Um roubo milionário ocorreu na joalheria Gerhardt, na esquina das ruas Marechal Floriano e Fernando Abott, na madrugada de 4 para 5 de agosto de 1953. O autor, um polono-alemão (Polnisch-Deutsch), acabou preso em uma caçada com lances de cinema.
O ladrão pulou o muro na divisa com o terreno da Catedral, na Rua Fernando Abott. Arrombou uma janela, duas portas e levou grande quantidade de joias e relógios, avaliados em Cr$ 283 mil, mais 8 mil Cruzeiros em dinheiro. A invasão foi constatada na manhã do dia 5 (quarta-feira) e logo comunicada à polícia.
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Na Rodoviária, surgiu a informação de que, por volta das 7 horas, um homem procurou passagem para Porto Alegre, mas o ônibus já havia partido. Como não falava português, o atendente chamou um carro de praça (táxi) da garagem Martin, dirigido por Valpírio da Silva, que o levou à capital. Como bagagem, carregava uma caixa de papelão.
O inspetor Clóvis Brasil e o soldado Antônio Godinho Neto deduziram tratar-se do meliante. Junto com Arneldo Blauth (sócio da joalheria) e Reinaldo Matte (agente da Rodoviária), partiram no seu encalço. Na estrada, encontraram o taxista Valpirio, que estava retornando da viagem. Ele informou que o passageiro havia descido na barca em Montenegro. Nesse local, os santa-cruzenses encontraram outro taxista, que o havia levado até o Hotel Pilger, em Novo Hamburgo.
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Com o apoio de policiais hamburguenses, o hotel foi cercado e o fugitivo acabou preso, depois de muito espraguejar em alemão. Ele confessou o arrombamento, informou que se chamava Kasimierz Melc e era polono-alemão. Revelou que, como marinheiro, chegara ao porto de Rio Grande no vapor Santa Úrsula. Após descer do navio, não mais voltou a bordo e estava há dois meses como clandestino no Brasil.
Perto das 23 horas, Kasimierz foi apresentado ao delegado Carlos Brundo, em Santa Cruz. No interrogatório, revelou que um “Walter de tal”, de Venâncio Aires, lhe dera as dicas para entrar na joalheria. Mas a polícia descobriu que o informante fora um santa-cruzense.
Melc ficou preso em Santa Cruz. No dia 23 de setembro, ele fugiu, foi perseguido e preso em um açougue na Rua 28 de Setembro, onde tentava armar-se com duas facas. Em 12 de abril de 1954, o juiz Augusto Pereira da Silva condenou-o a dois anos de reclusão e ao pagamento de multa de 2 mil Cruzeiros. A denúncia contra o santa-cruzense foi julgada improcedente.
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Pesquisa: Arquivo da Gazeta do Sul
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