LOGÍSTICA 18/06/2020 19h36 Atualizado às 20h55

VÍDEO: navios com mais de 330 metros atracam no porto de Rio Grande

Gigantes dos mares, carregados de contêineres, conectam economia gaúcha com o mundo

O Porto de Rio Grande é uma das principais vias de contato comercial do Rio Grande do Sul, do Brasil e da América do Sul com o mundo. É pelo Tecon Rio Grande, empresa do grupo Wilson Sons, terminal de contêineres que opera as principais linhas marítimas que ligam o País a todos os continentes, que é embarcado, por exemplo, grande parte do tabaco colhido na região Sul do Brasil, o que inclui a produção industrial de Santa Cruz do Sul e do Vale do Rio Pardo.

A proeminência de Rio Grande e de sua moderna estrutura pôde ser medida uma vez mais na semana passada, quando o porto recebeu um dos gigantes dos mares, um colosso capaz de magnetizar as atenções por onde quer que passe. Trata-se do moderníssimo navio de contêineres Ever Laurel, construído em 2012, do armador chinês Evergreen, que navega sob bandeira de Singapura e tem impressionantes 335 metros de comprimento e 45,8 metros de largura.

Ele ingressou em Rio Grande no dia 9 de junho, terça-feira, e exigiu uma logística toda específica de atracação, diante da amplitude de suas manobras. Tem capacidade de carregamento de até 8.000 TEUs (unidade padrão de contêineres, equivalente a um contêiner de 20 pés) e possui calado de navegação de 9,7 metros, sendo o primeiro navio da companhia com 335 metros a navegar no Brasil. A embarcação ficou no porto até sexta-feira, dia 12, quando seguiu com destino a Buenos Aires.


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Conforme o diretor comercial do Tecon Rio Grande, o santa-cruzense Renê Wlach, 56 anos, o Ever Laurel foi o terceiro navio com mais de 300 metros de comprimento que o porto recebeu em junho. No começo do mês, o Tecon já havia recebido o Mol Beauty, do armador One, originário de Hong Kong, com capacidade de 10.000 TEUs, com 337 metros de comprimento e 48 metros de largura; e o gigante Kota Pemimpin, que navega sob bandeira de Hong Kong.

E o desfile de grandalhões não deve parar por aí. Uma vez que a infraestrutura está criada para que esses gigantes dos mares atraquem em Rio Grande, o porto está habilitado a receber também a próxima geração de navios, que medem estonteantes 366 metros, como salienta Wlach.

E o diretor superintendente do Porto, o administrador Fernando Estima, reforça que Rio Grande hoje se situa entre os melhores portos do Brasil e também do mundo. É um diferencial de competitividade que assegura aos produtos do Rio Grande do Sul e do Sul do País excelentes condições de se inserirem em todos os mercados mundiais, e, em sentido contrário, de se abastecerem com as matérias-primas e os insumos indispensáveis às suas operações.

Desde 2012, o porto de Rio Grande já operou 274 embarcações do porte do Ever Laurel, beneficiando-se da condição do amplo canal de acesso com 18 metros de profundidade externa e 16 metros internos, possibilitando a manobra e a atracação dos meganavios. A Wilson Sons é o maior operador integrado de logística portuária e marítima do mercado brasileiro, e atua há mais de 180 anos.

O Ever Laurel visto de cima

Conexão com o mundo, e com o interior

O diretor superintendente do Porto de Rio Grande, Fernando Estima, frisa que a gradativa entrada em operação de grandes navios de contêineres no Tecon é reflexo dos investimentos que têm sido realizados, com a União e o governo do Estado. O porto aplicou em torno de R$ 500 milhões em dragagem e reposicionamento para receber navios dos mais diversos portes.

Estima lembra que o aumento da capacidade de carga de uma embarcação significa competitividade estendida a todos os elos das cadeias produtivas no Estado. Como nos demais setores, à medida em que a capacidade de carga aumenta, diluem-se os custos no transporte. Isso significa que os setores produtivos exportadores do Estado e do sul do Brasil passam a ser mais competitivos em relação a outras regiões.

“Tem-se assim o casamento da logística de transporte marítimo com a produtividade dos setores no Estado”, assinala. “Não adianta o produtor ter o melhor trator, usar o melhor fertilizante e a melhor tecnologia, obter a maior produção por área e máxima qualidade se na hora de escoar o custo, o preço, não é competitivo e elimina todo o esforço realizado anteriormente. Por isso, os investimentos em Rio Grande são tão importantes”. Estima cita que o PIB gaúcho hoje é calculado em US$ 130 bilhões, e que pelo Porto de Rio Grande são movimentados nada menos do que US$ 30 bilhões, quase a terça parte de tudo o que o Estado produz ou gera.

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E Estima observa que o Porto não está preocupado apenas com seu papel no escoamento dos produtos gaúchos e brasileiros para o mundo, mas igualmente em promover a interiorização de seus serviços para as diversas regiões do Estado. A navegação pelo interior, até os portos públicos de Pelotas e de Porto Alegre, bem como até os 11 portos privados de diversas cidades gaúchas, tem sido uma prioridade. Destes, navios e barcaças levam a produção (grãos, como soja, arroz e milho; ou celulose) até Rio Grande, e na viagem de volta carregam insumos, fertilizantes e outros produtos aos portos do interior.

Ao mesmo tempo, a soja tem sido encaminhada por barcaças a Rio Grande, onde é esmagada, e no retorno a mesma barcaça leva o biocombustível para o interior, numa logística reversa perfeita. “Com isso, buscamos integrar ao máximo os modais, e tornar mais presente o uso do modal hidroviário, que se casa com o rodoviário a partir dos portos do interior. Ou seja, já não será necessário que todo o escoamento ocorra por caminhões pela longa distância até o porto de Rio Grande.”

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