É provável que algum de nós ou de pessoa próxima já foi vítima de golpe financeiro. Além de lamentar o prejuízo, fica-se com uma pergunta, martelando insistentemente na cabeça: como se deixou levar ou não percebeu a enganação? Segundo o Radar Febraban, 26%, ou seja, quatro em cada dez brasileiros já foram vítimas de golpes financeiros ou tentativas de fraudes.
São golpes aplicados por ligação telefônica, pelo WhatsApp, boleto falso, compra indevida no cartão, compra de produtos de empresas que não existem, investimentos que prometem lucros exorbitantes e até o estelionato sentimental, quando alguém obtém vantagem ilícita a partir de relações de amor. O pior é que os truques usados pelos golpistas são renovados, assim como os recursos tecnológicos utilizados para enganar e fazer com que as pessoas caiam inclusive em golpes bem manjados.
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Todo golpe financeiro tem uma boa história por trás, uma narrativa criada com o intuito de seduzir e enganar. É uma espécie de manipulação psicológica que induz ao erro e tem o nome de engenharia social. Ela costuma ser usada por criminosos virtuais, atentos à vulnerabilidade de suas possíveis vítimas, que de alguma forma se identificam com a história apresentada. Existem vários métodos de usar a engenharia social. De posse do número do telefone, nome e outros dados pessoais, os golpistas ligam de número que espelha o número do banco onde a vítima é cliente.
Apresentando-se como funcionário ou funcionária da instituição bancária, dizem ter constatado acessos na conta ou no cartão de crédito e perguntam se foi a pessoa que fez essas operações. Diante da negativa, dizem que vão providenciar o bloqueio dos acessos indevidos, pedindo a senha da conta ou do cartão. Ao fornecer esses dados, a vítima abre a porta para que os golpistas provoquem estragos financeiros em sua conta e cartão de crédito, fazendo Pix, transferências e compras.
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A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informa que os bancos associados tem investido mais de R$ 3 bilhões por ano em sistemas de tecnologia, focados em segurança, para evitar que seus clientes e os próprios bancos sofram prejuízos financeiros, promovidos por golpistas. O Banco Central, por sua vez, tem trabalhado para criar mecanismos que não só interceptem as tentativas de golpes, mas agilizem a reparação de eventual prejuízo sofrido pelos clientes.
Desde 1º de outubro de 2025, uma medida do Banco Central obriga a todos os bancos participantes do sistema de pagamentos do Pix a disponibilizar aos clientes, em seus aplicativos, uma funcionalidade que permita a contestação fácil de transações fraudulentas, sem necessidade de interação com funcionários do banco para iniciar o pedido.
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Outra medida do Banco Central, já disponível para os bancos desde 23 de novembro de 2025 e que, no início deste mês, dia 2, tornou obrigatórias novas regras do Pix que visam padronizar e buscar mais eficiência no combate a golpes, fraudes e situações de coerção, envolvendo transferências instantâneas, e permitir a recuperação de valores sacados e compras indevidas. Na verdade, trata-se da atualização de um conjunto de regras e procedimentos operacionais – Mecanismo Especial de Devolução (MED) -, criado em 2021 e que as instituições deveriam seguir para devolver o dinheiro ao cliente lesado.
O problema era que a recuperação do valor do Pix, sacado indevidamente da conta do cliente, através de fraude, dependia da existência de saldo na conta bancária do golpista para onde o dinheiro foi transferido. Na prática, entretanto, isso raramente acontecia porque os criminosos costumam repassar o dinheiro para outras contas (geralmente, contas de “laranjas”) , inclusive em outros bancos.
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Com o aprimoramento da ferramenta do MED, o Banco Central visa fortalecer a segurança do sistema Pix porque o caminho do dinheiro poderá ser rastreado. A devolução do dinheiro ao cliente será possível, mesmo após múltiplas transferências porque o sistema passa a acompanhar o percurso dos recursos desviados, inclusive para outros bancos. A ferramenta do MED compartilhará informações com todas as instituições financeiras envolvidas nas transações e permitirá a devolução dos valores em até 11 dias após a contestação.
Além de tornar o sistema Pix mais seguro, o Banco Central espera, também, desestimular a atuação de quadrilhas especializadas em transferências instantâneas e fraudulentas. A dúvida é saber se os bancos participantes vão implementar essas determinações do Bacen. Nesses dias, por exemplo, golpistas entraram na conta de uma cliente da agencia local do Bradesco, tendo efetuado uma transferência de Pix e três compras com o cartão de crédito.
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Embora haja determinação do Banco Central, em vigor desde novembro de 2024, o banco teria que ter bloqueado as movimentações fraudulenta porque estavam fora do padrão usual da cliente. Além de não ter feito isso, o banco não bloqueou as três compras na fatura do cartão, mesmo tendo sido contestadas no respectivo aplicativo, no dia da ocorrência. A fatura do cartão chegou com esses valores fraudulentos, obrigando a cliente a constituir advogado para contestar a dívida.
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