Santa Cruz 26/10/2018 12h37 Atualizado às 13h03

Força-tarefa do MP apreende 2,5 toneladas de alimentos

Produtos vencidos ou mal armazenados foram recolhidos em vistoria realizada em três estabelecimentos de Santa Cruz

 

Uma força-tarefa comandada pelo Ministério Público vistoriou três estabelecimentos de Santa Cruz do Sul nessa quinta-feira, 25, e apreendeu 2,5 toneladas de alimentos impróprios para o consumo. A Operação Segurança Alimentar começou pela manhã, no Hipermercado Big, onde foi constatado o mesmo problema encontrado pelo MP durante vistoria no ano passado: a temperatura dos freezers estava acima do ideal, o que compromete a integridade dos produtos congelados. Para atender às exigências sanitárias, os equipamentos devem possuir tampas e manter os alimentos em temperaturas negativas. Tudo o que estava armazenado nesses freezers foi apreendido, totalizando 1,2 tonelada de pizzas, lasanhas, nuggets e carnes, dentre outros.

Já durante a tarde, os agentes, acompanhados pelo promotor de Justiça de Santa Cruz do Sul, Érico Barin, visitaram o Supermercado Imec. No local foram descobertas irregularidades no estoque, que estava com o Plano de Proteção Contra Incêndio (PPCI) vencido. O prédio do estoque foi considerado insalubre e acabou interditado em razão da presença de mofo e goteiras. Cerca de 350 quilos de hortigranjeiros que estavam no local foram apreendidos. Para voltar a ser utilizado, o estoque deve passar por reformas. No mercado nenhum problema foi encontrado. A Gazeta do Sul tentou contato com as assessorias de comunicação do Big e do Imec, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Também participaram da operação as vigilâncias sanitárias Municipal e Estadual, Secretaria Estadual de Agricultura e Programa Estadual de Defesa do Consumidor.

Mercado interditado

Foto: Fernanda Szczecinski/Gazeta do Sul

 

O caso mais grave de irregularidade sanitária foi encontrado na tarde de ontem no Bairro Faxinal Menino Deus, onde o mercado Soder precisou ser interditado. O estabelecimento, que fica na Rua Dona Carlota, teve mais de uma tonelada de alimentos impróprios para o consumo recolhidos. Segundo o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) - Segurança Alimentar, Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, entre os problemas constatados estavam produtos fora da data de validade, mal acondicionados e em péssimas condições de higiene.

“Visitamos mais de cem lugares no Estado recentemente, e esse deve ter sido o pior de todos, em termos de higiene”, comentou. Tanto na área da padaria quanto do açougue os fiscais encontraram lixo e objetos que não poderiam ser armazenados nesses ambientes, como caixas de papelão, máquinas velhas e peças de maquinários. A câmara fria armazenava carnes vencidas há dois anos e estava completamente suja.

Ainda segundo o Gaeco, nenhuma das carnes à venda possuía nota fiscal. Na padaria, havia insumos fora da validade e todos os produtos produzidos recentemente tiveram que ser descartados. Nas prateleiras do mercado os agentes também encontraram produtos vencidos e mofados. Alimentos que deveriam ser mantidos a 18 graus negativos estavam em freezers com temperatura de 4 graus. Sacolas com lixo – inclusive do banheiro – estavam próximas do local onde os alimentos eram estocados. O banheiro dos funcionários apresentava péssimas condições de higiene e não possuía porta. Na parte dos fundos do estabelecimento, onde fica o banheiro, havia caixas, sacolas de lixo e frutas e verduras estragadas.

O que diz a gerência

A administradora do mercado Soder, Jéssica Soder, alegou que os produtos vencidos, inclusive carnes, não estavam à venda. Jéssica afirmou também que não tinha conhecimento de que os equipamentos velhos não podiam ser armazenados dentro da padaria. Segundo ela, o estabelecimento vai seguir todas as orientações do Ministério Público e da Vigilância Sanitária para que tudo fique dentro das normas. O mercado – que não tinha alvará da Vigilância Sanitária – foi interditado e agora deve passar por limpeza e reorganização. Após as medidas, uma nova vistoria deve ser solicitada à Vigilância.