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Alerta

Furtos de veículos no topo da criminalidade

Uma ferramenta disponibilizada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) permite constatar o que muitos moradores já sentiram na prática em Santa Cruz do Sul. Em 2015, o município teve o maior índice de furtos de veículos para cada 100 mil habitantes no Estado. Com uma população de 128.437, os 643 veículos furtados representam uma média de 500.63. Em Porto Alegre, onde houve 4.206 furtos do gênero, devido ao maior número de habitantes, a média foi bem inferior, com 285.01. 

Embora o índice se baseie no total de furtos pelo número de habitantes, em outras cidades, como Passo Fundo, no Norte, que tem quase 70 mil habitantes a mais do que Santa Cruz, o total de registros foi inferior, com 637 casos. A média no município ficou em 323.01. A ferramenta, que utiliza dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), permite verificar os índices até 2002. No período exposto, 2015 foi o ano em que Santa Cruz teve o maior índice de furtos. 

Em 2014, a média santa-cruzense era de 248,6 para cada 100 mil habitantes. Embora a ferramenta não disponibilize dados de 2016, índices da SSP apontam que o número de crimes teve uma ligeira redução. Enquanto no primeiro semestre do ano passado foram 294 casos, neste, 274 veículos foram levados. O que não mudou é o alvo dos criminosos, que escolhem  veículos mais antigos, com menos dispositivos de segurança. Para isso fazem uso da conhecida chave micha, usada para dar partida. 

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Por outro lado, o perfil dos carros furtados contribui para que, mesmo com o índice superior, o valor dos seguros no município não sofra maior elevação. Esses automóveis não costumam estar segurados. O que eleva o valor do seguro são os roubos – casos em que há emprego de arma ou violência. É dessa forma que os criminosos levam veículos mais novos e, em geral, segurados. Em Santa Cruz, esse índice é bem mais baixo. Em 2015 foram 36 roubos, uma média de 28. Em Porto Alegre, esse índice foi de 642,4 para cada 100 mil, com 9.480 veículos roubados na Capital.

Maioria é recuperada

Ao contrário de municípios onde o foco dos criminosos é usar o veículo para clonagem ou desmanche, em Santa Cruz do Sul, conforme a Brigada Militar e Polícia Civil, a maioria dos carros é recuperada. “O pessoal furta carros mais antigos para subtrair alguma coisa, um rádio, as rodas, o estepe, e depois abandona”, afirma o comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, major Paulo Nascimento. 
Além disso, o conhecido “sequestro de veículos”, no qual o proprietário é vítima de extorsão após o furto para ter o carro de volta, é frequente e um desafio para a polícia. O pagamento do resgate é uma prática considerada perigosa. “Se as pessoas não acreditarem nas instituições e ficarem alimentando essa situação, vão fortalecer esse tipo de crime. Não pague. Faça o contato com a Brigada para que a gente possa tomar as providências. Se pagar, está contribuindo para o crime. É um ciclo”.  

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Sobre os índices, segundo o major, a BM vem conseguindo reduzir os casos. Ano passado, em outubro, foram 72  furtos na área do 23º BPM e neste ano houve 58 casos. O monitoramento de delitos, por meio do sistema Avante, permite mapear os pontos de maior incidência e agir nesses lugares. “O efetivo faz o levantamento de quais ruas, quais os dias e horários em que estão acontecendo. Em cima desse mapeamento, consegue-se fazer frente a esse delinquente e por isso os casos têm baixado.”

OUTROS MUNICÍPIOS

  • Porto Alegre 4.206

veículos furtados, com 1.475.717 habitantes. A média é de 285.01.

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  • Caxias do Sul

1.434 veículos furtados, com 475.906 habitantes. A média é de 301.32.

  • Novo Hamburgo

1.070 veículos furtados, com 244.007 habitantes. A média é de 438.51.

  • Passo Fundo

637 veículos furtados, com 197.206 habitantes. A média é de 323.01.

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  • Bento Gonçalves

419 veículos furtados, com 117.227 habitantes. A média é de 357.43.

  • Campo Bom

317 veículos furtados, com 64.392 habitantes. A média é de 492.3.

  • Cachoeira do Sul

194 veículos furtados, com 86.229 habitantes. A média é de 224.98.

