Vivemos um tempo onde tudo parece estar passando cada vez mais rápido. Desenvolvemos nossas atividades diárias e num piscar de olhos, as horas passam, de forma impiedosa para todos nós e nem percebemos, tamanha a velocidade. Hoje vivemos a sensação de que tudo está mais rápido, diferente dos anos 80 e 90 (para mim, que sou nascido a partir de 1986), onde parecia que tudo era mais devagar. Na minha infância, vivida nos anos 90, tenho a sensação de que as pessoas viviam mais próximas, as famílias se reuniam praticamente em todos os finais de semana para conversar e compartilhar os mais diversos momentos. As crianças brincavam e corriam na rua e se divertiam das mais diversas formas, se jogava futebol nos campinhos até escurecer. Um tempo bom que não volta mais.
Com o passar dos anos, a evolução da tecnologia e a introdução do celular foi mudando naturalmente a forma da sociedade em se comunicar e viver. Quando criança, eu residia na localidade de Vila Fátima, no interior de Candelária, e me lembro dos antigos telefones rurais com ramal. Na minha casa, nós não tínhamos ramal e dependíamos do vizinho ao lado que possuía. Para se comunicar com minha família, por exemplo, a pessoa tinha que ligar para a antiga central da Vila Fátima, pedir o ramal do vizinho, com a central transferindo a ligação. O vizinho atendia e ia nos chamar. Era uma missão quando tinha ligação.
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Com a chegada do celular, que para minha família ocorreu no final dos anos 90, tudo mudou e passamos a ter a nossa própria comunicação. Eram aqueles celulares grandes, com antena, onde só tinha os contatos. Com o tempo e a evolução da internet, os aparelhos foram se modernizando e hoje ele é indispensável. A vida de cada um de nós está no celular.
Hoje não vivemos sem o aparelho, que aproximou a comunicação. Em segundos, falamos com quem quiser em qualquer lugar do mundo. Porém, o celular vem tomando um tempo precioso das pessoas. Ele oferece tantas facilidades que ficamos conectados na tela e esquecemos que existe um mundo ao redor. Esse comportamento traz junto uma série de problemas físicos como dores no pescoço, tendinite, fadiga ocular e problemas mentais como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e dificuldade de concentração e atenção, além de afetar o convívio social, provocar isolamentos e limitar a criatividade, especialmente em crianças e adolescentes.
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Hoje, vemos que as crianças não brincam mais na rua como antigamente, os campinhos com meninos jogando futebol até escurecer praticamente desapareceram. As famílias, que se procuravam mais antigamente, hoje possuem a facilidade para se comunicar, mas parecem estar mais distantes. É verdade que as mazelas da sociedade, como a violência e as drogas, fazem as pessoas se recolherem por segurança, mas mesmo em casa, as telas dominam.
O tempo é impiedoso com todos e num piscar de olhos, tudo passou e não aproveitamos mais com quem amamos por causa do tempo perdido. Precisamos refletir e não deixar que esse vício social que move a nossa vida determine o nosso tempo e que todos possam viver mais a vida real, compartilhar mais os bons momentos próximos com quem ama e gosta. Precisamos viver mais a vida sem o celular e sem medo de sermos felizes.
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