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AGRICULTURA

Juventude busca inovação para permanecer no meio rural

Celebrado nesta quarta-feira, 15, o Dia da Juventude Rural reacende o debate sobre como garantir que as novas gerações encontrem oportunidades no campo sem romper seus vínculos com a terra. No Brasil, cerca de 7,1 milhões de jovens de 15 a 29 anos vivem em áreas rurais, segundo o IBGE. Para além do aspecto familiar, a permanência desse público depende do acesso à educação, conectividade, renda e qualificação.

Nesse cenário, o Instituto Crescer Legal, fundado em 2015 com sede em Santa Cruz do Sul, atua com aprendizagem profissional rural para adolescentes na Região Sul. A iniciativa combina cidadania, gestão e empreendedorismo para que os jovens identifiquem potencialidades em suas comunidades. O foco é ampliar as perspectivas de futuro e apresentar o meio rural como espaço viável para o desenvolvimento de carreiras.

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Uma pesquisa de impacto inédita, feita pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) em 2025, comprova a eficácia desse modelo de formação. De acordo com o estudo, 80% dos egressos do curso de Gestão Rural e Empreendedorismo ampliaram seus conhecimentos técnicos e 72% identificaram novas frentes de atuação profissional. O levantamento revela ainda que 49% dos jovens demonstraram maior interesse em permanecer no campo.

A análise mostra que a sucessão familiar ganhou novos contornos, com 48% dos entrevistados mais dispostos a dar continuidade aos negócios dos pais. Segundo a gerente do Instituto Crescer Legal, Nádia Fengler Solf, a permanência no campo deve ser vista sob uma ótica ampla. Ela destaca que a juventude rural precisa ser tratada como protagonista, tendo acesso a ferramentas que viabilizem a inovação e a qualidade de vida no interior.

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Formação profissional gera negócios

Histórias de jovens acompanhados pelo instituto no Paraná e em Santa Catarina revelam como a qualificação técnica se transforma em novos negócios e sustentabilidade. Em Itaiópolis (SC), Beatriz Max usou o aprendizado de gestão para instalar placas solares na propriedade da família, após captar recursos em um programa de fomento à inovação rural. Conciliando a faculdade de Pedagogia com o trabalho no campo, ela contribuiu para tornar o lar mais eficiente.

Beatriz: inovação para ajudar a família. Foto: Instituto Crescer Legal/Divulgação

Também em Santa Catarina, Lauani de Fátima Dolla fortaleceu seu vínculo com a terra e hoje integra um grupo voltado ao protagonismo feminino no campo, projetando o futuro no legado do pai. Já em São João do Triunfo (PR), Luís Fernando Gordia transformou a afinidade com a informática em profissão autônoma. Ele identificou a carência de assistência tecnológica na sua região e passou a prestar serviços de suporte digital e emissão de notas fiscais eletrônicas para produtores.

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Na mesma cidade paranaense, Murilo Chaves aliou o empreendedorismo à barbearia, ao criar um plano para atender clientes em comunidades do interior. O jovem montou seu próprio espaço de atendimento e expandiu os serviços para localidades rurais vizinhas, gerando renda sem precisar migrar para a cidade.
Esses casos exemplificam como a inovação descentraliza serviços essenciais e dinamiza a economia nas pequenas localidades.

Abrangência

O Instituto Crescer Legal é uma iniciativa do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e de suas empresas associadas. A entidade se consolidou como pioneira ao implementar a aprendizagem profissional rural de forma contextualizada à realidade dos jovens. Atualmente, o programa atende adolescentes em 25 municípios dos três estados da Região Sul do País.

Para a coordenação do instituto, o Dia da Juventude Rural reforça a urgência de políticas e ações integradas que garantam a conectividade e educação de qualidade no campo. A experiência mostra que, ao receber estímulo para elaborar projetos de vida, os jovens passam a enxergar a propriedade rural não como uma limitação, mas como um polo de oportunidades.

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