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A importância de aprender a dizer não

Tem gente que acha que dizer “não” é falta de educação. Que soa duro, atravessado, quase uma pequena agressão. Como se fosse sempre melhor contornar, suavizar, inventar uma desculpa qualquer – “depois eu vejo”, “quem sabe”, “vou tentar” – só para não encarar o peso de uma negativa direta. Mas não é.
“Não” é uma palavra pequena, dessas que cabem inteiras na boca e ainda assim parecem grandes demais na hora de sair. Um advérbio de negação, como ensinam na escola. Na prática, um exercício de coragem e autoconhecimento.

Curioso é que a gente não nasceu com essa dificuldade. Pelo contrário. Na infância, o “não” vinha fácil, automático, quase em sequência: não quero, não gosto, não vou. Era uma forma simples de existir no mundo, de marcar território, de dizer “isso aqui sou eu”. Em algum momento do caminho, no entanto, a gente começou a trocar essa firmeza por silêncio. Não foi esquecimento. Foi aprendizado.

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Aprendemos que dizer “não” pode decepcionar. Pode frustrar. Pode gerar um olhar atravessado, um afastamento, um julgamento. E, aos poucos, fomos substituindo a sinceridade por uma versão mais “agradável” de nós mesmos. Começamos a dizer “sim” quando queríamos dizer “não”, acreditando que isso manteria tudo em ordem – as relações, as expectativas, a convivência. Mas não mantém.

O “sim” que desrespeita a própria vontade cobra seu preço. Às vezes vem em forma de cansaço, outras de irritação, quase sempre de um incômodo difícil de explicar. É como se a gente fosse se afastando de si mesmo, pouco a pouco, em nome de uma harmonia que existe apenas na aparência da “boa convivência”. Afinal, ninguém quer ficar de mal com um amigo ou colega – mas a que preço? Dizer “não” não é romper laços. É, na verdade, dar a eles uma chance mais honesta de existir.

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Claro que há jeito para tudo. Não se trata de sair distribuindo negativas sem cuidado, ignorando o outro ou as regras básicas de convivência. Trata-se de equilíbrio. De entender que respeitar o outro não pode significar desrespeitar a si mesmo.

Há quem precise reaprender isso com ajuda, com terapia, com tempo. E há quem vá descobrindo aos poucos, na prática, quase sempre depois de alguns “sins” atravessados. Em qualquer caso, o ponto é o mesmo: reconhecer que impor limites não é um defeito, é necessário. É a maturidade surgindo.
E, com ela, vem também um entendimento importante: não existem relações, de qualquer natureza, que valham o seu desconforto. Nenhuma que “pague” a sensação de ter que se diminuir para caber naquele espaço, naquela relação. Talvez crescer seja justamente isso.

Aprender que nem todo convite precisa ser aceito, nem toda expectativa precisa ser atendida, nem todo pedido precisa virar obrigação. E que existe uma liberdade silenciosa, quase invisível, em sustentar um “não” com tranquilidade. Porque, no fim das contas, dizer “não” também é uma forma de dizer “sim”.
Sim para a sua vontade. Sim para o que faz sentido. Sim para si mesmo.

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