FUTURISMO & INOVAÇÃO 29/06/2020 14h12

Prepare-se para 2022

O ano de 2020 ficará registrado como a era em que a Covid-19 nos fez encarar nossa dura realidade, mostrando a extrema fragilidade do nosso mundo

Esta semana, vi uma imagem que representava 2020 como um ano zerado. Já escrevi sobre o cancelamento do ano, e sobre os sinais que mostravam que talvez não fosse possível voltar ao “normal” ou sair do isolamento tão cedo.

Com a curva da pandemia em alta e o Brasil com uma performance ruim frente a este evento, a tão esperada vacina foi enfim anunciada para o final deste ano, o que nos mostra que quase tudo ficará suspenso até 2021.

Muito se discutiu sobre a retomada e lugares que o fizeram de forma precipitada experimentaram o aumento de casos em até cinco vezes, como ocorreu em São Paulo.

Esta semana, o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) falou sabiamente que o vírus explora a distração, o relaxamento, a falta de disciplina e de governança, e as vulnerabilidades da população. Ainda é tempo de vigilância.

O ano de 2020 ficará registrado como a era em que a Covid-19 nos fez encarar nossa dura realidade, mostrando a extrema fragilidade do nosso mundo, da ciência e da raça humana no planeta azul. Fomos subjugados pelo universo, que nos deu sinais claros de que há mais entre o céu e a Terra do que o que nos contaram na escola.

Todos os assuntos emergiram em uma única onda e nos puseram em módulo de “pausa” e reflexão profunda: ou mudamos ou nosso mundo nos expurgará.

Muitas empresas deixarão de existir, muitos profissionais terão que se reinventar, e esta já é uma dura realidade nas grandes metrópoles. Governos, empresas e sociedade precisam se unir e reagir à disrupção global do mundo: não há caminho de volta, chegamos ao limite de tudo e recomeçar será necessário. O mundo se tornou um lugar intolerante à falta de ética e de retidão moral.

Empresas que não compreenderem a importância da sigla ESG (Environment, Social and Governance), deixarão de existir em curto espaço de tempo. Instituições cujo propósito não seja servir a sociedade, para muito além da geração de empregos e a movimentação da economia, serão dispensadas rapidamente.

Profissionais sem fluência digital e capacidade para navegar no novo mundo, dificilmente terão espaço no mercado de trabalho pós-digital, e países que não abraçarem os desafios globais de sustentabilidade em parceria com as iniciativas do planeta, ficarão cada vez mais atrasados no ranking de desenvolvimento do mundo.

Muitos já despertaram. Saíram do lamento e decidiram fazer deste um ano especial, de revisão, adaptação e replanejamento. O mundo pode voltar a seu novo ritmo somente em 2022, já intensamente reciclado. Até lá, a nova rotina exige consciência, paciência, tolerância, criatividade e extrema precaução. Nossa pressa pode custar nosso futuro.

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