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CINEMA

Entenda por que “Roar” é apontado como o filme mais perigoso já feito

Em 1981, um longa-metragem insano chegou aos cinemas norte-americanos. Tratava-se de Roar (que no Brasil recebeu o bizarro título Homens e Feras), cuja proposta era no mínimo peculiar: mostrar uma família interagindo em um ambiente com 150 animais selvagens, a maioria deles leões.

No papel, a ideia era promissora, com uma importante mensagem de coexistência e preservação ambiental. Porém, na prática, Roar conquistou a fama inusitada de ser o filme mais perigoso já produzido. E acredite: não se trata de uma campanha publicitária sensacionalista. Basta olhar as duas imagens que ilustram esta página para entender por que, 45 anos depois do seu lançamento, ainda mantém essa fama.

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A frase em destaque no cartaz da obra explica o motivo de tal definição: apesar de nenhum animal ter sido ferido durante as gravações, 70 membros do elenco e da equipe foram. O motivo é simples: a conturbada produção optou por usar animais de verdade. Não havia dublês fantasiados de leões, muito menos efeitos especiais.

Assim, restou a Noel Marshall, roteirista e diretor, interagir com os enormes felinos juntamente com os seus filhos e esposa, a atriz Tippi Hedren (que já havia sido alvo de animais – e de Alfred Hitchcock – em Os Pássaros). E não saíram ilesos: Tip-pi fraturou a perna em um incidente envolvendo um elefante, enquanto a filha Melanie Griffith – que inicialmente saiu do projeto com medo de se machucar e ter metade da face arrancada – passou por uma cirurgia de reconstrução facial após um encontro com um dos leões.

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O maior alvo, contudo, foi Noel. Foram tantos ferimentos, resultado de mordidas e patadas, que desenvolveu gangrena. Não foi por falta de avisos: Noel e Tippi procuraram domadores de leões para o projeto. Todos alertaram que era uma péssima ideia que só poderia dar certo se os treinassem ainda filhotes.

Qualquer um teria desistido aí. Porém, eles decidiram adotar os felinos, que conviviam com a família como se fossem animais de estimação. Com a enorme quantidade de leões e tigres na casa, um vizinho sensato os denunciou. Para continuar o plano maluco, adquiriram uma propriedade na Califórnia, que se tornou o cenário do filme.

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A produção, como esperado, foi no mínimo conturbada. Segundo membros da equipe, o comportamento dos animais era imprevisível. Muitas vezes, os leões ficavam deitados e só interagiam quando as câmeras estavam desligadas.

Com apenas dois treinadores nas filmagens e mais de cem felinos, os ataques eram frequentes. O cinegrafista Jan De Bont, que anos depois dirigiu Velocidade Máxima e Twister, teve a cabeça aberta por um leão que se assustou com o equipamento, resultando em 120 pontos. Uma semana depois, ele estava de volta para continuar o trabalho.

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Os animais não eram a única ameaça: enchentes destruíram as locações. Os problemas eram tantos que secaram a fonte de renda da família. Após quatro anos de filmagens, faliram devido ao projeto, que custou US$ 17 milhões, orçamento enorme para um filme independente. Para piorar, o retorno aproximado foi de apenas US$ 2 milhões.

Pouco tempo depois, Noel e Tippi se separaram, e a propriedade se tornou um santuário para proteção de felinos. Em 2015, o filme foi recuperado e restaurado, voltando para os cinemas. No Brasil, não há registros de exibição na televisão ou no mercado de vídeo.

Ingenuidade e insanidade

Passados 45 anos, Roar continua sendo uma obra tão fascinante quanto perigosa, que merece ser vista pelo menos uma vez. É tenso, com toques de humor e um clima de filme familiar. Apesar da ingenuidade, irresponsabilidade e insanidade, trata-se de uma proposta com objetivo muito claro e bem-intencionado, que pode ser sintetizado em uma fala de Noel no filme: “Não podemos continuar eliminando suas terras! Não podemos continuar exterminando tudo o que tememos e que nos incomoda”.

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