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REPORTAGEM ESPECIAL

2026: veja dicas para traçar e conquistar metas no novo ano

Plantio. Essa palavra definiu 2025 para a contadora Laíne Grasel, de 27 anos. Proprietária da Nelaicon Serviços Contábeis, ela afirma que foi um ano em que o empreendedorismo a tirou completamente da zona de conforto, desafiando-a todos os dias. E com as constantes novidades no setor, exigiu da profissional muita adaptação e disciplina. “Mas também foi o ano em que tive coragem de arriscar, compartilhar experiências e, principalmente, me conectar com pessoas incríveis que fizeram parte dessa construção”, admite.

Laíne Grasel, contadora: “Tenho aprendido a respeitar meus limites, organizar melhor meu tempo e criar rotinas que me permitam manter o foco sem abrir mão do bem-estar”

E para prosperar em 2026, Laíne aposta no planejamento, com uma estrutura operacional bem definida, com processos organizados e padronizados, garantindo crescimento e tomada de decisões mais seguras. Para isso, tem como diretriz principal manter todas as ações da empresa registradas, de modo a proporcionar maior controle e previsibilidade, além de facilitar ajustes.

Para continuar a crescer de forma saudável, destaca a necessidade de cuidar da sua saúde. Nesse sentido, busca alinhar metas financeiras com uma gestão consciente à sua rotina e saúde mental. “Tenho aprendido a respeitar meus limites, organizar melhor meu tempo e criar rotinas que me permitam manter o foco sem abrir mão do bem-estar.”

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Entretanto, nem todos conseguem planejar-se, estabelecer metas realistas e alcançar uma estabilidade financeira. E a falta de projeto não afeta apenas o bolso e os objetivos para o ano – tem impactos diretos também na saúde mental.

Para começar 2026 focado em conquistar os sonhos e equilibrar a vida profissional e pessoal sem prejuízos, a Gazeta do Sul conversou com especialistas das áreas econômica e psicológica para trazer dicas aos leitores.

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Arte: Fernando Barros

Planejamento financeiro é o primeiro passo

Para 2026, o psicólogo André Weber de Vargas, de 30 anos, tem como meta concluir a sua pós-graduação enquanto melhora a qualidade de vida. Para isso, tem priorizado a prática de atividades físicas e cuidado com a alimentação, algo que estava negligenciando.

Entretanto, essa não é a única preocupação do profissional, que atualmente realiza a residência. No que diz respeito às metas financeiras, ele e sua companheira elaboraram uma planilha para fazer a gestão do dinheiro. “Tudo que gastamos é lançado nela, porque nós temos o projeto de comprar a nossa casa. Então, todo nosso planejamento passa pela planilha”, afirma.

André Weber de Vargas anota todas as despesas em uma planilha de controle | Foto: Julian Kober

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Conforme os profissionais entrevistados pela Gazeta do Sul, a estratégia de Vargas é fundamental. Especialmente para alcançar as metas e garantir maior equilíbrio financeiro.

A economista Cintia Agostini reitera a necessidade do controle financeiro, observando o quanto se ganha e o quanto é gasto. E isso passa por anotar as despesas de forma recorrente para saber o destino do dinheiro e se está gastando da forma correta ou não, o que pode ser feito no papel, aplicativo ou planilha.

“É ali que vou fazer as descobertas, pequenas e grandes, de onde estou gastando meu dinheiro e onde posso economizar. Porque podemos acabar gastando muito em coisas diversas que são supérfluas e poderia ter economizado para algo que eu queria comprar”, afirma a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) e vice-reitora da Universidade do Vale do Taquari (Univates). 

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Dorivaldo Brites, coordenador do curso de Administração da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), evidencia a necessidade de organizar as despesas em uma planilha, para evitar esquecimento e visualizando melhor o impacto de cada conta. Isso, segundo ele, evita o efeito da “bola de neve”. O planejamento também contribui para quem deseja viajar nas férias. “Se for viajar, faça um orçamento detalhado, considerando os principais gastos (transporte, hospedagem…). Reservar valor mensalmente para isso é uma boa ideia”, aconselha.

Para os especialistas, o planejamento envolve não apenas o controle dos gastos, mas a maneira como se gasta. Nesse sentido, enfatizam a importância de evitar o pagamento de juros. E o parcelamento, segundo Brittes, deve ser realizado somente nas situações em que não há acréscimos ou na ausência de desconto para pagamento à vista.

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Na avaliação de Cintia, o pagamento em parcelas deve ser evitado sempre que possível, sobretudo em gastos de menor valor, porque cartão de crédito, cheque especial e carnê têm juros embutidos de alto custo. Assim, ela recomenda poupar dinheiro por dois ou três meses para comprar à vista. “Temos que ter muito cuidado quando olhamos para a nossa vida financeira. É o nosso dinheiro, é o nosso esforço de cada dia, nosso salário e nossa renda.”

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Cuidado com as contas de todo o início de ano

O ano começa com a chegada de despesas obrigatórias para os proprietários de imóveis e veículos, incluindo o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Os profissionais ouvidos pela Gazeta do Sul recomendam o pagamento à vista dos tributos, cujos prazos encerraram-se recentemente. “Sabemos que todo ano essas contas vêm. Elas são recorrentes”, diz Cintia Agostini.

O coordenador do curso de Administração da Unisc, Dorivaldo Brites, alerta que essas despesas de início de ano são aquelas sazonais que podem desequilibrar o orçamento. Isso inclui não só o IPTU e o IPVA, mas também as matrículas escolares, seguros e demais.

