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Projeto que muda Código de Trânsito pode permitir que jovens de 16 anos tenham CNH

Uma proposta que tramita na Câmara dos Deputados pode provocar uma das maiores mudanças já discutidas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Entre as alterações está a criação da Permissão para Dirigir (PPD) para adolescentes a partir dos 16 anos, além de mudanças nas regras de habilitação, renovação da CNH, fiscalização eletrônica, pedágios e circulação de veículos elétricos.

O texto foi apresentado dia 17 de junho, pelo relator da comissão especial que analisa o tema, o deputado federal Aureo Ribeiro. O parecer reúne sugestões de mais de 270 projetos que tratam de trânsito e mobilidade. A votação na comissão foi adiada após pedido de vista coletiva e deve ocorrer em 7 de julho. A expectativa é que a proposta siga para apreciação do plenário da Câmara no dia seguinte.

Jovens poderão dirigir antes dos 18 anos

Uma das principais novidades é a criação da Permissão para Dirigir para jovens com mais de 16 anos. Pela proposta, adolescentes poderão conduzir veículos da categoria B em áreas urbanas entre 5 horas e 23h59, desde que estejam acompanhados por um adulto habilitado há pelo menos dois anos.

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Já para motocicletas de até 150 cilindradas, enquadradas na categoria A, a condução poderá ocorrer sem acompanhante, mantendo as restrições de horário e circulação apenas em perímetros urbanos. Segundo o relator, a medida busca ampliar o acesso à habilitação, facilitar deslocamentos para estudo e trabalho e permitir uma formação gradual dos futuros motoristas.

Outra mudança reduz de 21 para 20 anos a idade mínima para obtenção das categorias D e E, utilizadas no transporte de passageiros e cargas.

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Formação de motoristas terá novas regras

O parecer também propõe mudanças no processo de habilitação para reduzir custos aos candidatos. As taxas teriam valores máximos definidos nacionalmente. A abertura do processo e a emissão da Permissão para Dirigir custariam até R$ 30,00. Já cada exame teórico ou prático teria limite de R$ 50,00. O candidato também poderá optar por realizar a prova prática em veículos com câmbio automático.

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A proposta estabelece carga horária mínima de cinco horas-aula práticas para as categorias A e B e de dez horas-aula para as categorias C, D e E. Os cursos teóricos poderão ocorrer de forma presencial, remota ou por ensino a distância.

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Outra novidade prevê que a CNH definitiva seja emitida automaticamente e sem cobrança quando o condutor completar 18 anos, desde que não tenha cometido infrações graves, gravíssimas ou reincidido em infrações médias durante o período da permissão.

O texto ainda determina que o Ministério da Educação passe a se manifestar tecnicamente sobre normas do Conselho Nacional de Trânsito relacionadas à formação de condutores e à educação para o trânsito.

CNH Social ganha reforço

A proposta fortalece o programa CNH Social. Pelo texto, 5% do valor arrecadado com multas de trânsito em cada estado e no Distrito Federal será destinado ao financiamento da habilitação de pessoas de baixa renda. Os recursos deverão cobrir todas as despesas do processo, incluindo cursos, exames e emissão do documento.

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Exames psicológicos em todas as renovações

Outra alteração amplia a exigência de avaliações psicológicas. Atualmente obrigatórios apenas na primeira habilitação, os exames passariam a ser exigidos em todas as renovações da CNH.

A justificativa é identificar transtornos mentais que possam surgir ao longo do tempo e comprometer a segurança no trânsito. O projeto também cria o Prontuário Nacional do Condutor, que reunirá informações médicas e psicológicas dos motoristas. A medida busca evitar que restrições de saúde deixem de ser informadas em diferentes estados.

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Médicos e psicólogos poderão reduzir o prazo de validade dos exames caso sejam identificados indícios de doenças progressivas ou limitações físicas e mentais.

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Autoescolas mudam de nome

As autoescolas passariam a ser oficialmente chamadas de Escolas de Trânsito. O texto mantém o credenciamento pelos Detrans, mas permite que instrutores autônomos atuem como Microempreendedor Individual (MEI) nas categorias A e B.

Para isso, os veículos deverão possuir duplo comando de freios e sistema de monitoramento das aulas. Esses profissionais não poderão ministrar aulas práticas para candidatos menores de 18 anos.

A proposta também cria um programa emergencial de apoio financeiro às escolas de trânsito. O auxílio previsto é de R$ 1.000,00 por mês para cada instrutor vinculado à empresa, durante seis meses, com possibilidade de prorrogação por igual período.

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Novas regras para pedágios sem cancela

O texto regulamenta o sistema de livre passagem, conhecido como free flow. As concessionárias deverão informar os usuários sobre a cobrança e instalar sinalização visível antes dos pontos de pedágio. Motoristas sem tag eletrônica poderão quitar a tarifa antecipadamente ou em até 30 dias após a passagem por Pix, cartão de crédito ou débito. Também deverá existir opção de pagamento presencial em dinheiro ou cartão.

A proposta determina ainda a criação de uma plataforma federal para envio de notificações, consulta e pagamento de débitos. Sem notificação ou sem alternativas adequadas de pagamento, não poderá haver multa por evasão de pedágio.

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Patinetes e bicicletas elétricas terão registro

Equipamentos de mobilidade autopropelidos, como patinetes e bicicletas elétricas, passarão a exigir registro e emplacamento traseiro, conforme regulamentação futura do Contran. Para conduzir esses veículos será necessária uma Autorização para Condução de Autopropelido (ACA), destinada a pessoas com mais de 16 anos aprovadas em exame teórico sobre legislação de trânsito.

O uso de capacete será obrigatório para condutores e passageiros. A circulação deverá ocorrer prioritariamente em ciclovias. Em calçadas, a velocidade máxima será de 6 quilômetros por hora. Nas vias urbanas, a circulação será permitida em locais com limite de até 60 quilômetros por hora, preferencialmente pelo lado direito da pista. O descumprimento das regras poderá gerar multas.

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Veículos autônomos e radares

O parecer também abre espaço para regulamentação dos veículos autônomos e semiautônomos. O Contran ficará responsável por definir níveis de automação, requisitos de segurança, testes de certificação e procedimentos para investigação de acidentes envolvendo esses veículos.

Na fiscalização eletrônica, o texto proíbe a instalação de radares ocultos ou posicionados de forma pouco visível em árvores, postes ou outros locais que dificultem a identificação pelos motoristas. Além disso, a aplicação de multas por excesso de velocidade somente será válida quando houver sinalização clara do limite permitido e estudos técnicos públicos que justifiquem a velocidade estabelecida para o trecho.

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Karoline Rosa

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