O que começou como um período de reflexão após a conclusão do Ensino Médio transformou-se em uma conquista internacional. Aos 20 anos e com cidadania francesa, a santa-cruzense Keyla Ravat, ex-aluna da Escola de Educação Básica Educar-se, embarca em setembro para a França, onde iniciará o curso de Comunicação na Université Sorbonne Nouvelle, em Paris.
A trajetória até a aprovação exigiu planejamento, persistência e meses de dedicação. Depois de concluir o Ensino Médio, Keyla percebeu que ainda não tinha certeza sobre qual caminho profissional seguir. Embora já tivesse sido aprovada em algumas universidades brasileiras, decidiu não ingressar imediatamente no Ensino Superior.
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“Quando eu estava no terceiro ano do Ensino Médio, não sabia o que cursar, nem onde. Eu já havia sido aprovada em algumas faculdades brasileiras, mas ainda tinha muitas dúvidas e via que a maioria dos meus colegas já tinha um plano estabelecido para o futuro”, conta. “Conversando com minha mãe, decidi tirar um ano sabático. Esse período foi essencial para me planejar e decidir que gostaria de estudar fora do Brasil.”
A vontade de viver novas experiências, conhecer diferentes culturas e ampliar as oportunidades acadêmicas e profissionais foi o principal motivo que a levou a buscar uma formação internacional.
O processo de candidatura para universidades estrangeiras foi longo e muito diferente do modelo brasileiro. Keyla precisou reunir uma série de documentos, como cartas de recomendação, traduções de históricos escolares, conversão de notas, cartas de motivação e currículo.
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“O processo de buscar vagas em universidades estrangeiras foi bem longo. Precisei de muita documentação. Além disso, tive que entender os sistemas de candidatura de cada País”, relembra. “O que mais demora também é a questão de receber as respostas. Algumas universidades levaram meses para responder.”
As candidaturas foram direcionadas a instituições dos Estados Unidos, Suíça, Itália e França, todas em áreas ligadas à comunicação. Nos Estados Unidos, foi aprovada na DePaul University, em Chicago, com bolsa de estudos de US$ 116 mil; na Hofstra University, em Hempstead, no Estado de Nova York, com bolsa de US$ 140 mil; na Syracuse University e na University of Tampa. Também foi incluída na lista de espera da University of Miami.
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Na Suíça, conquistou vaga na Franklin University Switzerland, com bolsa de liderança. Na Itália, foi aprovada na John Cabot University e na The American University of Rome, ambas com bolsas de mérito. Já na França, recebeu aprovação da Université Sorbonne Nouvelle e da Université Paris Cité. Também aguarda definição da Université Côte d’Azur, em Cannes, onde permanece em lista de espera.
Entre as instituições que aprovaram sua candidatura, a escolhida foi a Sorbonne Nouvelle, universidade pública localizada em Paris. Além da vaga, Keyla obteve um auxílio financeiro oferecido pelo governo francês para estudantes. “Recebi a notícia pela plataforma francesa de candidatura. Fiquei muito feliz porque foi o resultado de meses de espera, e essa era uma das universidades em que eu mais queria ser aceita.”
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Preparativos para a mudança e preocupações com a adaptação
A viagem para a França está prevista para setembro, antes do início do ano letivo universitário. Até lá, a estudante se dedica aos preparativos para a mudança e a adaptação a uma nova realidade. “O que mais me empolga são todas as novas experiências que vou viver. O que mais me preocupa é a adaptação inicial, especialmente ficar longe da família e construir uma nova rotina.”
A notícia da aprovação foi recebida com entusiasmo pelos familiares, que acompanharam de perto toda a jornada. “Todos receberam a notícia com muita alegria. Havia muita expectativa, porque acompanharam de perto esse processo e sabem o quanto me dediquei.”
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Com a graduação em Comunicação pela frente, Keyla pretende seguir investindo na formação acadêmica e ampliar sua atuação nas áreas de mídia, comunicação e criação. “Pretendo concluir minha formação, continuar estudando e me especializando ao máximo.”
Para os jovens que sonham em estudar fora do país, ela deixa uma mensagem de incentivo. “Não deixem que a distância ou a complexidade do processo desanimem. Por mais que seja um caminho bem diferente do que estamos acostumados, é possível e alcançável. Hoje temos acesso a muitas informações pela internet, o que facilita muito.”
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Ela reforça a importância de aproveitar as oportunidades oferecidas pela escola. “Muitas vezes os alunos não percebem o quanto professores, coordenadores e projetos escolares podem fazer diferença no futuro. Construir uma boa relação com os professores, participar das atividades e demonstrar interesse abre portas e cria oportunidades que podem ser importantes mais adiante.”
Engajamento estudantil
Ao longo da vida escolar, Keyla acumulou experiências além da sala de aula. Entre elas, a presidência do Grêmio Estudantil da Educar-se, atuação que considera fundamental para o sucesso das candidaturas internacionais. Segundo ela, muitas universidades estrangeiras valorizam não só o desempenho acadêmico, mas também o envolvimento dos estudantes em atividades sociais, comunitárias e de liderança.
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“Minha experiência com o Grêmio Estudantil foi essencial. Diferentemente do Brasil, em outros países as universidades avaliam muito o engajamento social. Elas querem saber o que você fez além das obrigações escolares. Cheguei até a receber uma bolsa de liderança por conta do meu engajamento enquanto presidente do Grêmio.”
Por isso, ela incentiva outros estudantes a aproveitarem as chances oferecidas pela escola. “Tive muita sorte porque havia muitas oportunidades diferentes na Educar-se. Recomendo participar do máximo de atividades possível enquanto estiver na escola.”
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Atuação durante as enchentes
A experiência de liderança ganhou ainda mais relevância durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Na época, Keyla presidia o Grêmio Estudantil e participou da mobilização de ações solidárias voltadas às famílias afetadas.
“Aproveitamos o engajamento que o Grêmio já possuía para mobilizar doações e reunir voluntários da escola para atuar nos pavilhões que acolhiam famílias afetadas pelas enchentes. Foi uma experiência muito significativa, que mostrou a força da solidariedade e da união comunitária em tempos de dificuldade.”
A vivência deixou aprendizados que ela leva para a vida. “Aprendi que pequenas ações podem fazer diferença e o quanto podemos ajudar quando nos unimos.”

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