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MOBILIZAÇÃO

Diálogo sobre valorização do tabaco avançou após ato nas ruas de Santa Cruz, avaliam representantes

Foto: Rodrigo Assmann

Em alerta quanto aos preços da safra, agricultores de todo o Estado tomaram as ruas centrais com faixas e cartazes na manhã dessa segunda-feira

Faixas, cartazes, fardos de tabaco e reivindicações ocuparam as ruas de Santa Cruz do Sul na manhã dessa segunda-feira, 25. Organizada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), a mobilização reuniu produtores, lideranças sindicais, políticos e entidades ligadas ao setor em um movimento que teve como foco a valorização da atividade e a preocupação com a comercialização da safra atual.

A concentração iniciou-se no Parque da Oktoberfest e reuniu caravanas de outros municípios. Em seguida houve uma caminhada pelo Centro, com paradas em pontos estratégicos e distribuição de material informativo. O movimento ocorre em um cenário de preocupação dos produtores, especialmente diante da comercialização da safra. Entre as principais reclamações estão os valores pagos pelo tabaco, considerados abaixo do esperado, além de questionamentos sobre classificação do produto e cumprimento de acordos.

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O presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti, afirmou que a atividade foi planejada em um momento considerado decisivo para a categoria. “Temos ainda em torno de 50% do tabaco nos galpões e a cada semana que passa a situação vem piorando. Hoje há empresas pagando de R$ 50,00 até R$ 100,00 a arroba a menos do que no ano passado”, afirmou.

Segundo ele, a principal reivindicação é que sejam respeitados os parâmetros definidos em negociações anteriores. “Foi apurado um custo de produção em conjunto com os agricultores e representantes das empresas. Essa tabela precisa ser cumprida”, frisou.

O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcilio Laurindo Drescher, disse que o setor acompanha com preocupação o atual momento da comercialização. Segundo ele, os valores praticados pelas empresas não atendem às expectativas construídas ao longo da cadeia produtiva. “Não podemos concordar, porque entendemos que a cadeia organizada em forma de integração precisa ter uma equalização. Todos têm que sair ganhando”, afirmou.

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Para Drescher, a situação afeta não apenas quem produz. “O produtor sai perdendo, a economia do município perde e toda a sociedade gaúcha também acaba sendo impactada.”

As lideranças reforçam que a cadeia do tabaco segue ocupando papel central na agricultura familiar gaúcha. “Hoje, o tabaco responde pela maior cadeia de produção do Estado. Destes, 95% são agricultores familiares. Temos que cuidar para que não aconteça, daqui a pouco, um endividamento dos produtores, a exemplo daqueles que atuam com grãos, trigo, milho e soja, que enfrentam um alto grau de endividamento”, salientou Zanetti.

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Durante o ato dessa segunda, agricultores expuseram as dificuldades enfrentadas | Foto: Rodrigo Assmann

Diálogo avança

No final da manhã, integrantes da Fetag-RS, da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco), líderes da cadeia produtiva e representantes de fumageiras participaram de reunião no Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), onde as principais reivindicações do setor foram apresentadas.

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Diretora responsável pela cadeia produtiva do tabaco na Fetag, Camila Rode afirmou que o primeiro resultado foi a aproximação entre as partes. Segundo ela, o encontro reuniu representantes do SindiTabaco e sete fumageiras. “Eles ouviram quem está sentindo na pele e ouviram os anseios de quem vive a realidade no campo.”

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Entre os encaminhamentos, segundo Camila, ficou estabelecido o compromisso de reuniões individuais entre empresas e representações ligadas aos produtores para tratar das demandas. A intenção é discutir casos específicos e acompanhar denúncias relacionadas à compra. “Havendo agricultor que vá ao sindicato e denuncie que não está sendo cumprido o protocolo, vamos fazer essa representação junto às empresas”, disse.

De acordo com Camila, as justificativas das empresas envolvem fatores como cenário internacional, aumento da produção mundial, valorização do dólar e custos de mercado.

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Em nota, o SindiTabaco informou que adota rigorosamente as orientações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e não se envolve em questões de natureza concorrencial. A entidade defende a necessidade de reavaliação da metodologia de composição dos coeficientes técnicos de mão de obra. Para o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, o setor precisa manter equilíbrio entre remuneração, eficiência e sustentabilidade para continuar ocupando posição de liderança global nas exportações de tabaco.

O deputado estadual Zé Nunes (PT), autor do projeto que estabeleceu a classificação do tabaco na propriedade, afirmou que pretende encaminhar representação junto ao Ministério da Agricultura e ao Ministério Público Federal. Segundo ele, existem indícios de descumprimento das normas.

Categoria alerta para os prejuízos no meio rural

Moradora de Cachoeira do Sul, a produtora rural Maríndia Elisa Ribeiro Machado Viegas foi uma das participantes. Ela produz cerca de mil arrobas e decidiu participar da mobilização diante da insatisfação com a comercialização.

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“Hoje não estamos trabalhando no tabaco por classe. Eles [os compradres] fazem simplesmente uma média. Não importa se teu produto é bom ou ruim”, afirmou. Segundo ela, no ano passado a arroba chegou a ser comercializada por até R$ 390,00. “Hoje, o tabaco precisa ser de primeira linha para valer no máximo R$ 270,00.”

Também produtora e diretora no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vera Cruz, Vitória Theisen Petry ressaltou que a preocupação ultrapassa a safra atual. “Precisamos lutar por todos. Todos somos um só. A agricultura familiar precisa ser unida”, afirmou. Ela lembrou que os custos de produção aumentaram nos últimos anos. “Os insumos e todos os demais produtos subiram. Hoje não estamos tendo mais o lucro que tivemos nos últimos anos.”

De Vera Cruz, Inácio José Back calcula sua produção em aproximadamente mil arrobas e relata cenário semelhante. “Hoje estão oferecendo entre R$ 180,00 e R$ 300,00. E a qualidade é boa, ótima. Tinha que ser no mínimo R$ 340,00 ou R$ 350,00”, disse.

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