“A taça do mundo é nossa. Com brasileiro, não há quem possa. Eh eta esquadrão de ouro. É bom no samba, é bom no couro.” Não importa quem são os jogadores. A convocação foi feita e é chegado o momento de vestir a canarinho, pegar a vuvuzela e fazer barulho para deixar o adversário atônito e o resto do mundo encantado com a capacidade brasileira de se divertir com o futebol.
E não adianta vir com discurso de que será difícil, que os primeiros adversários até que são menos expressivos no futebol mundial, mas o caminho ficou mais difícil. Nós nascemos sabendo que “bola na área não altera o placar”, como cantaram os meninos do Skank. Para ter efeito, para ter motivação e empolgação é necessário ter o grito de “É gol que felicidade. É gol! O meu time é alegria da cidade”, lembrado pelo Trio Esperança, em Replay.
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Então, no fim da tarde dessa segunda-feira, 18, quando Carlo Ancelotti anunciou os nomes dos 26 convocados não estava apenas escolhendo um time, mas definindo os 26 que representarão 213,5 milhões de habitantes. Há de aparecer alguém que diga que não torce pela Seleção, querer que o grupo perca, mas certamente estará comemorando, em caso da conquista do hexa, ao fim da competição disputada no Canadá, Estados Unidos e México. É como quem se diz ateu, mas agradece a Deus.
Mas em meio ao noticiário do esporte, com transmissão ao vivo, centenas de colegas do jornalismo trabalhando para transformar a convocação em um espetáculo, ainda surge a equipe da editoria de política para falar no famigerado assunto do 6×1. Quem quer saber de 6×1 quando temos que nos preocupar em não repetir o 7×1 da Alemanha? Era para ficar no esquecimento. Quem bate esquece; quem apanha jamais.
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Somos o país do futebol, da majestade, o eterno Rei Pelé; somos o país que, como registrou Isabela Fogaça, fica “nas manhãs de domingo. Esperando o Gre-Nal”. O paciente chega para o médico e confessa, depois do transplante cardíaco: “ah, doutor eu não me engano. Botaram outro coração corinthiano”. Diante de tudo isso, pensar na mudança da escala de trabalho é, convenhamos, tirar o foco. O importante é que se tenha feriado para assistir aos jogos da Seleção.
Brincadeiras de lado, o país vive um jogo decisivo, que deve ser muito bem analisado, sem chutes para qualquer lado ou apenas dribles bonitos para agradar à torcida. É preciso avaliar as consequências e as necessidades. Cabecear uma bola com perfeição pode colocá-la no fundo do gol, mas se o lance não for bem aplicado, pode representar uma dor de cabeça tremenda, até um dano físico grave.
A mudança da escala de trabalho de 6×1 para 5×2 significa mais tempo para o descanso, mas também pode virar um motivo a mais para aumento de preços, pois os custos das empresas aumentarão; crescimento da informalidade e até do desemprego. Tomar qualquer decisão precipitada, mesmo que boa para o público, pode ser o 7×1 que não queremos voltar a ver na economia.
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