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LITERATURA

Dia Nacional do Livro Infantil: para celebrar pequenas grandes obras

Foto: Nappy.co

Se na prática todos os dias deviam ser marcados pela presença do livro na rotina das crianças, diante da importância deles para a formação humana, este sábado, 18, é, por excelência, momento de valorizar e celebrar a leitura como elemento cultural.

Comemora-se em 18 de abril o Dia Nacional do Livro Infantil, instituído pela Lei nº 10.402/2002, como uma homenagem direta ao escritor Monteiro Lobato. Ele nasceu nesse dia, em 1882, sendo o autor de Reinações de Narizinho (1931), a partir do qual se estruturou toda a turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

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Tendo em vista que o motivador da data são os livros direcionados a jovens leitores, nenhuma maneira seria mais conveniente de festejar a data que não levando eles a alguma livraria ou proporcionando seu contato com obras de seu interesse.

O segmento da literatura infantil (e também juvenil) é um dos que mais tem se apresentado estável e em crescimento nos últimos anos no Brasil. Uma ampla gama de recursos gráficos e de intertexto tem sido adotada por autores e editores no sentido de cativar os leitores, e isso numa época de alto apelo representado pelos celulares e por ferramentas digitais.

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Como nenhuma destas substitui, em hipótese alguma, o livro e a leitura, incentivar os pequenos a ler é quase um indicador de suas perspectivas de se formarem cidadãos plenos na vida adulta.

Grandes estrelas dessa data

A Gazeta do Sul convidou quatro personalidades de Santa Cruz e da região cuja trajetória é fortemente identificada com o estímulo à leitura na infância, como educadores, escritores e contadores de histórias.

Na arte de contar histórias, viajar longe faz parte da vida de Léla Mayer

“Quando criança, as histórias me permitiram viver aventuras em universos ficcionais incríveis, como Nárnia e o Sítio do Pica-Pau Amarelo. A distância entre os dois era a mesma, mas no Sítio havia o Pó de Pirlimpimpim, que facilitava idas e vindas. Era brincadeira, mas também muito real. A literatura para a infância tem o poder de transportar, emocionar, criar amigos reais e imaginários. A Léla escritora nasceu com a contadora de histórias. E a contadora de histórias nasceu daquela menina, que viajava com facilidade para Nárnia e para o Sítio. Neste 18 de abril celebramos o aniversário de Monteiro Lobato, que nos presenteou com o universo mágico do Sítio do Pica-Pau Amarelo. É um dia para celebrar a literatura para a infância, porta aberta para a imaginação e a empatia e para um mundo mais bonito e divertido para todas as crianças. Nós, adultos, somos responsáveis pela chave que abre essa porta. Que possamos encontrar espaço no cotidiano para ler uma história, e compartilhar memórias. O amor pelos livros e pela leitura é mais forte quando nasce cedo.”

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Léla Mayer
Escritora e contadora de histórias

“Creio que o lado B das pessoas que escrevem para crianças é aquele que sobrevoa o mundo do faz-de-conta: inventa brincadeiras, personagens… Acredita que esses darão conta de viver a sua história. É um momento planejado, ou não. Poderá ocorrer, assim: plim! Um sapo que fala o idioma alemão; uma noite que tem medo da escuridão… O livro infantil convida a criança a passear sua imaginação, no início lendo as imagens… Mais adiante, quando o trem da vida passa, e nos leva com pessoas de todos os tipos, de todas as cores… Alguns desembarcarão pelas estações do caminho; outros continuarão calados, mas, um ou meia dúzia, quem sabe, se tornarão nossos amigos de verdade… Escrevendo, há muito tempo, o prazer em circular entre os leitores, tentando encantar o livro, continua o mesmo. Contar minhas histórias para que elas continuem vivas, é meu desejo de sempre. Assim, convivendo com o livro, habitualmente, abraçando, brincando e lendo, as crianças, no futuro, poderão revelar-se grandes leitores. E viva o livro!”

Valquíria Ayres Garcia
Escritora e contadora de histórias
Professora de Santa Cruz participa de seminário de contadores de histórias em Porto Alegre

“O que é o livro na minha vida? Na minha infância, não havia estantes cheias nem livros espalhados pela casa. Ainda assim, havia um desejo imenso, e foi na biblioteca da escola que encontrei abrigo. Ali, nas páginas silenciosas, me descobri. O livro sempre foi mais do que palavras: foi companhia. Foi refúgio para uma criança tímida, voz para uma adolescente calada, mundo inteiro para quem aprendia a sonhar em silêncio. Cresci, e com o tempo me tornei mãe, tia, madrinha, educadora… E, em cada um desses papéis, levei comigo esse amor. Presenteei livros como quem oferece afeto. Incentivei a leitura como quem entrega um brinquedo precioso, que não se quebra, apenas floresce. E, hoje, esse amor renasce nos olhos do meu neto. Sou contadora de histórias. Antes disso, sou guardiã de encantamentos. Por isso, deixo o convite: deem livros de presente. Levem seus filhos às bibliotecas. Leiam para eles. Façam do livro um companheiro íntimo, vivo, inesquecível. Porque as histórias que uma criança escuta não se vão. Permanecem. Ecoam no tempo. E, silenciosamente, constroem quem somos.”

Sônia Luz
Professora e contadora de histórias
Histórias de Gil Kipper

“Para se referir a uma trajetória na área artística e literária com 50 anos de pura teimosia, é importante salientar um quesito importante: PAIXÃO. A paixão pelo que se faz nos leva a aprender, realizar e conquistar uma linha de trabalho que se torna prazeroso a cada linha escrita e em traços dando formas a vários personagens infantis, animando histórias na forma de livros que irão conquistar crianças por décadas. Quando uma criança aprecia um livro, essa lembrança se eterniza para toda a sua vida. O formato físico da obra preferida, o papel, o cheiro, os personagens em livro ou mesmo o gibi de histórias em quadrinhos. Recordo do cheiro da tinta do primeiro livro que tive o prazer de ler na infância e me inspirou a escrever e ilustrar histórias infantis. Como artista e escritor, fui influenciado pelas histórias em quadrinhos nos anos 60. Desejei com determinação trabalhar nesse segmento, para nunca mais parar, me tornando veterano como criador de histórias infantis e desenhando quadrinhos. A leitura de um bom livro infantil é aprazível para todos, pois nunca deixaremos de ser criança.”

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Gil Kipper
Escritor, desenhista e editor

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