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OPINIÃO

Botecos que fazem sucesso

Foto: Rodrigo Assmann

Em época de verão, festas e carnaval, lembra-se facilmente dos botecos com bar e restaurante, onde um certo clima de festa reina o ano inteiro. Entre eles, na região norte da cidade, no Bairro Santo Inácio, há dois que se destacam, começando por se confundirem com os apelidos dos donos – “Juruna” e “Muçum” (nesse caso o nome ainda compete com “Benfica”, antigo clube de futebol que funcionava antigamente atrás do Shopping).

Para o frequentador Adroaldo Favaretto, empresário aposentado de materiais de construção, que reside no bairro Arroio Grande e atravessa a cidade todos os dias para marcar ponto nesses locais, não há dúvida que “são os principais botecos da cidade”. Ressalta que “ali a fofoca corre solta, e a conversa de boteco é a melhor coisa que tem para a gente se distrair”, justifica em meio a um joguinho de canastra (com grupo ainda composto por Paulo Reis, Elo Schneiders e Giovane Bartz), lubrificando a garganta com a famosa “caipirinha do Juruna”.

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Flávio Werner, desconhecido e verdadeiro nome de “Juruna”, que nasceu em Linha Rio Grande, Sinimbu, veio à cidade aos 14 anos e faz 59 em agosto/26, diz que recebeu esse apelido do advogado Roque Spode, quando trabalhava em bar na rua Pinheiro Machado e estava com corte de cabelo parecido com o do índio e então deputado Mário Juruna, em estilo “capacete”. Obteve o primeiro emprego na Lancheria Nevoeiro, na Linha Santa Cruz, depois passou por vários pontos até se fixar onde está há mais de 20 anos, no início da Gaspar Silveira Martins, após a Coronel Jost.

Hoje, “Juruna” já reduziu o ritmo de trabalho, saindo ele e a esposa Suzana após o meio-dia, e permanecendo o filho Felipe (já o chamam de “Juruninha”) e familiares. “É tudo em família”, diz, com seis dos seus integrantes trabalhando, além de um ajudante e dois motoboys, de segundas a sábados. Além da elogiada “caipirinha”, que, segundo ele, não tem ingrediente extra, “apenas o jeito de fazer”, jogos de cartas a valores módicos fazem parte do “cardápio”, formando-se entre quatro a seis grupos de canastra e o tradicional “Schafkopf”, dos descendentes alemães.

Brincando com ele, o carioca Alírio Montebrune (meu concunhado), que se instalou em Santa Cruz com a esposa Marlise e almoça no local (também no “Muçum”), impressionado com esse interessante passatempo, diz que poderia até adotar o nome moderno de “Jurunas Bet”. Mas destaca outro detalhe, que o faz compará-lo aos botecos do Rio de Janeiro: as contas somadas de cabeça (o mesmo ocorre no “Muçum”) e anotações em caderninhos dos que pagam por semana, quinzena e mês, e os de prazo incerto, com sério risco de ficarem para o “São Nunca”.

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Já no Benfica, ali perto, na Coronel Jost, o proprietário “Muçum”, ou seu Elton Breunig, natural da Linha Schwerin (“Terra do Arno Frantz”), 66 anos e boa memória, lembra que comprou o ponto em 15/06/1986, após ganhar em loteria, e o apelido já vem do tempo em que começou em outro bar famoso, do seu conterrâneo Lauro Sulzbacher. Em 06/01/1979, nada menos que o ex-prefeito Orlando Baumhardt, que ali marcava ponto para aperitivos, lhe disse que a partir de então seria chamado assim, não sabe por que, mas acha que foi por olhar para ele, vestido de bermuda, onde apareciam salientes as pernas brancas e lisas do “alemão de Schwerin”.

Seu bar e restaurante, onde é administrador e churrasqueiro, funciona de segunda a segunda, tem almoço e janta (esta não todos os dias), bebidas e carteados, com movimento um pouco menor depois da Covid, segundo ele, mas ainda grande. O diferencial “é a cerveja bem gelada e a boa parceria”, diz Marcos Waechter, e ratificam os parceiros, taxista Enio Grunwald (com ponto ali) e ex-bancário Paulo Lill, reunidos ao final de uma sexta. O local até já sediou lançamento do “Bailinho da Borges”, novamente grande sucesso neste ano, e a frequência continua forte, junto à figura popular do “Muçum”, batendo papo, “resolvendo os problemas do Brasil” e o consumindo “moderadamente”, garantem. Mas não poupam em alegria e descontração, que ali sobram e tão bem fazem à vida.

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