SAÚDE 22/03/2020 14h23 Atualizado às 16h25

Pesquisa alerta para riscos do mau uso de suplementos alimentares

Estudo de mestranda da Unisc mostra que muitos frequentadores de academias consomem produtos sem buscar orientação

Uma mestranda da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) realizou pesquisa sobre os efeitos dos suplementos alimentares para a saúde. Os resultados foram apresentados junto com a dissertação da nutricionista Diene da Silva Schlickmann no fim do mês passado. O estudo foi realizado com 594 frequentadores de 31 academias de Santa Cruz do Sul e os resultados da pesquisa demonstraram diferenças no perfil da prática de exercícios físicos de homens e mulheres e os riscos à saúde do consumo das substâncias sem orientação.

O estudo Uso de Suplementos alimentares na prática esportiva em academias: efeitos sobre a composição corporal, danos renal e hepático, acidose sanguínea, citotoxicidade e estabilidade genômica foi realizado por meio do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde – Mestrado e Doutorado (PPGPS), em parceria com o Laboratório de Nutrição Experimental do curso de Nutrição. A banca contou com a presença dos professores Silvia Isabel Rech Franke (orientadora), Jane Dagmar Pollo Renner (coorientadora), Cézane Priscila Reuter (Unisc) e Carlos Ricardo Maneck Malfatti (Universidade Estadual Centro Oeste do Paraná).

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A pesquisadora constatou uma elevada prevalência no consumo de suplementos alimentares pelos homens. Os mais consumidos por ambos os sexos foram Whey protein, Creatina e BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada). Dentre as modalidades mais praticadas nas academias de ginástica de Santa Cruz do Sul se destacou a musculação.

“A ideia da pesquisa surgiu da necessidade de investigar essa questão dos suplementos, já que o Brasil é o segundo país do mundo em número de academias. Muitas pessoas que vão geralmente consomem suplementos que fazem mudanças na composição corporal”, explicou Diene. Ela conta que existe um desequilíbrio na dieta com o suplemento, podendo causar uma sobrecarga de proteína.

O fato que mais chamou a atenção foi a autossuplementação pelos praticantes de academias do sexo masculino e a maior prevalência de alterações nos marcadores bioquímicos da função hepática e renal entre os homens. “Somos o terceiro maior mercado de suplementos alimentares no mundo. Chegamos à conclusão que os homens apresentavam essas alterações em comparação com as mulheres.”

Conforme Diene, a maioria das mulheres que fazia uso de suplementos buscava orientação profissional com nutricionista ou médico antes de consumir as substâncias. Já a maioria dos homens usa os produtos sem orientação profissional, só com buscas feitas na internet. A maioria também toma cerca de quatro a cinco tipos diferentes de suplementos, fazendo combinações.

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Perigo aos rins e fígado
O estudo ressalta a importância da orientação e da prescrição de um profissional capacitado para o consumo de suplementos alimentares entre praticantes de academias, a fim de evitar e minimizar o possível comprometimento de fígado e rins. “Precisamos chamar a atenção para isso, porque pode causar lesões renais e hepáticas. Antes de usar é preciso fazer exames para conferir se você precisa mesmo desse suplemento.

A maioria dos consumidores é de jovens entre 18 e 30 anos, que já apresentam alterações, mas os danos vão aparecer quando eles chegarem aos 50 anos”, alerta. Para a pesquisadora é preciso conscientizar a população a respeito do uso correto. Há, inclusive, uma preocupação de especialistas, que temem um surto de hemodiálises nos próximos anos.

Diene pretende continuar a pesquisa durante o doutorado, comparando os resultados do Brasil com uma coleta de dados feita na Espanha entre maio e junho do ano passado. “Repliquei a pesquisa em Madri e vou realizar um comparativo. Ainda há danos para analisar a respeito da composição corporal e avaliação de dieta, e vamos fazer mais coletas nas academias.” A nutricionista espera que o estudo ajude o público a fazer um consumo mais consciente, buscando ajuda com profissionais. Ela também pretende publicar a pesquisa futuramente.

Consumo de álcool
O estudo ainda realizou uma descrição da população do município em relação à prática de exercícios. A maioria dos frequentadores das academias tem alto grau de escolaridade e diz buscar saúde e mais condicionamento físico com a prática esportiva. A pesquisa mostrou que 96% opta pela musculação. Os homens realizam exercícios com mais frequência e buscam ganho de massa muscular, já as mulheres procuram mais o emagrecimento. Elas foram a maioria dos participantes, com 55,2%.

Um dos dados que surpreendeu foi a alta ingestão de bebidas alcoólicas. Cerca de 68,5% relatou um consumo alto de álcool, o que prejudica o resultado buscado, por causar atrofia das fibras musculares. Apenas 4,4% disseram não consumir bebidas alcoólicas.

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