Saúde 26/04/2019 22h07 Atualizado às 22h23

Família reclama de negligência médica após aposentada sofrer derrame

Dorvalina Jurema Alves, de 62 anos, começou a sentir dores no sábado e procurou o Pronto-Atendimento

Após procurar atendimento médico pelo menos cinco vezes desde o último sábado, 20, a família da aposentada Dorvalina Jurema Alves, de 62 anos, reclama de negligência médica no sistema de saúde pública em Santa Cruz do Sul. A mulher sofreu um derrame e está internada na UTI do Hospital de Caridade e Beneficência, de Cachoeira do Sul. De acordo com a filha, Jamile Teixeira, de 27 anos, a mãe passou por cirurgia nesta sexta-feira, 26, e o estado de saúde é grave. 

Jamile conta que, no sábado, levou à mãe ao Pronto-Atendimento (PA) do Hospital Santa Cruz, porque a mulher se queixava de dores. "Como ela vomitou lá, o médico disse que era problema no fígado. Fomos para casa e ela já sentia a perna dormente e muita dor na cabeça."

Com a continuidade dos sintomas, na segunda-feira, a jovem levou a mãe novamente ao PA. "Uma outra médica diagnosticou com sinusite", diz Jamile. Após solicitar à médica exames, teria sido informada de que o pedido precisaria ser feito em um posto de saúde. 

Dorvalina conseguiu uma consulta na terça-feira à tarde, no posto de saúde do Bairro Margarida, onde recebeu as requisições para uma tomografia. Jamile levou a mãe na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Bairro Esmeralda para realizar os testes, mas foi liberada após o resultado. "Ela fez uma tomografia e o médico disse que não apareceu nada."

Já na quinta pela manhã, com a dor intensa da aposentada, a irmã de Dorvalina a levou ao posto de saúde do Margarida. Lá, teria sido informada de que só poderia ser atendida e medicada no começo da tarde. Diante disso, Dorvalina foi encaminhada pela família, novamente ao PA, onde o derrame teria sido diagnosticado. "Foi negligência do PA, duas vezes, e uma do posto Margarida. O médico em Cachoeira disse que se na primeira vez que procurou atendimento tivesse sido tratada, não estaria nesse estado", desabafa Jamile. 

Como foi

  • Sábado: foi para o PA e o médico teria avaliado como problema no fígado.
  • Segunda-feira: continuava com a dor e foi novamente ao PA, onde outra médica teria diagnosticado com sinusite.
  • Terça-feira: à tarde, consultou no posto de saúde do Margarida e conseguiu a requisição para exames. Depois, fez os exames na UPA do Bairro Esmeralda, mas foi liberada. "Ela fez uma tomografia e o médico disse que não apareceu nada", conta Jamile.
  • Quinta-feira: diante de uma forte dor de cabeça de Dorvalina, a família procurou atendimento no posto de saúde do Bairro Margarida ainda pela manhã. No local, teria sido informada que só poderia ser atendida e medicada às 13h30. "Minha tia pediu que chamassem uma ambulância para levá-la ao PA e responderam que não poderiam chamar", conta a filha. Dorvalina foi levada pela família ao PA novamente, com os exames em mãos, e no local, o médico teria constatado o derrame cerebral. 

 

O outro lado

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que foi aberto um processo administrativo para apurar os fatos relacionados ao atendimento no posto Margarida. "Isso foi feito hoje pela manhã. Hoje à tarde estive no ESF Margarida ouvindo os funcionários e buscando entender o que aconteceu. Nossa prioridade é e sempre será garantir o atendimento digno a quem precisa. Confio nos nossos servidores", disse o secretário Régis de Oliveira Junior.

De acordo com ele, o caso será apurado com rigor, para identicar as "possíveis falhas e corrigir o procedimento". "Mas antes de julgar ou apontar culpados, é preciso averiguar tudo. Estamos muito preocupados com a situação porque envolve uma vida em risco, por isso posso garantir que haverá rigor na investigação do caso."

POSTO MARGARIDA 

No caso ocorrido no Posto da Margarida, tomamos conhecimento pelas redes sociais na noite de ontem, quinta-feira, e determinei aos funcionários da Secretaria de Saúde a abertura de um processo administrativo para apurar os fatos. Isso foi feito hoje pela manhã. Hoje à tarde estive no ESF Margarida ouvindo os funcionários e buscando entender o que aconteceu. Nossa prioridade é e sempre será garantir o atendimento digno a quem precisa. Confio nos nossos servidores. Eles atendem diariamente 1.300 pessoas. São aproximadamente 33.000 por mês. E cada um desses atendimentos importa. Vamos apurar com rigor esse caso, identificar as possíveis falhas e corrigir o procedimento. Mas antes de julgar ou apontar culpados, é preciso averiguar tudo. Estamos muito preocupados com a situação porque envolve uma vida em risco, por isso posso garantir que haverá rigor na investigação do caso. Também vamos solicitar informações aos Hospitais Santa Cruz (Pronto Atendimento-PA) e Ana Nery (UPA) sobre os atendimentos da paciente nas unidades de saúde. 

Estamos fazendo todos os esforços para garantir o atendimento adequado, mas sabemos das fragilidades. Por isso muitas medidas já foram adotadas como Portas Abertas e expansão de horários em algumas Unidades de Saúde, há projetos tramitando na Câmara de Vereadores para serem aprovados como por exemplo: incentivo para residência médica em Saúde da Família e processo seletivo para contratação de médicos.

Régis de Oliveira Júnior

A assessoria do HSC informou que "a direção do Hospital Santa Cruz irá investigar o que ocorreu junto às equipes envolvidas para poder se manifestar sobre o assunto e tomar as providências necessárias."