A Gazeta do Sul completou 81 anos de existência na semana passada e, particularmente, já cheguei a 51 anos de participação na sua trajetória. Dessa forma, venho sendo o colaborador que por mais tempo tem ligação com este tão tradicional e conceituado veículo de comunicação, que já há muitos anos também se transformou em grupo de empreendimentos na área, incorporando jornais, rádios, portal, editora, fundação cultural.
Nestas horas, é natural que venha à lembrança muito do que já se fez e viveu nesse longo período de jornalismo na Gazeta. Dentro de sua característica de integração comunitária, reforçada no slogan dos 80 anos – “Relevante, regional, essencial, de verdade”, entre tantas ações e iniciativas da empresa onde foi possível participar diretamente, um fato recente me fez recordar do Programa/Concurso de Hortas Escolares, no início dos anos de 1980, que teve muito boa repercussão.
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A promoção da Gazeta, com apoio da Emater-RS, Conselho Municipal de Clubes 4-S, Secretarias Municipais da Agricultura e Educação e Cultura, 6ª Delegacia Regional da Educação e patrocínio da empresa Souza Cruz, teve foco inicial no município (então ainda maior, e depois se estendendo aos vizinhos) e visava “elevar o padrão nutricional da população”, a partir de melhor alimentação escolar. As escolas inscritas envolviam os alunos na formação de hortas e o uso dos seus produtos na merenda escolar, além de as melhores (também as redações) receberem premiações.
Buscava-se também o envolvimento comunitário (escola-família-comunidade) e a ampla divulgação sobre o tema repercutiu em maior valorização do consumo de verduras, assim que auxiliou a motivar na mesma época o início das feiras rurais com produção local. Em paralelo, a Gazeta do Sul abriu mais espaços para a cobertura jornalística do setor produtor, com a Gazeta Rural. O suplemento ficou ao meu encargo e fez muito sucesso, numa linha de ação que conduziu mais tarde à criação da Editora Gazeta, voltada sobretudo aos exitosos Anuários Brasileiros do Agronegócio, a partir do tabaco, segmento a que ora me dedico e que ampliou a abrangência do grupo ao âmbito nacional e internacional.
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Pois, recentemente, uma professora rio-pardense (hoje residente em Santa Cruz), que participou de atividades do projeto das hortas, encontrou-me no centro da cidade e exclamou, em alto (muito alto) e bom som, que até me assustou: “Que bom que te vejo, você não sabe que alívio e que alegria!”. Não entendendo tamanho entusiasmo, logo perguntei: – Mas o que houve para receber uma manifestação tão exultante?. E ela, tomando um ar, procurou explicar: – É que estes dias passei em rua com o teu nome e fiquei triste ao pensar que talvez já não estivesses mais entre nós. E agora te vejo aqui firme e forte, caminhando. Que coisa boa! Mas, como tu já tens nome de rua?
Aí chegou minha vez de desfazer a confusão: “A denominação da via pública (acesso à AABB) homenageia outra pessoa, que também foi vereador e tem a mesma grafia, apenas com o nome intermediário diferente: ele “João” e eu “Bernardo”. Ele, já falecido, e eu, mais novo e bem vivinho, como podes ver, e assim espero continuar por muito tempo, como a Gazeta, pela qual nos conhecemos”. Foi um momento marcante, das relações que a atividade jornalística enseja e da relevância que mantém, ao interligar as pessoas e os fatos para a história, feita de plena vida, a todo dia.
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