Operação Caruncho 10/10/2019 15h28

Grupo da região vendia arroz com insetos, larvas e até fezes de ratos

Ministério Público cumpriu mandados em Cerro Branco, Novo Cabrais, Cachoeira do Sul e Candelária

Um grupo criminoso baseado no eixo Candelária-Cachoeira do Sul é apontado pelo Ministério Público (MP) como operador de um esquema de sonegação fiscal, adulteração de produto alimentício e ações contra as relações de consumo. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os envolvidos compravam arroz (grãos e resíduos) de produtores gaúchos e revendiam o grão totalmente fora dos padrões e em embalagens de terceiros, provavelmente sem ligação com as irregularidades. Análises de laboratório identificaram insetos, larvas e fezes de rato em meio ao arroz. O produto era vendido para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, inclusive escolas públicas.

A Operação Caruncho foi deflagrada na manhã desta quinta-feira, 10, pelo Gaeco nos municípios de Candelária, Novo Cabrais, Cerro Branco, Cachoeira do Sul, Ibiraiaras e Sombrio (SC). Três suspeitos foram presos temporariamente e um quarto está foragido. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão. De acordo com o promotor Alcindo Luz Bastos, a sede do grupo era um pavilhão de Cerro Branco sem alvará nem licenciamentos. “Não havia qualquer condição de higiene. Vimos porcos em meio ao arroz e até ratos mortos”, resumiu.

Segundo o promotor, 11 pessoas são suspeitas de envolvimento no esquema que comprava arroz de agricultores, beneficiava, embalava e vendia fora dos padrões de higiene, com embalagens falsas e sem nota fiscal. “A investigação começou quando recebemos, do Rio de Janeiro, laudos demonstrando a péssima qualidade do arroz”, contou Bastos. A suspeita é que o arroz sem condições de uso era “gotejado” em meio a carregamentos de produto legal e dentro dos padrões.

Produtos embalados com carunchos


OS SUSPEITOS
Dos quatro líderes do esquema, três estão presos e um, foragido. Conforme o Ministério Público, eles utilizavam CNPJs de outras empresas e laranjas para dificultar o rastreamento e fiscalização do produto, bem como esconder o patrimônio acumulado a partir de ações criminosas. A ação foi realizada nesta quinta-feira com autorização da Justiça Estadual de Cachoeira do Sul.

Um empresário natural de Cachoeira e morador de Cerro Branco é apontado pelo MP como gerente do grupo. Ele seria o responsável pelas negociações de compra e venda do arroz, pela logística até o Sudeste e aquisição de embalagens de terceiros. O homem que não teve a identidade revelada seria também o responsável pela “filial” localizada em Sombrio (SC). “O homem já tem condenações, tanto na Justiça Estadual quanto na Federal, por manter laranjas como testas de ferro de empresas em que ele era sócio de fato”, explicou o promotor responsável pela operação.

Segundo o MP, outro envolvido no esquema é o proprietário do local onde o arroz era beneficiado, em Cerro Branco. Ele também é suspeito das negociações sem nota fiscal e com dados falsos, bem como aquisição irregular de agrotóxicos e embalagens. O terceiro suspeito mora em Cachoeira e seria encarregado da movimentação financeira do grupo. O quarto é motorista de caminhão e já havia sido preso em julho deste ano em Guarulhos (SP) por crimes contra relações de consumo. Ele seria operador de um depósito irregular na cidade paulista.

Depósito onde o arroz era estocado fica em meio a galinhas e porcos