Conversa Sentada 21/09/2017 08h58

Entrando na genética animal

No leilão da Expointer comprei o carneiro campeão e 20 fêmeas premiadas. Dois anos depois voltei e, como o Inter, fui campeão de tudo

Dizia que estava louco para entrar no setor e, vou ser franco, me exibir na Expointer. Isso é muito complicado, pois implica controles públicos e privados, com periódicos aferimentos de profissionais das diversas associações de raças. Pois bem, decidi  montar uma cabanha de ovinos da raça Ideal. A vantagem que me convenceu, na ocasião, foi a de que o Ideal é ovino de duplo propósito: carne e lã, ao contrário de algumas outras raças que são só de lã ou só de carne. Me informei quando seriam os leilões da raça na Expointer e lá compareci.

Arrematei o carneiro campeão e dez fêmeas bem classificadas, a começar pela campeã. Não me importei com o alto preço e eu mesmo fui dirigindo meu caminhão cargo, boiadeiro, de volta para a fazenda, com sua carga preciosa. Já tinha construído o alojamento e contratado um técnico agrícola para ser meu cabanheiro. Para resumir, dois anos depois levei um macho e uma fêmea para a Expointer. Nos boxes, coloquei banners com a inscrição Pecuária Gessinger – Unistalda. Todo mundo se entreolhava: quem é esse desconhecido? Onde é Unistalda? O jurado era uruguaio. Meu carneiro ficou em terceiro lugar, mas a borrega Gessinger 2 sagrou-se Grande Campeã Fêmea da raça Ideal. É mole? O pessoal das cidades ovelheiras tradicionais, como Uruguaiana, Bagé e Santa Vitória, ficou completamente surpreso.

Depois de alguns anos me convenci que tinha que mudar para a raça Ile de France. Liquidei meu plantel de Ideal e migrei para o Ile. Mesma coisa: no leilão da Expointer comprei o carneiro campeão e 20 fêmeas premiadas. Dois anos depois voltei e, como o Inter, fui campeão de tudo.

Mas em tudo tem um senão. Os ovinos são muito sensíveis e seu custo de manutenção é elevado. Além disso, nem todos os peões de  estância gostam de lidar com eles.Entenda-se bem que eu continuava com o gado. A cabanha de ovinos era a minha “amante argentina”. O que forrava a guaiaca mesmo era o gado.

Inventei, então, de entrar na genética do gado Brangus e dos cavalos crioulos. Enquanto isso, comecei a sentir o peso das despesas para alimentação e manejo de toda essa diversidade de animais e mercados.

Também vi que estava sendo ineficiente eu mesmo plantando aveia e azevém. Não tinha máquina de plantio direto e outros implementos que custam o olho da cara, nem meu campo possuía vocação para consorciar soja com pecuária.

Resolvi, então, fazer o seguinte: arrendei algumas áreas nossas agricultáveis para o plantador de soja semear e colher, me devolvendo a área semeada e adubada com pastagem de inverno. Mas essas pastagens não eram suficientes para comportar todo o bicharedo.

Foi aí que, mais uma vez, tive que repensar meus métodos e a própria gestão de um empreendimento que se tornara muito grande e cujo controle começava a me fugir das mãos.