A confirmação de uma sobretaxa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta para a economia do Vale do Rio Pardo. A medida atinge diretamente o tabaco, principal produto de exportação da região, e pode dificultar novos contratos, reduzir a competitividade no mercado norte-americano e impactar a renda de milhares de produtores rurais.
Os Estados Unidos figuram historicamente entre os principais destinos do tabaco brasileiro. Embora representem cerca de 9% das exportações do setor, o mercado já vinha apresentando retração antes mesmo da nova tarifa, reflexo das incertezas comerciais entre os dois países.

Exportações para os EUA já registravam queda
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que, em 2025, as exportações brasileiras de tabaco para os Estados Unidos somaram US$ 195,3 milhões, uma redução de 23,4% em relação aos US$ 255 milhões registrados em 2024.
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O cenário ficou ainda mais desafiador em 2026. No primeiro semestre, os embarques alcançaram US$ 88,8 milhões, representando uma queda de 31% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Para o SindiTabaco, a nova tarifa tende a ampliar as dificuldades enfrentadas pelo setor. “Medidas tarifárias dessa natureza afetam contratos, planejamento e renda de produtores”, destacou a entidade.
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Fiergs defende negociação e medidas de apoio
O Sistema Fiergs lamentou a decisão do governo norte-americano e alertou para os impactos sobre a indústria gaúcha, especialmente em segmentos com forte presença nas exportações aos Estados Unidos, como tabaco, calçados, madeira, armas e munições.
O presidente da entidade, Claudio Bier, defende que o governo brasileiro mantenha as negociações diplomáticas para tentar reverter a medida ou ampliar a lista de produtos isentos da sobretaxa.
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“É fundamental que o governo brasileiro mantenha as negociações com as autoridades norte-americanas para buscar a reversão dessa medida e ampliar a lista de exceções.”
Caso a tarifa seja mantida, Bier avalia que será necessário adotar medidas compensatórias para reduzir os impactos sobre os setores atingidos.
Entre as alternativas sugeridas estão:
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- criação de linhas especiais de crédito;
- políticas de apoio às empresas exportadoras;
- programas de incentivo semelhantes aos adotados em momentos anteriores de crise.
“O momento exige uma atuação coordenada”, afirmou.
ACI alerta para efeitos na economia regional
Embora o impacto direto sobre as empresas associadas seja considerado limitado, a Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz do Sul acompanha a situação com preocupação.
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O presidente da entidade, Marco Borba, lembra que a ACI atua na certificação de procedência de produtos destinados à exportação e mantém estreita relação com a cadeia produtiva do tabaco. Segundo ele, decisões comerciais desse porte acabam afetando todo o ambiente econômico. “Sabemos que decisões dessa natureza reverberam além dos setores diretamente taxados. Elas impactam competitividade, planejamento de investimentos e a confiança no comércio bilateral.”
Borba ressalta que o peso histórico do tabaco para a economia regional torna o assunto ainda mais sensível. “Defendemos que o caminho seja o diálogo institucional entre os governos, com prevalência dos canais multilaterais de solução de controvérsias, evitando uma escalada de retaliações que penaliza empresas e trabalhadores dos dois lados.”
O dirigente também destaca a importância de ampliar mercados internacionais. “Esse cenário reforça a necessidade de empresas gaúchas e catarinenses diversificarem seus destinos de exportação e agregarem valor à produção, reduzindo a dependência de decisões unilaterais de qualquer parceiro comercial.”
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Entenda a evolução das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos passou por diferentes mudanças tarifárias nos últimos meses.
Abril de 2025
- Os Estados Unidos anunciaram tarifas recíprocas de 10% para diversos países.
Agosto de 2025
- A tarifa sobre produtos brasileiros foi elevada para 50% (10% mais sobretaxa de 40%), mantendo uma lista de aproximadamente 700 produtos isentos.
Fevereiro de 2026
- A Suprema Corte dos Estados Unidos suspendeu essas tarifas.
Após a decisão
- O governo norte-americano adotou uma tarifa temporária de 10% para produtos de diversos países.
Junho de 2026
- O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu investigação baseada na Seção 301 e recomendou uma tarifa adicional de 25% exclusivamente sobre produtos brasileiros, medida posteriormente confirmada pelo governo dos Estados Unidos.
Próximo passo
- Uma nova tarifa complementar de 12,5% segue em análise e poderá entrar em vigor até março do próximo ano para produtos brasileiros e de outros países.
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