O chamado “golpe do advogado” segue fazendo vítimas e causando transtornos na região. No episódio mais recente, ocorrido na tarde de quarta-feira, em Sobradinho, uma pessoa foi lesada em mais de R$ 50 mil por estelionatários.
A vítima foi contatada pelo WhatsApp por um homem que se passou por seu defensor. O criminoso informou sobre suposta decisão judicial favorável em um processo no qual ela era parte, enviando inclusive uma cópia falsa do documento jurídico para conferir credibilidade à fraude. Durante a conversa, o interlocutor disse que providenciaria a liberação dos valores, mas alegou que não poderia atender chamadas telefônicas por estar em audiência.
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Sob o pretexto de encaminhar dados ao Banco Central (Bacen) para finalizar o pagamento, o golpista pediu informações bancárias e avisou que um suposto responsável pelas liberações confirmaria a titularidade da conta.
Em seguida, outra pessoa realizou uma chamada de vídeo, fingindo ser funcionário do Bacen, e instruiu a vítima a fazer duas transferências via Pix, nos valores de R$ 23,9 mil e R$ 30 mil, para destinatários distintos. Diante da insistência por novos repasses, a vítima desconfiou e denunciou o caso às autoridades.
Criminosos usam inteligência artificial
O crime em Sobradinho é um entre os diversos registros de impostores que utilizam nomes de profissionais da área para enganar clientes. A presidente da subseção da OAB em Santa Cruz do Sul, Manuela Braga, diz que tentativas de fraude são reportadas diariamente. “Inúmeros advogados têm fotos e dados usados por golpistas. Em média, 20 profissionais nos relatam passar por isso todos os dias”, conta.
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Manuela destaca que, embora a maioria das pessoas desconfie, a especialização dos criminosos preocupa. “Eles utilizam inteligência artificial para mudar a voz e simular vídeos. O aprimoramento do golpe torna a situação cada vez mais complexa”, frisou.
A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul (OAB/RS) trabalha para coibir essa prática. “A entidade entrou com ação judicial contra a Meta [empresa responsável pelo WhatsApp e Facebook], e o presidente Leonardo Lamachia levou o tema ao Conselho Federal da OAB para fomentar uma campanha informativa nacional”, explicou Manuela.
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A advogada ressalta que os profissionais também são prejudicados. “Nossas imagens são utilizadas indevidamente. Isso é caso de polícia.” Confirmou que os crimes já são investigados pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, em Porto Alegre.
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Como funciona o golpe
Os fraudadores costumam:
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- enviar mensagens por WhatsApp de números desconhecidos;
- informar que a vítima tem valores a receber em processos judiciais;
- solicitar pagamento antecipado de “custas”, “taxas” ou “alvarás”;
- induzir urgência, alegando que o prazo expira no mesmo dia;
- pedir transferências via Pix para contas de terceiros;
- utilizar áudios e vídeos manipulados com tecnologia de clonagem de voz.
Como se prevenir
- Confirme se o número de contato é o fornecido oficialmente pelo escritório.
- Antes de qualquer pagamento, converse diretamente com o profissional por canais conhecidos.
- Nunca compartilhe a tela do celular.
- Não informe senhas ou códigos de verificação.
- Desconfie de cobranças vinculadas à suposta “liberação de valores judiciais”.
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