Durante anos, uma das principais reclamações de quem circulava pelo centro de Santa Cruz do Sul era a dificuldade de encontrar uma vaga para estacionar. O sistema de estacionamento rotativo existia, mas a fiscalização insuficiente transformava as regras em mera formalidade. Muitos motoristas ocupavam as vagas o dia inteiro sem qualquer consequência, enquanto comerciantes, clientes e prestadores de serviço davam voltas e mais voltas em busca de um local para parar.
Há cerca de um mês, a realidade mudou. O Município endureceu as regras da Zona Azul, o popular “Rapidinho”, e desta vez a fiscalização passou a funcionar de verdade. A cobrança está sendo realizada, as notificações estão sendo aplicadas e os motoristas perceberam rapidamente que o sistema deixou de ser recomendação para se tornar regra.
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O resultado é visível para qualquer pessoa que caminhe pelo Centro: vagas disponíveis em praticamente todas as quadras, rotatividade funcionando e movimento fluindo. Quem precisa resolver algo no comércio, ir ao banco ou fazer compras consegue encontrar espaço com relativa facilidade. Sob esse aspecto, é justo reconhecer que a mudança atingiu seu principal objetivo.
Entretanto, como costuma acontecer em políticas públicas que envolvem mobilidade urbana, a solução de um problema acabou revelando outro. Existe uma parcela significativa da população que não usa as vagas centrais para uma parada rápida. São trabalhadores que atuam diariamente no Centro – profissionais liberais, funcionários de escritórios, vendedores, representantes comerciais, empregados de estabelecimentos comerciais – e para os quais o transporte público, em muitos casos, não é uma alternativa real.
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Há quem more em localidades sem linhas compatíveis com seus horários, quem precise se deslocar para diferentes pontos da cidade ao longo do expediente ou quem enfrente trajetos excessivamente longos de ônibus. Para esse grupo, o novo modelo criou uma situação desconfortável. O gasto diário pode passar dos R$ 20,00 – valor que, multiplicado pelos dias úteis, representa centenas de reais no fim do mês.
E o pagamento não resolve tudo: o limite de permanência continua exigindo que o motorista interrompa o trabalho a cada duas horas para trocar de vaga. Quem tenta escapar buscando as zonas brancas, onde não há cobrança nem limite, enfrenta uma caminhada de várias quadras – nem sempre viável em dias de chuva, sob o calor do verão ou para quem tem mobilidade reduzida.
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O curioso é que a própria eficiência da fiscalização talvez tenha criado uma oportunidade para aperfeiçoar o sistema. Hoje, diferentemente do que ocorria antes, a oferta de vagas parece superior à demanda em diversos momentos do dia. Isso levanta uma questão legítima: seria possível reservar uma parcela dessas vagas para permanência prolongada?
Não se trata de desfazer o que foi conquistado nem de retornar ao modelo anterior, que claramente não funcionava. Cada quadra poderia contar com um número limitado de vagas destinadas a trabalhadores, identificadas de forma específica e vinculadas a algum tipo de credenciamento – como cadastro na Prefeitura ou vínculo comprovado com um estabelecimento do Centro. Modelos semelhantes já existem em outros municípios brasileiros, com variações que vão da vaga de quatro horas ao passe mensal vinculado ao CNPJ do empregador.
A fiscalização eficiente trouxe benefícios inegáveis. O Rapidinho finalmente cumpre sua função. O desafio agora é dar o próximo passo: que o mesmo sistema que resolveu o problema de quem para por um curto período encontre também uma resposta para quem precisa de longa permanência.
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