PAÍS 25/08/2020 19h52

Insatisfeito com valor médio, Bolsonaro adia anúncio do Renda Brasil

Programa social pagaria, em média, R$ 247,00, mas presidente quer discutir quantias maiores, entre outros ajustes

O presidente Jair Bolsonaro considerou insuficiente o valor médio de R$ 247,00 mensais proposto pela equipe econômica para os beneficiários do programa Renda Brasil, ampliação do Bolsa Família que é uma das principais apostas do governo na área social. De acordo com fontes do Palácio do Planalto, a quantia a ser paga é “um dos vários aspectos” que serão reavaliados a pedido do presidente, que se reuniu na segunda-feira, 24, com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

LEIA MAIS: Renda Brasil vai pagar em média R$ 232 a 57 milhões de pessoas, prevê governo

O novo programa social do governo prevê três “atos” ao longo da sua implantação: 1) transferência de renda com o fim do auxílio emergencial de R$ 600 e transição para o Renda Brasil; 2) um novo programa de emprego, batizado de Carteira Verde Amarela, que promete baratear a contratação dos contemplados do programa e prevê um complemento de renda numa espécie de “imposto negativo”; e 3) a desoneração da folha de salários (redução nos encargos que as empresas pagam sobre salários).


Para bancar o custo de R$ 52 bilhões do Renda Brasil, Guedes propõe a extinção de programas considerados ineficientes, como o abono salarial (benefício de um salário mínimo voltado para quem ganha até duas vezes o piso), o seguro-defeso (pago a pescadores artesanais no período de reprodução dos peixes), salário-família (pago a trabalhadores formais e autônomos que contribuem para o INSS, de acordo com a quantidade de filhos) e Farmácia Popular.

LEIA TAMBÉM: Bolsonaro oficializa nova prorrogação da redução de salários e jornada

Nesta terça-feira, 25, o governo apresentou apenas o programa Casa Verde Amarela, uma reformulação do Minha Casa, Minha Vida, dentro do pacote Pró-Brasil, como um dos “projetos prioritários para a geração de empregos” e para a retomada da economia.

Enquanto isso, o presidente e sua equipe ganham mais tempo para aperfeiçoar os outros projetos. O pacote prevê, além do Renda Brasil, tirar “amarras” do orçamento e um Pró-Brasil enxuto em recursos públicos, mais focado em marcos regulatórios para atrair a iniciativa privada.

A decisão de fatiar os anúncios também permite maior visibilidade às medidas, já que o Planalto deve realizar uma série de eventos públicos considerados positivos para a imagem do presidente Bolsonaro. Empolgado com os efeitos do auxílio emergencial na sua popularidade, Bolsonaro vê no Renda Brasil uma oportunidade de viabilizar a reeleição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

LEIA TAMBÉM: Bolsonaro fala em estender auxílio emergencial até o final do ano