CRIME ORGANIZADO 20/02/2021 16h23 Atualizado às 17h25

VÍDEO: Menezes explica plano arquitetado para resgatar Chapolin da cadeia

Operação Conde Drácula foi deflagrada nessa sexta-feira e encerrou investigação da Polícia Civil iniciada em 2017, que evitou emboscada da facção Os Manos

Passava pouco das 6 horas dessa sexta-feira quando viaturas da Polícia Civil saíram da delegacia para o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, expedido pelo Poder Judiciário. Em uma residência da Rua Amazonas, no Bairro Bom Jesus, embaixo de um colchão, os agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) encontraram quatro quilos de drogas, armas, projéteis e carregadores.

Já dentro de um armário, escondido sob uma pilha de roupas, foi localizado um volume embalado a vácuo. Ao abrir o material, os investigadores encontraram cinco cadernos. Em suas páginas, os nomes dos principais traficantes de Santa Cruz do Sul e região, bem como toda a contabilidade movimentada ao longo dos últimos anos pela facção Os Manos.


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Durante a ação, um jovem de 18 anos ainda seria preso em flagrante. Esta foi a primeira grande apreensão do dia. Horas depois, porém, a Draco cumpriria um segundo mandado de busca e apreensão em uma área de mata, dentro de uma propriedade rural do Bairro Santuário.

Desenterrados pelos policiais, dois tonéis revelaram 12 quilos de drogas, balanças de precisão, radiocomunicadores, carregadores de pistola e munição de calibres diversos. Para surpresa dos agentes, 15 camisetas falsificadas da Polícia Federal foram localizadas.

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O local onde os tonéis estava é uma área de mata atrás do Loteamento Berçário Mãe de Deus, no Bairro Santuário, que é conhecida no submundo como ponto onde a facção Os Manos guarda estoques da droga.


“No ano de 2019, prendemos um indivíduo que é apontado como responsável pelo armazenamento de drogas. Também desenterramos um tonel, como agora. Ele foi preso em flagrante, respondeu o processo e o advogado dele criou uma dúvida, sobre o tonel estar enterrado fora do limite da propriedade dele. Nenhum criminoso que guarda drogas enterra no seu pátio. No fim, ele foi absolvido. Agora, nossa investigação mostra que ele continua enterrando, dessa vez nos fundos do Loteamento Berçário Mãe de Deus”, narrou Luciano Menezes.

A operação deflagrada no local foi denominada como Conde Drácula e remete a esse investigado, de 58 anos, que tem o apelido de Conde. É um dos traficantes de drogas mais antigos de Santa Cruz do Sul e possui antecedentes por tráfico, ameaça e desobediência.

“É óbvio que esse investigado vai dizer a mesma coisa que no processo anterior, que a gente não pegou no pátio dele. Mas ele não enterra no pátio dele, ele coloca mais para o mato. Todo mundo que mora ali sabe que é utilizado pela facção e quem mexer, morre”, afirmou o delegado.

A Gazeta do Sul acompanhou o trabalho policial e conta a seguir os detalhes da chamada Operação Conde Drácula, que coroou uma investigação iniciada em 2017 pela Polícia Civil e que frustrou, inclusive, os planos de uma emboscada armada pela facção Os Manos para resgatar da prisão o seu líder, Chapolin.

Mais de três anos de trabalho

A Operação Conde Drácula, deflagrada nesta sexta-feira, 19, encerrou uma investigação iniciada em 14 de julho de 2017. Naquele dia, seis caminhonetes prontas para serem adesivadas como se fossem viaturas da Polícia Federal (PF) foram localizadas pela Polícia Civil em um sítio de Linha Travessa, em Venâncio Aires.

Já nessa sexta-feira, 15 camisetas com emblemas da PF, também falsas, foram encontradas enterradas dentro de um tonel, em uma área de mata que fica atrás do Loteamento Berçário Mãe de Deus, no Bairro Santuário. As camisetas são a mais recente prova de um plano para resgatar o líder da facção Os Manos, Chapolin.

“Fechamos agora essa investigação iniciada em 2017, na qual descobrimos que a facção tinha um plano: resgatar esse líder, arrebatando ele de uma viatura da Susepe enquanto estava em curso para ser ouvido em audiência. Eles iriam se disfarçar de policiais federais na rodovia, simular uma barreira para atacar o comboio da polícia penal e resgatar o líder”, relatou o delegado Luciano Menezes.

Outra duas operações de grande porte, ao longo dos últimos anos, estão vinculadas à investigação que identificou o plano de resgate arquitetado pela facção. Em outubro de 2017, a Draco fez a maior apreensão de armas da história do Rio Grande do Sul em um loft do Bairro Avenida. Já em fevereiro de 2020 foram apreendidos coletes à prova de balas, coturnos, roupas de policiais, coldres, bloqueadores de sinal de celular e até luminosos giroflex em uma casa do Bairro Senai.

“Se levassem a cabo o plano que conseguimos sabotar, se passariam por policiais federais e lograriam êxito na ideia deles. Conseguimos apreender as caminhonetes e adesivos, armas, material tático e, hoje (sexta), com a apreensão dessas camisetas, fechamos todo o material que seria utilizado neste plano para resgatar o líder da facção Os Manos”, ressaltou o coordenador da operação.

Tonéis foram localizados atrás do Loteamento Berçário Mãe de Deus, onde a facção guarda drogas

Ordem para não bater nos guardas

Uma mensagem curiosa, descoberta durante a investigação em um dos celulares apreendidos com a facção, determina que os agentes penitenciários encarregados da escolta de Chapolin não fossem agredidos ou mortos durante a tentativa de resgate do bandido.

“Quando atacassem o carro da Susepe, era para retirar o preso, não bater nos agentes penitenciários, levar um cadeado para trancá-los e deixar as armas deles nos bancos. Era preocupação dos bandidos em serem elegantes com o pessoal da Susepe, porque amanhã ou depois vão voltar para o presídio e não querem confusão com a polícia”, explicou Menezes.

Materiais apreendidos foram trazidos até a Delegacia de Polícia Civil

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