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ASTOR WARTCHOW

É mais que futebol

Quando estudante no Colégio Mauá (1968–1975), especialmente no período ginasial, nos dias de aulas de Educação Física (à conta do sempre gentil professor Dirceu Dahmer), em ocorrendo mau tempo frequentávamos o auditório.

Assistíamos a filmes alemães sobre treinamento físico e técnicas de futebol. Como se cobra um escanteio, como se “bate” uma falta, movimentações táticas e outras ações típicas. Não só futebol, também movimentos de basquete, de vôlei e de ginástica olímpica. Quantos filmes brasileiros de treinamentos técnicos e táticos você conhece?

O gaúcho Claudio Coutinho (1939–1981) foi preparador físico e treinador do Flamengo e da Seleção Brasileira nos anos 70-80. Destacou-se pelas inovações e conceitos revolucionários que pregava aos nossos atletas. Muitas vezes, foi injustamente ironizado.

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Em determinado momento, ficou famosa sua expressão “ponto futuro” (overlapping). Especialmente com os laterais, Coutinho insistia na compreensão dos atletas acerca da movimentação sem bola, prevendo a ocupação do espaço seguinte, na expectativa do passe do colega, e de modo a surpreender o adversário.

Salvo raras exceções no futebol brasileiro, a ocupação estratégica do campo (movimentação sem bola) não existe. Infelizmente, o jogador brasileiro não sabe jogar sem bola. Ou seja, fica quase que imóvel na espera do passe do colega. Essa conduta limita o desempenho coletivo e facilita a marcação do adversário.

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Por que recupero essas lembranças e convicções? Porque em nenhum momento criei expectativas positivas sobre nosso provável desempenho na Copa do Mundo. Assim como desacreditei a idealizada contratação de Ancelotti. Uma personalidade resultante de outra realidade social, cultural e financeira, e sobretudo esportiva.

Em nenhum dos jogos o Brasil foi convincente. Os historicamente limitados Marrocos e Japão deram um show de movimentação e de ocupação de “pontos futuros”, superando suas limitações técnicas com dedicação e movimentação. Constrangendo nossos “galáticos” jogadores.

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Mas o jogo mais patético e (mau) exemplar foi contra a Noruega. Nosso time recuado o tempo todo (em modo 4-4-2), como se fosse um aspirante apavorado com a potência adversária. A modesta Noruega “ficou” com a bola nos pés mais de 70% do tempo, como se estivesse jogando contra garotos.

Esse posicionamento tático foi uma decisão do técnico. Resultou num time sem audácia, sem autoestima, sem energia, sem memória histórica, ignorando e menosprezando o significado psicossocial do futebol nacional. Deu no que deu!

Mundo paralelo. Faz algum tempo, numa entrevista, um técnico brasileiro afirmou o seguinte: “Os jogadores não confraternizam mais, não se reúnem no pós-treino, não ficam de papo ou jogando sinuca. Ao fim dos treinamentos, imediatamente voltam aos seus quartos”.

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Significado oculto: redes sociais!

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