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Ladrões exigem “resgate” após crime

Dono de um restaurante no Bairro Arroio Grande, Délcio Luiz Kipper, 50 anos, foi uma das vítimas de furto de veículos em Santa Cruz, há cerca de três meses. A Honda Bros 125 era utilizada para tele-entregas da empresa. Em um sábado à tarde, em setembro, o motoboy foi a um supermercado, no Centro, buscar encomendas de carnes e deixou a moto estacionada em frente ao estabelecimento, presa com uma corrente. Ao retornar dez minutos depois, não a encontrou.
Dois dias depois do furto, um jovem foi a sua empresa exigir uma quantia em dinheiro para  devolver a Honda. “Na segunda-feira, 9 horas, veio um rapaz e disse que estava com minha moto e queria R$ 1 mil. Falou que, como sou do restaurante, teria o valor para pagar. E ameaçou vender adiante, caso não entregasse R$ 1 mil.” Logo que foi informado sobre o furto, o empresário comentou o crime com amigos que lhe aconselharam a esperar o contato dos criminosos. Foi o que aconteceu. “Não precisei correr atrás para buscar. Eles nos encontram.”

Um conhecido de Kipper foi quem entregou o dinheiro e retirou o veículo ainda na noite de segunda-feira, sem danos. “Só o IPVA dela (da moto) é R$ 400,00, preferi dar R$ 1 mil para ter de volta porque sabia que de outro jeito não a teria”, comentou. Essa foi a primeira vez que o empresário foi vítima de furto de veículo e ele reconhece que, mesmo redobrando os cuidados, não há nenhuma garantia de segurança. “Nós acorrentamos a moto e mesmo assim isso aconteceu. É como ganhar na loteria: um dia a gente pode ser o premiado.”

Dentro de casa

Outro tipo de furto de veículos que assusta os moradores é o que acontece dentro de casa. Em abril deste ano, Reni Raf-fler, 68 anos, teve a casa invadida por criminosos na madrugada. Os bandidos ingressaram na residência por uma janela enquanto os proprietários dormiam e, além de objetos pessoais e eletrônicos, levaram um Gol. Por sorte, a família não acordou enquanto o crime era cometido e percebeu o furto só na manhã seguinte. Conforme a vítima, o veículo foi localizado cerca de uma semana depois, incendiado. “Tiraram tudo o que puderam de dentro dele, queimaram o carro e abandonaram.”

“Não precisa de muito mais do que um minuto”

“O delinquente não precisa muito mais do que um minuto para ingressar no veículo e colocar em movimento. São 60 segundos”, afirma o capitão Daniel Mello, comandante da 1ª Companhia da BM. É na área central de Santa Cruz do Sul, pela qual ele é responsável, que vem se concentrando a maior parte dos casos de furtos de veículos. A destreza e agilidade dos criminosos são os principais desafios do policiamento para inibir esse tipo de delito. O envolvimento de adolescentes também é apontado como um fator que dificulta o combate. 

Além disso, como o furto tem uma pena mais branda, em geral o autor não permanece muito tempo encarcerado e responde ao processo em liberdade. Como forma de tentar coibir a reincidência, os policiais adotaram a tática de abordar com maior frequência aquelas pessoas que eles sabem ter antecedentes por furto de veículos, especialmente em áreas suspeitas. No entanto, a própria BM reconhece que essa medida não impede que o criminoso aja. 

“O delinquente sabe que a viatura não tem como estar em todos os lugares a todo momento. Ele simplesmente aguarda o deslocamento da polícia daquele lugar. Na parte policial, o serviço está sendo feito, mesmo com toda a dificuldade que a gente conhece”, explica Mello.

O QUE FAZER?

  • Proteger-se

Os proprietários devem reforçar os dispositivos de segurança. Os criminosos procuram os veículos mais antigos. Mas, às vezes, os mais novos também têm pouca proteção. “Se a pessoa optar por esse tipo de veículo, tem que saber que está se expondo a um risco maior. Isso não advém de uma omissão da polícia, e sim de fenômenos da criminalidade, favorecidos por uma legislação branda. Não se trata de repassar uma responsabilidade do Estado para o cidadão, mas a realidade impõe que o cidadão adote um comportamento voltado para a segurança dele. Isso tem que ser honestamente dito”, afima Mello.

  • Ficar atento

Se o carro permanecer em via pública, uma orientação é, se possível, deixá-lo em um local onde possa ser visualizado com maior frequência. “Isso diminui o intervalo que ele pode nos acionar (no caso de um furto). E consequentemente aumenta a chance de a gente encontrar o veículo sendo movimentado.” 

  • Não adquirir mercadoria sem procedência

Não diferente de outros tipos de furto, o de veículos também está ligado a um ciclo impulsionado por quem recepta o produto e por quem compra. “Se tem um comerciante clandestino que recepta peças furtadas, ele obviamente tem uma clientela que busca esse tipo de peça barata.”

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