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MARCIO SOUZA

A mulher é chama

A vida pode ser observada a partir de diferentes prismas. Pode ser por imagens, palavras ou números. Fotografias e desenhos nos fazem percorrer lugares que nunca visitamos e aguçam a vontade de conhecê-los. Belos textos nos incentivam a viajar sem sair do lugar, entrando em histórias, reais ou imaginárias, que nos incluem como espectadores quase presentes. Os números nos permitem estabelecer parâmetros de observação e eles podem ser bem ásperos. É como vemos quando o assunto é a forma como a sociedade tem tratado as mulheres. Vejamos.

– 8 de março: Dia Internacional da Mulher. As floriculturas vendem como nunca, fazem as rosas cumprirem o seu papel e com sua beleza demonstrar a importância de quem as recebe.

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– O número 20 também chama a atenção em 2026. Somente no Rio Grande do Sul, neste ano, duas dezenas de mulheres perderam suas vidas, apenas porque são mulheres. É essa a quantidade de feminicídios registrada no Estado. E ainda pior do que essa quantidade absurda é saber que o assassinato não é um ato isolado. Trata-se da culminância de uma sequência de agressões que torturaram a vida daquela vítima.

Em meio a esses números há uma infinidade de ações, homenagens e destaques pela data. Mas de que adianta se no próprio dia 8 um torcedor de futebol chama uma jornalista, que trabalha à beira do gramado, de “vagabunda”. A profissional é a apresentadora da RBS TV Alice Bastos Neves. Ninguém precisa gostar dela, mas todos precisam respeitá-la como ser humano. O ataque verbal gratuito somente evidencia que a barbárie não tem limites. É cruel e tem o único propósito de atingir o alvo, imaginando uma fragilidade. Alice é muito superior a esse elemento, que deveria responder por seu ato. Foi guerreira ao vencer um câncer e, enquanto trabalha, depara-se com o câncer social: a ignorância.

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O ataque à jornalista é um pequeno detalhe, diante da quantidade de mortes de mulheres, mas é a partir dessas situações que são agravadas as agressões que terminam em mortes. Não é mimimi. No último ano, 4,3 mulheres foram mortas por dia no Brasil. São companheiros, conhecidos ou desconhecidos que aparecem e se acham no direito de tirar a vida delas. Mais uma vez: não é mimimi. Enquanto mulher for tida como posse do homem, enquanto os meninos não aprenderem em casa e na escola que todos são iguais e livres, enquanto as penas para agressores ficarem limitadas ao que está escrito na lei e não forem aplicadas na prática, esses números continuarão a assustar.

“Tem corpo julgado, tem voz cortada, tem sonho preso em palavra errada, mas também tem riso, tem recomeço; tem futuro sendo escrito com endereço, tem menina aprendendo a dizer: Não e mulher refazendo a direção. Não somos número, nem estatística: somos a força mais real e viva”, canta Ana Paula Tasca em Ser Mulher. Essa música deveria se tornar um hino de representatividade, mostrando que mesmo sem capa ou fama a mulher é chama.

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