Em cartaz nos cinemas, Supergirl dá sequência à nova era da DC após o cineasta James Gunn (Guardiões da Galáxia) assumir o estúdio. Depois de testemunhar a morte de sua família e a destruição de Krypton, Kara Zor-El não consegue estabelecer a mesma ligação que seu primo Kal-El com a Terra.
Enquanto Superman defende Metrópolis, a jovem e seu cão Krypto viajam à deriva pelo espaço, em busca de planetas com o sol vermelho, onde seus poderes não funcionam completamente, para comemorar o aniversário de 21 anos fazendo algo incomum: beber até cair.
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Seus planos mudam quando ela cruza caminho com Ruthye, uma garota determinada a se vingar de Krem, líder de um grupo de assassinos responsável pela morte de sua família. Relutante em ajudar, Kara é obrigada a embarcar em uma jornada interplanetária após o criminoso ferir Krypto com uma flecha envenenada para a qual somente ele tem a cura.
Com apenas três dias para salvar seu cão, a última sobrevivente de Krypton parte em uma aventura que a fará enfrentar seus traumas, encontrar o seu lugar no universo e redefinir o que significa ser uma heroína.
Dirigido por Craig Gillespie (Eu, Tonya e Cruella), Supergirl é inspirado nos quadrinhos Mulher do Amanhã, considerada uma das melhores histórias da heroína. A escolha não poderia ser melhor para introduzir a personagem no novo universo da DC após a queda da Era Zack Snyder.
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Roteirizada por Tom King, com arte da brasileira Bilquis Evely, a minissérie explorou as diferenças entre Kara e Superman, transformando o trauma da protagonista em um elemento fundamental para a trama. Contudo, enquanto na história em quadrinhos ela já é uma heroína conhecida no universo, o longa-metragem optou por utilizar a trama de Ruthye para transformá-la na Supergirl. Em muitos momentos, o roteiro da adaptação cinematográfica – escrito por três artistas – funciona, especialmente quando não se afasta da premissa original.
O grande destaque, entretanto, é a atriz Milly Alcock. Vista recentemente em A Casa do Dragão, ela dá vida a essa versão traumatizada, impulsiva e confusa da heroína. Ela entrega uma atuação fiel à personificação dos quadrinhos, equilibrando seus superpoderes com dilemas pessoais. O contraste com seu primo é notável, criando uma química excelente com a nova versão do Superman, vivido por David Corensweet.
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Mais do que uma mera aventura espacial sobre seres superpoderosos, quase deuses, Supergirl, assim como a história na qual se inspirou, é uma obra para debater o peso de um trauma nas nossas vidas e como deixamos ele nos definir. Por isso, Kara se destaca por ser não apenas a versão feminina de um dos maiores heróis dos quadrinhos, mas uma personagem original e interessante que merece seu lugar no panteão dos super-heróis.
Nova era, mesmos dilemas
Enquanto Supergirl mantém-se à premissa de Mulher do Amanhã, o filme tem uma fluidez bastante interessante. Contudo, o novo longa-metragem falha justamente no momento em que decide afastar-se demais, perdendo sua personalidade.
Apesar da troca de mentes criativas na DC, James Gunn parece sofrer dos mesmos problemas do seu antecessor, forçando a introdução de personagens que roubam o protagonismo. É o caso de Lobo.
É histórica a luta de Jason Momoa, intérprete de Aquaman, em assumir o papel do anti-herói imortal e ultraviolento. Porém, sua participação em Supergirl é uma forçação de barra tão enfática quanto a brutalidade do personagem.
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A impressão que fica é que os produtores queriam testar o personagem para ver a reação dos fãs, sem pensar em como isso impactaria o filme da heroína. Sua participação não é breve e ganha destaque principalmente no terceiro ato, quando ele vem para salvar o dia no filme da Supergirl.
Outro fator que prejudica o filme é a estética, que parece ter sido reaproveitada de Guardiões da Galáxia. Krem, que nos quadrinhos mais parece um pirata, tem mais aparência de um capanga sem carisma do universo criado por James Gunn na Marvel do que um antagonista ameaçador, soando como uma cópia sem originalidade. É um péssimo começo para a personagem.
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Tais problemas apenas evidenciam o quanto as decisões corporativas impactam as obras cinematográficas. No entanto, apesar do desvio de rota, ainda há tempo de salvar o novo universo e, como a própria heroína, aprender com os traumas para se tornar alguém melhor.
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