O Pêndulo do Relógio 29/03/2017 09h50

Dia de marmelada...

Cada gole de vida – doce ou amargo – precisa ser degustado ou engolido

Ao despertar hoje, 29 de março de 2017, pensando em mil coisas e em nenhuma em especial, dei-me conta de que abril bate na porta. “Já vivi tantos”... Fui distraída dos devaneios com suaves tapinhas nas costas; sendo chamada de boba – isso mesmo – de boba! – pelo mano Pêndulo.  

Sempre com a decisão – um tanto quanto mirabolante, para um imortal – de jamais envelhecer. De verdade. Boa a dele, como se diz em Sampa. “Para você é fácil...” Quase brigamos por conta disso, nesse quase abril de acontecimentos lindos. No dia 12, a Madre Paula, fundadora  do Mosteiro da Santíssima Trindade, completará 87 guerreiras e destemidas batidas no pique do Tempo. Vida linda tal qual a existência provecta de Cora Coralina, de quem a madre tanto gosta. Além de poeta, a goiana conheceu muitíssimos outonos e repudiou a decrepitude. Igualzinha ao Pêndulo, não envelheceu em mais de 95 anos... 

Compreendi a sabedoria do tic-tac. Compreendi e dou graças ao Criador ao contemplar e perceber a sabedoria daqueles que surfam no tempo sem afrontá-lo. Homens e mulheres que repudiam a própria transformação em caricaturas que muitas vezes ganham a piedade alheia... ou o escárnio. Em algo que nunca existiu de fato. Criaturas livres. Que curtem a vida. 

Lima Duarte, por exemplo; o festejado ator do Brasil, do sul das Minas Gerais, da cidade de Sacramento. Nascido Auriclenes Martins. Chegou ao mundão de nosso Deus em 1930, no dia de hoje. Diazinhos mais velho do que a madre Paula. Semelhante na arte do surfe no tempo, de quem percebe que só a eternidade não é impermanente.  Cada gole de vida – doce ou amargo – precisa ser degustado ou engolido. Um por vez. O resto é mistério, minha gente.

Hoje é festa em uma de minhas cidades adotivas: Salvador da Bahia de todos os santos e orixás em perfeita convivência: de braços dados. Que mar azul o da terra de Catarina Paraguaçu e de seus descendentes!  Cor de eternidade e certeza de tempo bom.

Ontem, 28, foi também uma data significativa para mim. Há quinhentos e um anos, nascia Teresa de Cepeda e Ahumada: santa Teresa de Jesus, minha padroeira na vida Consagrada. Entre muitas coisas, ela é a patrona dos escritores espanhóis.  

Dia 27 passado foi o Dia Mundial do Teatro.  E o Dia do Circo. Quando a gente pensa em circo, pensa em palhaço e em marmelada. Sempre me emociona a famosa canção de Sidney Miller, que viveu intensamente tão pouco e deixou uma única preciosidade, O Circo, imortalizada na voz de Nara Leão: “Vai, vai, vai começar a brincadeira... Tem charanga tocando a noite inteira....Vem, vem, vem, ver o circo de verdade... Tem, tem, tem, picadeiro e qualidade..”

Encerro o papo com um trecho da modinha. “Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo. Foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo. Sem juízo e sem juízo fez feliz a todo mundo. Mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria. Todo encanto do sorriso que seu povo não sorria.”