O Rio Grande do Sul terminou 2025 com saldo positivo de 46.277 novos contratos formais de trabalho. Isso quer dizer que o número de admissões superou o de demissões. Em Santa Cruz do Sul, os dados apontados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também mostram evolução. Foram 196 vagas abertas. Mas entre as demissões, o que levou ao encerramento desses contratos?
Levando em consideração o levantamento divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) apurou que 41% dos 1.573.789 desligamentos foram por iniciativa do trabalhador, quando ele pede para sair do emprego. No levantamento do órgão gaúcho, em seguida aparece a demissão sem justa causa, 38,1%; por término de contrato com prazo determinado, 17,9%; com justa causa, 1,8%; e por acordo, 1%.
Entre os que pedem para sair de seus trabalhos, afirma o sociólogo da FGTAS, Juliano Florczak Almeida, o MTE fez estudo em 2024 e constatou que boa parte tem em vista outro ponto para se alocar com a carteira assinada. “Existem alguns fatores que motivam essa decisão, como a carga horária menor ou mais flexível e salário maior”, exemplifica.
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Esse fato se dá pelo momento vivido no mercado de trabalho, que tem baixa taxa de desocupação. Há muitas vagas e um número não tão elevado de pessoas querendo emprego. “Há, nesse contexto, um espaço para buscar oportunidades melhores, com ambiente favorável, jornada de trabalho que julgue adequada para ficar mais com a família e salário”, acrescenta Almeida.
Mulheres representam a maioria
Em Santa Cruz do Sul, o número de mulheres desligadas superou o de homens. Foram 19.219 e 17.995, respectivamente. Ao desenhar o perfil dos que pedem seu desligamento, a FGTAS detectou que a maior parte é feminina. Do total de 638.154, em todo o Estado, foram 316.462 homens e 321.692 mulheres.
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Juliano Florczak Almeida explica os principais motivos para essa questão de gênero ter aparecido com mais evidência. As mulheres, observa, ainda são as que mais assumem a responsabilidade pelo cuidado das casas, dos filhos e pessoas idosas das famílias, o que lhes toma mais tempo. Isso faz com que busquem um trabalho com carga horária mais reduzida ou mais flexível.
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Outro fator é o geracional. Os mais jovens costumam deixar o emprego quando percebem que aquele não é o seu espaço. “Experimentam diferentes opções até chegar ao que mais se encaixa”, comenta Almeida.
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Os números elencados pela FGTAS mostram isso: 29% das demissões a pedido do trabalhador são de pessoas entre 18 e 24 anos; 25% de 30 a 39 anos; e 18% na faixa de 25 a 29 anos.
Quanto à escolaridade há uma situação peculiar, porque pode ser associada à classe econômica: quanto maior a escolaridade, maior costuma ser a renda. Em relação às demissões, 54% possuíam Ensino Médio completo; 8% Superior completo; e 9% Fundamental completo.

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Com relação ao setor econômico que mais apresentou pedidos de demissões, o de serviços lidera, tanto no ponto de vista absoluto quanto proporcional, com 38%.
Em seguida vem o comércio, com 29%. A carga horária desse setor é apontada como um dificultador para manter o profissional. Os supermercados, por exemplo, ficam abertos até 22 horas e, nos grandes centros, sete dias por semana. “O segmento está com dificuldade para contratar, porque as pessoas querem mais tempo para ficar com a família. Além disso, é uma área que costuma ter remuneração dentro da média, não acima”, aponta Juliano Almeida.
No entanto, mesmo ampliando a remuneração, há ramos que enfrentam dificuldades para fechar seus quadros funcionais. A construção civil é um deles. O mercado está aquecido, especialmente devido às obras de infraestrutura. Segundo Almeida, existe um apagão de mão de obra, o que faz com que seja ampliado, por exemplo, o salário do pedreiro.
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No primeiro semestre do último ano, a indústria vinha liderando a falta de profissionais, mas a desaceleração dos últimos seis meses fez com que recuasse. Além do fator sazonal, foram identificadas situações como o tarifaço do presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre os produtos brasileiros e a manutenção da elevada taxa de juros no Brasil (15%).
A pressão por metas, o processo hierárquico exarcebado e a cobrança elevada, acredita Almeida, também motivam pedidos de desligamentos. Essas situações levam também a outro problema, que é alertado pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). Recente levantamento mostra um número elevado de casos de trabalhadores com ansiedade, depressão, estresse grave, uso de álcool e síndrome de Burnout, como causa de afastamento temporário ou definitivo.
Os registros do INSS mostram um crescimento acentuado no triênio analisado. Em 2023, foram concedidos 219.850 benefícios. Em 2024, esse número saltou para 367.909 e em 2025, já alcançou 393.670 concessões até novembro. Mesmo sem dezembro, o volume de 2025 é 79% superior a 2023.
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