14/10/2019 10h03 Atualizado às 10h19

Irmã Dulce se torna a primeira santa católica nascida no Brasil

A santa passa a ser apresentada como alguém que "desde a infância, se destacou por uma grande sensibilidade para com os pobres e necessitados"

Na manhã desse domingo, 13, o papa Francisco oficialmente fez de Irmã Dulce, a Santa Dulce dos Pobres, a 37ª personalidade brasileira canonizada pela Igreja Católica. Morta há 27 anos, trata-se agora da primeira santa nascida no País. E o pontífice destacou a necessidade de criar “santos do cotidiano”.

A cerimônia, na Praça São Pedro, reuniu cerca de 50 mil pessoas e fez outros quatro santos: um teólogo inglês, uma freira italiana, uma freira indiana e uma catequista suíça. Na homilia, o papa destacou o fato de que, dos cinco novos santos, três eram freiras. “Mostram que a vida religiosa é um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo.”

“Em honra da Santíssima Trindade, pela exaltação da fé católica e para incremento da vida cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e Nossa, depois de refletir por muito tempo, ter invocado a ajuda divina e ouvido a opinião de irmãos bispos, declaramos e definimos santos os beatos John Henry Newman, Giuseppina Vannini, Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, Dulce Lopes Pontes (Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes) e Marguerite Bays, e os inscrevemos no registro dos santos, estabelecendo que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os santos”, afirmou o papa, no momento solene, sob aplausos fervorosos.

Era visível o número de brasileiros entre os fiéis. Bandeiras do País e trajes verdes e amarelos podiam ser notados em todas as partes da praça. Em um dos momentos mais emocionantes da cerimônia, foi exibida uma relíquia de Irmã Dulce: um pedaço de osso de sua costela, incrustado em uma pedra de ametista. O músico José Maurício, considerado curado milagrosamente por graça de Santa Dulce, estava presente. Foi a recuperação de sua cegueira o milagre decisivo.

Na hagiografia de Irmã Dulce consolidada pelo Vaticano, ela passa a ser apresentada como alguém que “desde a infância, se destacou por uma grande sensibilidade para com os pobres e necessitados”. “Sua caridade era maternal, carinhosa. A sua dedicação aos pobres tinha uma raiz sobrenatural e do Alto recebia forças e recursos para dar vida a uma maravilhosa atividade de serviços aos últimos.” O documento ainda destaca que, quando a freira morreu, já gozava de “fama de santidade”.