Em setembro de 1963, chegava às bancas norte-americanas a primeira edição de X-Men. Criada por Stan Lee e Jack Kirby, a história em quadrinhos surgiu em uma época de muita turbulência e mudanças sociais nos Estados Unidos, sobretudo a luta pelo fim da segregação racial.
Na época, a HQ introduziu um conceito diferenciado que chamou a atenção dos leitores e da crítica. Enquanto a maioria dos super-heróis da Marvel ganharam seus poderes em acidentes, radiação ou tecnologia, os mutantes nasciam com eles. Era parte de sua identidade, aceitando-os ou não. Além disso, os heróis eram rejeitados e perseguidos pela sociedade.
Tais decisões fizeram com que os gibis fossem além dos trajes coloridos e as cenas de ação: o medo do diferente, discriminação, preconceito, radicalização, tolerância e convivência tornaram-se temas-chave das histórias, que foram ganhando mais profundidade década após década não só nas páginas, mas também nos cinemas e na TV.
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Entre os conteúdos audiovisuais, o mais querido pelos fãs é a série animada da década de 1990. Responsável por apresentar o universo dos mutantes para uma geração inteira, o desenho adaptou alguns dos melhores arcos dos quadrinhos para a animação, explorando as temáticas que diferenciam a HQ das demais.
Passadas três décadas, a aclamada série ganha vida nova em X-Men ‘97, que teve a sua segunda temporada lançada no dia 1º de julho no Disney+. Sequência dos acontecimentos do desenho, ela acompanha os efeitos do ataque ao professor Charles Xavier por um extremista antimutante.
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Cabe a Magneto assumir não apenas a liderança dos X-Men mas também o papel de conciliador, visando a coexistência entre humanos e mutantes. Mas honrar o sonho do amigo não será uma tarefa fácil, devido aos seus atos contra os humanos.
Enquanto isso, surge uma nova ameaça que defende o extermínio preventivo dos mutantes sob o lema “tolerância é extinção”: para ela, aceitar a convivência significa condenar a humanidade. Após um massacre de grandes proporções, Magneto passa a enxergar a mesma frase pelo avesso. Para ele, confiar apenas na tolerância dos humanos é o caminho para a extinção dos mutantes. Vítima do Holocausto, ele assume o mesmo discurso daqueles que mataram a sua família e olha para seus algozes como uma raça inferior.
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Escrito por Beau DeMayo, X-Men ‘97 possui um texto contemporâneo sobre a intolerância nos tempos atuais. Ainda que seja um desenho baseado em uma história de quadrinhos, que se passa na década de 1990, traz uma história inteligente que serve de alerta para o extremismo, o preconceito e o ciclo de ódio no mundo. Ao respeitar a inteligência do público, permite olhar para diferentes conflitos globais sob uma nova perspectiva.
Após duas décadas de heróis no cinema, que resultaram numa crise devido ao excesso de conteúdo, a série animada demonstra que o gênero não se esgotou completamente. Com boas histórias, excelente desenvolvimento dos personagens e uma ótima direção, tornou-se queridinha pelos fãs e pela crítica, sendo considerada um dos melhores trabalhos da Marvel. Esperamos que a Casa das Ideias entenda o motivo: respeitem o material e os espectadores se querem que eles retornem a ver o seu conteúdo.
Após três anos e dois meses de espera, a Marvel liberou na última semana os três primeiros episódios da segunda temporada de X-Men ‘97. Os demais sairão nas quartas-feiras. No total serão nove, e os roteiristas prometem ser tão intensos e traumáticos quanto os da primeira temporada.
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Na primeira leva, acompanhamos a interação entre os X-Men com a sua maior ameaça: Apocalipse, um mutante ancestral que acredita na sobrevivência dos mais fortes e coloca o mundo inteiro em risco em diferentes eras, incluindo passado, presente e futuro.
Cada episódio explora um grupo distinto de personagens em diferentes épocas e mantém a consistência na qualidade do projeto, tanto na escrita quanto no visual. Entretanto, peca no mesmo problema visto anteriormente: acelerar importantes arcos e resumi-los a um capítulo. Ainda que não atrapalhe a experiência, é necessário cautela: no universo dos super-heróis, os maiores vilões têm sido os executivos que estão mais interessados em vender do que entregar boas histórias. E quando eles farejam oportunidades, o risco de um apocalipse é maior.
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