As ações desenvolvidas pelo governo do Estado, por meio do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), vinculado à Secretaria da Saúde (SES), para o controle do mosquito Aedes aegypti, associadas às condições climáticas e à imunização de grupos específicos, são apontadas como fatores para a redução de 97,1% dos casos de dengue no Rio Grande do Sul em 2026.
Conforme o Painel de Casos de Dengue no RS, atualizado diariamente pela SES, até 8 de maio foram confirmados 994 casos da doença e um óbito. Ao todo, 4.262 casos ainda estão sob investigação. No mesmo período de 2025, foram registrados 35.433 casos e 32 óbitos. “Ainda que o cenário atual seja de importante redução em relação aos anos anteriores, é fundamental manter as ações de prevenção e controle do mosquito para sustentar essa tendência”, avaliou a chefe da seção de Vigilância Epidemiológica do Cevs, Roberta Vanacor.
Em 2025, o total de casos chegou a 52.794, com a ocorrência de 53 óbitos. Historicamente, o período de maior circulação da dengue no Estado ocorre no mês de abril, especialmente entre as semanas epidemiológicas 15 e 16, com tendência de redução nas semanas subsequentes.
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Estratégias de prevenção
Entre as ações de monitoramento e controle do mosquito transmissor da dengue, destaca-se a técnica denominada ovitrampas, armadilhas utilizadas para a coleta de ovos do Aedes. O método detecta a infestação pelo mosquito e contribui para direcionar as ações e avaliar o impacto das estratégias de controle da proliferação dele. Atualmente, essa estratégia já está implementada em 342 municípios (cerca de 86% do Estado). No período de janeiro a abril de 2025, 238 municípios instalaram ovitrampas. Em 2026, mais 104 aderiram à estratégia.
Outro método utilizado pelas equipes da Vigilância Ambiental do Cevs é a borrifação residual intradomiciliar (BRI/Aedes), que já é realizada em 224 municípios. No mesmo período de 2025, 119 municípios utilizaram estratégia de prevenção, com um acréscimo de 104 municípios em 2026. Essa estratégia possui uma abordagem preventiva, evitando casos, mas também pode ser usada de forma reativa, diminuindo a transmissão.
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A BRI/Aedes é um tipo de borrifação realizada dentro dos imóveis com um inseticida que tem poder residual. Isso significa que ele tem ação durante quatro meses. Ela é aplicada somente nos locais preferenciais de repouso do mosquito, sendo uma estratégia seletiva de controle.
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Condições climáticas
O inverno de 2025 foi o mais rigoroso, se comparado ao dos anos de 2022 a 2024. Além disso, a primavera no ano passado foi mais seca, reduzindo a disponibilidade de criadouros no início do verão em 2026. Apesar do cenário favorável atual, o monitoramento segue essencial. Projeções climáticas nacionais indicam influência do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano, com possibilidade de temperaturas e volumes de chuva acima da média, condições que podem favorecer a proliferação do mosquito e impactar a transmissão da dengue em 2027.
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Medidas de prevenção
A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em locais com água parada. Por isso, a principal forma de prevenção é eliminar possíveis criadouros, tanto dentro quanto fora das residências. A participação da população é essencial para reduzir a proliferação do mosquito e controlar a transmissão da doença. Entre as medidas recomendadas estão:
- Utilizar telas em portas e janelas e repelentes em áreas de maior transmissão;
- Remover recipientes que possam acumular água, como pneus, garrafas, latas e vasos;
- Manter caixas d’água e reservatórios devidamente vedados;
- Desobstruir calhas, ralos e lajes, evitando acúmulo de água.
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Imunidade
Há quatro tipos de vírus da dengue (sorotipos). Isso significa que uma pessoa pode ter dengue até quatro vezes na vida. As pessoas que tiveram dengue desenvolvem imunidade contra o sorotipo com o qual tiveram contato. Como os sorotipos com maior circulação no Estado nos últimos anos têm sido o Denv-1 e o Denv-2, parte da população pode já apresentar proteção contra esses dois sorotipos do vírus.
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Vacinação
A vacinação contra a dengue também contribuiu para a redução dos casos, embora ainda de forma mais limitada neste momento, uma vez que a estratégia contempla grupos populacionais específicos definidos pelo Ministério da Saúde. Desde 2024, o Brasil passou a oferecer a vacina contra a dengue pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O público-alvo atual são crianças e adolescentes de dez a 14 anos, faixa etária que apresenta elevado risco de hospitalizações pela doença.
Inicialmente, a vacinação ocorreu em áreas priorizadas pelo Ministério da Saúde, mas desde fevereiro deste ano a estratégia foi ampliada para todos os municípios, mantendo a mesma faixa etária elegível. O imunizante utilizado na estratégia é a Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda Pharma. Paralelamente, o Ministério da Saúde iniciou a introdução de uma nova vacina 100% nacional, desenvolvida pelo Instituto Butantan.
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A vacina, chamada Butantan-DV, é de dose única — a primeira desse tipo no mundo — o que facilita a adesão às campanhas de imunização. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas no Rio Grande do Sul e foram destinadas inicialmente aos trabalhadores das equipes da atenção primária à saúde do SUS. A vacinação do público geral ocorrerá de forma gradual, conforme a disponibilidade de doses, com previsão de início pela população de 59 anos, avançando progressivamente até alcançar pessoas a partir de 15 anos.
Principais sintomas
- Febre alta, com duração de dois a sete dias
- Dor atrás dos olhos (dor retroorbital)
- Dor de cabeça
- Dores no corpo e nas articulações
- Mal-estar geral
- Náusea e vômitos
- Diarreia
- Manchas vermelhas na pele, com ou sem coceira
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