Educação 22/10/2019 14h25

Premiados os vencedores do Minha História dá um Filme

Os três primeiros colocados e as professoras foram homenageados

Na manhã desta terça-feira, 22, durante o 2° Festival Santa Cruz de Cinema, que ocorre nesta semana, foram premiados os três vencedores do concurso Minha História dá um Filme, parceria entre a Secretaria de Educação de Santa Cruz do Sul e da A4 – Agência Experimental dos Cursos de Comunicação Social da Unisc. Nesta segunda edição, a iniciativa recebeu 44 histórias produzidas por alunos do 8° e do 9° ano do Ensino Fundamental da rede municipal de Santa Cruz.

O primeiro lugar virou um filme exibido no festival. O vencedor foi o aluno Eduardo Flores, 15 anos, da Escola Municipal Duque de Caxias. Com a ajuda de sua pedagoga e da mãe, Eduardo escreveu o texto Um jeito artista de ser: o autismo além de quatro paredes, onde fala sobre seu jeito, sua família, seu dia a dia e relata alguns momentos marcantes da vida e a dificuldade de ser autista. Também foram premiados, os alunos Esmael Henrique Bublitz, 15 anos, do 9º ano da Escola Municipal Cardeal Leme, que tirou o segundo lugar, e Werick de Azevedo Vieira, 14 anos, do 8º ano da Guilherme Hildebrand, em terceiro lugar.

A reitora da Unisc, professora Carmen Lúcia de Lima Helfer, enfatizou a importância dessa parceria de dois anos entre a instituição de ensino e o município, mostrando histórias que viram filmes. “É um circuito importante para a cidade, o segundo maior do Estado, atrás apenas de Gramado, mas que está crescendo a cada ano”, disse.

Dudu teve apoio da mãe e da professora para escrever
Por João Cleber Caramez
joao.caramez@gaz.com.br

A mãe Ane Diana Arruda Martins relata que Dudu chegou em casa com a tarefa e apenas disse que a sua história daria um filme. Ele foi para o quarto e escreveu, mas não mostrou à mãe. Ane foi instigada a procurar o texto após falar com a professora de Português, Adriana Kist. “Ele realmente tinha escrito a história dele, somente com algumas datas e informações que não batiam. Foi engraçado e emocionante. Comecei a imaginar com seriam as imagens”, contou. Ane explica que evitou criar expectativas em Dudu. “Lidar com a frustração é difícil para ele. Mas agora o sonho foi realizado, está muito feliz”, completou.

A professora Adriana diz que a motivação cresceu na escola pelo fato de um aluno ter ficado em segundo lugar no ano passado. Ao assistir ao curta vencedor da primeira edição, lembrou que Eduardo teria uma história cativante para contar. Ela orientou Dudu na lapidação do texto até a versão final. “O Eduardo não vê maldade em nada. É uma das coisas que mais me chamou atenção. Ele considera que todos são amigos. Os colegas fizeram descrições dele e me surpreendi com várias coisas. O monitor também escreveu sobre ele. Esses depoimentos fizeram parte do texto”, explica.

Adriana observa que Dudu não consegue separar a ficção da realidade. Como gosta muito do Faustão, vive repetindo falas do apresentador. Fã do seriado Drake & Josh, Dudu tinha Josh como um amigo imaginário. Ele levava uma foto do personagem para a escola e separava uma cadeira e uma mesa para Josh. Dudu começou a fazer vídeos e postar na internet. “Com os vídeos, foi possível entender melhor o que se passa na cabeça dele. O Dudu consegue expressar as coisas que está sentindo, mas o pensamento dele é muito acelerado, logo muda de assunto”, analisou. O barulho excessivo e a mudança de rotina são elementos que o desorientam, deixando-o disperso. “A turma é muito integrada com ele. Os colegas são compreensíveis e conhecem o Eduardo. Quando alguém está falando muito alto, outro já chama a atenção em razão da sensibilidade auditiva do Dudu. É bonito de ver.”


Entenda
As inscrições para o concurso Minha história dá um filme são gratuitas. A narrativa deve ter de uma a três páginas, no gênero textual Memórias. Participam do concurso até cinco textos por escola e a seleção é feita pela própria instituição.

Os critérios para elaboração dos textos são: adequação ao tema proposto; originalidade e criatividade; coesão; clareza e concisão na exposição; e ineditismo. O julgamento final é realizado por uma comissão de bolsistas do Núcleo de Produção em Mídia Audiovisual da A4. O vencedor tem sua produção transformada em conteúdo audiovisual.

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