginação ao desespero que todos viveram naquele local. Uma overdose visual a que se juntam os sons. Andando pelo museu, é possível ouvir em certos pontos as milhares de gravações que as vítimas e sobreviventes fizeram aos serviços de emergência após as colisões dos aviões.

Mesmo que seja impossível reproduzir o que ocorreu há 20 anos, certamente o objetivo é levar o visitante a ter, pelo menos, uma pequena noção. O que dá certo. A passagem pelo museu faz reviver os fatos – e os horrores – no lugar onde eles aconteceram.

Foto: Maurício Goulart

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