Uma movimentação incomum na manhã dessa terça-feira, 3, mudou a rotina de Boqueirão do Leão. Diversas viaturas da Polícia Civil, Brigada Militar e Polícia Penal estiveram no município durante a chamada Operação Extorsor. O objetivo foi desarticular ações de integrantes de uma organização criminosa de Porto Alegre que tem causado problemas para a comunidade de pouco mais de 6 mil habitantes nos altos da Serra, na divisa entre os vales do Rio Pardo e Taquari.
Conforme os investigadores, o grupo criminoso instalou-se no município em 2022 com a prática do tráfico de drogas e, há um ano, passou a realizar crimes de extorsão. O delegado regional Jader Duarte, que responde pela delegacia de Boqueirão do Leão, disse que pessoas da comunidade estavam contratando integrantes da organização para cobrar pendências financeiras.
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“Alguns moradores passaram a gostar do serviço prestado pela facção e começaram a usá-los para cobrarem dívidas usando como método a ameaça e violência. Isso é perigoso, e criou-se uma situação de temor em toda a cidade”, afirmou. Pelo menos dez casos chegaram à DP de Boqueirão e há registros feitos de forma online e na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Venâncio Aires.
Liderada pelos delegados Jader Duarte e Paulo Schirrmann, titular da delegacia de Venâncio, e acompanhada pelo promotor Pedro Rui da Fontoura Porto, também de Venâncio, e pelo comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, Cristiano Marconatto, a operação iniciou-se por volta das 6 horas com policiais espalhados pela cidade.
Os agentes cumpriram 21 medidas cautelares – seis mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. As diligências ocorreram em imóveis utilizados como pontos de tráfico e armazenamento de drogas, incluindo uma chácara vinculada ao grupo investigado.
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Três pessoas foram presas em flagrante e quatro de forma preventiva. Também foram cumpridos mandados que resultaram na apreensão de dois celulares que estavam nas celas de dois alvos da investigação, atualmente em penitenciárias de Arroio dos Ratos e Charqueadas. Os presos em Boqueirão do Leão foram encaminhados à Penitenciária Estadual de Venâncio Aires.
Para saber
Os agentes apreenderam 16 aparelhos celulares, sendo 13 pela delegacia de Boqueirão do Leão e três pela DPPA de Venâncio. Os equipamentos serão analisados pela perícia técnica. Também foram localizados 38 cartuchos de calibre 38, porções de cocaína, maconha, dinheiro, balanças de precisão e anotações para o tráfico. Essa foi a maior operação já realizada em Boqueirão do Leão com cumprimentos de mandados de prisão e de busca e apreensão. A última ação contra a mesma facção havia ocorrido em 2024.
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Ações de combate ao crime serão mantidas
O comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, Cristiano Marconatto, avaliou o resultado da ação de forma positiva. Segundo ele, o objetivo foi retirar indivíduos faccionados que estavam causando temor na população. “É certo que a ação das forças de segurança não acabam aqui. A comunidade terá de volta a paz e a tranquilidade tão características de Boqueirão do Leão.” Acrescentou que as forças de segurança continuarão atuando na região enquanto houver práticas ilícitas.
O promotor Pedro Rui da Fontoura Porto, do Ministério Público de Venâncio Aires, salientou que a ofensiva visou combater os casos de extorsão com cobranças abusivas de dívidas mediante violência ou grave ameaça. “É um problema que vem ocorrendo nos municípios pequenos, e em Boqueirão do Leão estava tomando proporções incomuns. A atuação da polícia foi eficaz em uma ação onde não houve nenhum tipo de violência”, frisou.
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Porto salientou que os membros da facção estão ampliando sua área de atuação, além do tráfico. “Nesse caso eles ingressavam na comunidade através da cobrança de dívidas com violência, e a atuação da polícia foi para coibir e evitar a propagação desse tipo de crime.”
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“Era pagar ou morrer”, afirma delegado
O delegado Jader Ribeiro Duarte observou que a facção é de Porto Alegre e está instalada em Boqueirão do Leão há quatro anos. Há cerca de um ano, os integrantes começaram a ser contratados por pessoas da comunidade para cobrarem dívidas.
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“Essas pessoas recebiam os valores devidos mediante ameaça. Era pagar ou morrer. Assim que eles diziam”, comentou o delegado. De acordo com Duarte, os criminosos usavam o caso de uma mulher que possuía uma dívida e foi morta recentemente em Progresso, no Vale do Taquari, como forma de ameaça para coagir as vítimas a pagarem os valores.
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Duarte alerta que pessoas que contratam bandidos para prestar serviços também estão cometendo um crime como coautoras. “Ele é partícipe por ter a iniciativa e fica na mão da facção para sempre. Como ele cometeu um crime em conjunto com o faccionado, torna-se um arquivo vivo e o criminoso vai cobrá-lo de forma permanente”, salientou.
O delegado irá ouvir moradores que tiveram contato com os faccionados e pede que eles colaborem com as investigações. “Espero que a comunidade de Boqueirão do Leão procure a Polícia Civil. Todos terão proteção para colaborar com a polícia. Queremos extirpar essa facção que estava causando terror e vamos trabalhar para trazer novamente a normalidade e tranquilidade aos moradores do município”, afirmou.
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