O Pêndulo do Relógio 22/11/2017 09h43

Celembrando Ir. Maria de Lourdes

Acredito que o gosto pelo sobrenatural até pode ser a necessidade desesperada de certezas; de que existe algo além do supermercado, das dietas

Novembro de 2017... Outro dia dos músicos entre nós. O tempo é incorruptível, no meio de tanta corrupção... Faz o seu trabalho incansável de passar, seguindo em frente, de cabeça erguida. 

Quase três anos que deixei estes pagos... Em homenagem às memórias do velho Pêndulo, padroeiro de cronistas e teimosos, e à consagração da mana Lourdinha no próximo domingo – 26 de novembro de 2017, no mosteiro –, vamos celembrar, nos dizeres de Belchior, o que foi dito em 2016. “O mano Pêndulo amanheceu emburrado. Detesta ter que andar para trás, embora às vezes seja preciso. Tanto quanto navegar em outros mares, para pensar grande.

Vinte e três de novembro registra fatos merecedores de reflexões. Festeja-se o engenheiro eletricista. Hoje também é o Dia do Combate do Câncer Infantil. Coisa dolorosa o sofrimento de inocentes. Que os transforma em anciãos. Em sábios. Os planos de Deus, a Infinita Surpresa, são inefáveis, minha gente... Há uma proliferação de livros e filmes cujas telas exibem crianças em leitos, sem cor, mas com muita garra. E tudo isso ao lado de películas mirabolantes e inconsequentes sobre o Mal. Basta ligar as tevês por assinatura e eis shows de décadas exibindo demônios e zumbis... 

Sabemos que o Mal – ao contrário do Bem – não tem força em si mesmo, mas nos consentimentos e escolhas humanos. Daí as guerras, fratricídios, desespero de viventes... Acredito que o gosto pelo sobrenatural até pode ser a necessidade desesperada de certezas; de que existe algo além do supermercado, das dietas mirabolantes, do sexo que se imagina e de grifes caríssimas... De que vale a pena viver e não somente empurrar o tempo com a barriga...

Domingo passado, o Papa encerrou o Ano Santo Jubilar. Será que fomos verdadeiramente misericordiosos? Ou apenas acompanhamos pela mídia , com pipocas, a exortação do sumo pontífice – que vale para pessoas de todas as religiões e culturas – do mesmo jeito que assistimos a filmes fantásticos?!? Dia 20, comemorou-se a Consciência Negra. Uma grande tomada nacional de Consciência. Com letra maiúscula. De combate ao racismo e intolerância religiosa. 

A cultura brasileira reflete a contribuição inefável de homens e mulheres africanos arrancados de suas querências na calada da noite. Tal qual o processo que condenou Jesus. Sem qualquer direito a defesa. Pessoas que trouxeram suas almas costuradas na Alma Coletiva que tanto construiu a cultura do Brasil. E isso merece respeito, minha gente. 

Viva Machado de Assis: um dos maiores gênios da literatura do planeta! E viva, também, tudo o que quer dizer, no Rio Grande do Sul, o mito do Negrinho do Pastoreio. Dia 22, foi a memória de Santa Cecília: padroeira dos músicos. Artistas que, apesar de todas as adversidades, insistem em seguir louvando e tocando. E cantando. Coisa totalmente de Deus. Que – é o que testemunha D. História – também sofre com a iniquidade cega de suas teimosas e arrogantes criaturinhas.