Dinheiro: causa principal de estresse dos brasileiros

07/06/2019 16:02:27
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“Quem acredita que o dinheiro fará qualquer coisa por ele, provavelmente fará qualquer coisa por dinheiro” – Benjamin Franklin

Atualmente, é quase impossível imaginar-se em uma sociedade onde não exista dinheiro. Mas, nem sempre foi assim. Quando não existia dinheiro, as pessoas trocavam mercadorias e serviços entre elas. É o que se chama de escambo. Um criador de ovelhas, por exemplo, ia para o mercado para conseguir cereais. Então ele propunha trocar ovelhas por uma quantidade de trigo. É fácil perceber que vários problemas se criavam: como estabelecer os valores de troca, quer dizer, uma ovelha valia quantos quilos de trigo? Como efetuar as trocas? Se o produtor de trigo não queria trocar por ovelhas, como ficava a situação do criador? Assim, apesar de solucionar eventualmente algum problema, a operação de escambo possui deficiências, sendo que a principal delas é que se não houver coincidência de interesses, não haverá transação.

As dificuldades e ineficiências do escambo pressionaram a civilização a buscar outras maneiras de transacionar bens e serviços. Surge, então, o dinheiro, sob as mais diversas formas: pedras, conchas, animais, peles, tabaco, arroz, chá, bronze, cobre, prata, ouro. Na China, apareceu a primeira cunhagem de moedas, no século VII A.C. 

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As moedas de metal passaram a ser usadas amplamente, porque apresentavam diversas vantagens, como serem duráveis, fáceis de transportar, padronizadas e serem divisíveis, permitindo a aquisição de bens de grande ou pequeno valor.

Como nem tudo é perfeito, apareceram outros problemas, principalmente no caso de transações comerciais de maior valor, como o transporte, pesagem e pureza das moedas, e segurança das operações. Daí, evoluiu-se para o papel-moeda, cujas primeiras impressões com blocos de madeira foram feitas também na China, no século XII.  Mas, somente no século XIX as cédulas começaram a ser utilizadas de maneira universal e permanente. Hoje, o dinheiro pode ser uma cédula, um moeda, um cheque, um cartão de plástico, um clique de terminal eletrônico, computador, celular e, mais recentemente, as criptomoedas.

Apesar de ser uma ferramenta tão simples e importante em nossa vida, não deixa de ser fascinante pensarmos que uma simples e sábia invenção humana acabe por se transformar em algo extremamente complexo e de importância capital, capaz de despertar inúmeras emoções, sendo que as principais são o orgulho, a raiva, o medo, a vergonha e a culpa. Quem tem muito, por exemplo, pode se envaidecer e até gostar de se exibir; ou ter medo de provocar a inveja ou ser alvo de assaltos, roubos ou pedidos de empréstimos de pessoas próximas que jamais serão pagos, além de os beneficiários desses empréstimos tenderem a se tornarem inimigos; ou, ainda, sentir vergonha ante seus amigos íntimos ou parentes próximos. Já os que têm pouco dinheiro, em comparação com seus amigos e parentes, podem se sentir por baixo e, não raramente, evitam conversar sobre o tema por vergonha para não exporem suas limitações nesse item. Outros, inconformados com suas limitações, agem de modo leviano e vivem se endividando, com o intuito de quererem ter coisas que, normalmente, não poderiam comprar; gostam de desfilar perante os conhecidos como mais bem-sucedidos do que, de fato, são, inventando histórias para justificar sua aparente prosperidade.

 Perto do quanto se pensa no dinheiro, é curioso observar que se fala pouco sobre ele, constituindo-se ainda um tabu, principalmente nos ambientes mais íntimos, envolvendo casais, filhos, pais.

Falar sobre dinheiro não significa fazer de nossas vidas um conjunto de cobranças, controles, planilhas e leituras sobre economia e finanças. É estabelecer um jogo aberto que fortaleça a relação de casais e familiares; que os estimule a, eventualmente, ter que fazer alguns sacrifícios e se esforçar para conseguir algum objetivo ou enfrentar alguma crise financeira. É importante que as famílias, sob qualquer configuração que estejam estabelecidas, conversem sobre suas finanças e consigam chegar a decisões que sejam as melhores para todos. Nesse sentido, o ideal seria que as pessoas já alinhavassem seus interesses e objetivos, além de identificarem seus perfis de consumo e investimento, antes de decidirem morar juntas. Muitos desentendimentos nos relacionamentos, acabando até em separações, são causados por incompatibilidade na forma de lidar com o dinheiro no dia a dia. E crises econômicas do país podem afetar ou serem complicadores para os relacionamentos. Mas, crises, como tantas outras que já ocorreram, passam os casais e famílias que souberam conviver com elas equilibradamente, com diálogo e compreensão, confiando em Deus e fazendo sua parte, estarão mais unidos e colherão os frutos de sua disciplina financeira.

Além de outras  questões relacionadas com o dinheiro – se nos deixa mais felizes, se resolve nossos problemas financeiros, por que nunca chega, por que estamos sempre sem dinheiro, etc. – recente pesquisa anual “Global Investor Pulse”, elaborada pela BlackRock  em vários países, inclusive no Brasil, revelou que o dinheiro é a principal causa de estresse dos brasileiros, com 58% das respostas, seguido bem de perto pelo trabalho (57%) e, um pouco mais distante,  com a família em terceiro lugar (35%).

Em tempos de discussões e tramitação da reforma da Previdência, no Brasil, o estudo também indicou que a preparação para a aposentadoria é motivo de preocupação, ainda que a população não faça nada a respeito. O  foco maior ainda é em metas de curto prazo.

O dinheiro não pode ter o poder de controlar nossa vida; pior, ser a principal causa de estresse.  É por isso que a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico incentiva a introdução da educação financeira entre os países membros com o objetivo de ajudar as pessoas a estabelecerem uma relação mais saudável com o dinheiro. Há quem diga que damos valor exagerado ao dinheiro. Entretanto, não dar valor ao dinheiro pode criar inúmeros problemas porque, como diz o ditado, “o dinheiro não aceita desaforo”.  É alvissareiro o fato de que o tema dinheiro, de uma forma ou de outra incluído ou junto com a educação financeira, está cada vez mais presente nas pautas de jornais, revistas, rádios e televisão, além de palestras, cursos e, como não poderia deixar de ser, em sites da internet, embora, eventualmente, alguém, na contramão, acha que o assunto já foi suficientemente abordado.

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Postado por Francisco Teloeken- francisco.roque@viavale.com.br
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