“Planejar o pagamento ao longo do ano anterior é sempre interessante. Se os recursos do 13º forem suficientes para esses gastos também, é melhor usá-lo. A melhor forma de pagamento tende a ser à vista, com recursos do 13º salário”, frisa.

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Conforme os especialistas, o recurso extra que os trabalhadores recebem no fim de ano é indicado para pagar as contas atrasadas e demais débitos pendentes. “Caso contrário, fico com dívidas que vão se sobressaindo e fazem mais despesas, dificultando sair dessa situação”, alerta Cintia.

Entretanto, a economista aponta o fato de que grande parte da população não consegue ter dinheiro para guardar, de modo que a maioria tem o suficiente para dar conta das despesas rotineiras. Diante disso, ela reitera a necessidade de poupar um pouco onde puder, permitindo pagar as contas à vista. “Conseguir ter uma programação ao longo do ano é fundamental para fazer tudo o que se quer. Ter férias, comemorar as festas e pagar essas coisas antecipadas, só se eu consigo fazer essa programação ao longo do tempo.”

Como planejar sem adoecer no caminho

A psicóloga Gisele Maria Severo, colunista da Gazeta do Sul, lembra que o início de um novo ano traz consigo uma sensação coletiva de recomeço. Metas são estabelecidas e planos são traçados, enquanto se renova a esperança de que “agora vai”. Todavia, segundo Gisele, passados alguns meses, muitas pessoas acabam se sentindo frustradas, desmotivadas e emocionalmente sobrecarregadas. “Do ponto de vista psicológico, isso não acontece por falta de vontade, mas por excesso de expectativas e pouco cuidado com a saúde mental ao longo do processo.”

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Segundo ela, as frustrações ocorrem por erros comuns, como planejar demais e executar pouco, ignorar limites emocionais, não prever imprevistos e basear decisões apenas no entusiasmo inicial. Outro equívoco é copiar metas alheias e sem levar em consideração a própria realidade financeira e profissional. Para quem deseja estabelecer metas realistas para 2026, a especialista recomenda começar pelo autoconhecimento.

Psicóloga Gisele Maria Severo fala sobre metas para o ano

Conforme Gisele, é necessário levar em conta o momento de vida, as condições financeiras e emocionais e o nível de energia disponível. “Planejar não é exigir mais de si, mas organizar o possível. Metas muito amplas ou desconectadas da realidade tendem a gerar ansiedade e abandono precoce.”

A psicóloga aconselha a dividir grandes objetivos em pequenas ações concretas e mensuráveis. Isso porque, segundo ela, o cérebro responde melhor ao progresso visível do que a promessas grandiosas. “Celebrar pequenos avanços aumenta a sensação de competência e fortalece a continuidade.” Para aumentar as chances de concretização, Gisele considera essencial alinhar metas a valores pessoais. Quando o objetivo faz sentido emocional, deixa de ser apenas uma obrigação e passa a ter propósito.

A psicóloga ressalta que a frustração não é sinal de fracasso, mas um componente natural de qualquer processo de mudança. E quando ela surge, o mais saudável é acolhê-la, revisar os planos e ajustar o ritmo. “O problema surge quando se espera constância perfeita, motivação inabalável e resultados rápidos. Essas expectativas irreais criam sofrimento desnecessário.”

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Dicas

Para começar 2026 com equilíbrio, considere as seguintes recomendações feitas por Dorivaldo Brites:

  • Tenha metas financeiras realistas: não adianta querer guardar metade do salário se isso não cabe no seu orçamento. Comece pequeno e aumente aos poucos.
  • Monitore seus gastos: use aplicativos ou planilhas para acompanhar cada centavo. Isso ajuda a identificar desperdícios e oportunidades de economia.
  • Estabeleça prioridades: dê foco ao que realmente importa e evite compras por impulso.
  • Pratique o consumo consciente: Antes de comprar, pergunte: “Eu realmente preciso disso?”.
  • O equilíbrio financeiro não depende de grandes salários, mas de escolhas inteligentes e consistentes ao longo do tempo.

Evite!

O coordenador do curso de Administração da Unisc, Dorivaldo Brites, menciona os erros mais comuns que fazem toda a diferença na saúde financeira. Evite:

  • Não fazer um orçamento: ignorar o planejamento é o primeiro passo para perder o controle das finanças.

  • Subestimar despesas: muitas pessoas esquecem de incluir gastos sazonais e acabam se endividando.

  • Adiar pagamentos: deixar contas para depois pode gerar juros e multas, além de aumentar o estresse.

  • Usar o 13º salário apenas para consumo: o ideal é reservar parte desse valor para as contas de início de ano ou para criar uma reserva financeira.

  • Não buscar alternativas de economia: às vezes, trocar marcas, negociar descontos ou repensar hábitos pode gerar uma boa economia.


Para saber

A Regra do Bolso (50-30-20)
Ideal para organizar o orçamento mensal.

  • 50% – Necessidades básicas: aluguel, contas fixas, alimentação e saúde.
  • 30% – Desejos pessoais: lazer, jantares e pequenos prazeres.
  • 20% – Futuro e sonhos: quitação de dívidas e investimentos para suas metas de 2026.

O Guia da Meta Real (Método SMART)
Para transformar promessas em planos concretos.

  • S (Específica): defina exatamente o que quer (ex: “Viagem para a Serra”).
  • M (Mensurável): determine o custo (ex: “R$ 2.000,00”).
  • A (Atingível): avalie se cabe no bolso (ex: “R$ 170/mês”).
  • R (Relevante): entenda o motivo (ex: “descanso familiar”).
  • T (Temporal): coloque um prazo (ex: “Até dezembro/2026”).

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