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TURISMO

Diretora executiva do Quarta Colônia Geoparque Mundial da Unesco destaca a importância da iniciativa

Eduarda com o certificado do Curso Intensivo Internacional de Geoparques Mundiais da Unesco, realizado na Ilha de Lesvos, Grécia

As belas paisagens naturais, os fósseis de dinossauros entre os mais antigos descobertos no mundo, a cultura, a receptividade e o grande interesse da comunidade acadêmica e em geral estão entre as bases que fomentam o Quarta Colônia Geoparque Mundial da Unesco. Formado por nove municípios da Região Central, ganhou amplitude e visibilidade internacional com o reconhecimento pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2023.

Os Geoparques são territórios formados por um ou mais municípios, reconhecidos pela Unesco como regiões que possuem importância científica, cultural, paisagística, geológica, arqueológica, paleontológica e histórica. A iniciativa e gestão na Região Central é do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (Condesus), que contou com apoio e cogestão da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) até 2023. Atualmente a UFSM possui um acordo de cooperação.

Mas, o trabalho de extensão e pesquisa no local é anterior, com expressivo número de estudiosos e pesquisadores, além de lideranças em geral e da comunidade, que fazem, há décadas, da Quarta Colônia, um destino de muitas possibilidades.

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Integrantes da equipe de gestão do Geoparque Quarta Colônia e avaliadores da Unesco

A sobradinhense Eduarda Caroline Brum, natural da localidade de Linha Herval, é a diretora executiva do Geoparque Quarta Colônia desde novembro de 2025. Em entrevista à Gazeta, a doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), relembrou sua trajetória estudantil, iniciada na EMEB Flor Fabricio Ceretta, em Arroio Bonito, seguindo na EMEB Seomar Mainardi, no Bairro Rio Branco, e vindo a cursar o Magistério na EEEB Padre Benjamim Copetti, ambas em Sobradinho. Posteriormente, graduou-se em Licenciatura em Geografia pela UFSM, onde também concluiu o Mestrado e cursa o terceiro ano do Doutorado.

Eduarda em entrevista à Rádio Gazeta FM 96.1

Questionada de onde surgiu a paixão pela Geografia, Eduarda revelou que foi uma coincidência. “Em um primeiro momento, eu queria ser professora de Artes. No primeiro vestibular que fiz, não passei, e aí comecei a me reconectar no cursinho (que fiz na Oficina do Estudo), com o professor de Geografia, com a própria disciplina… e fui, deu certo, e cada vez eu me apaixonei mais. Logo no primeiro semestre da faculdade, ingressei em um projeto que trabalhava a educação para um Geoparque Mundial da Unesco, em Caçapava do Sul. Então, já no primeiro ano, em 2018, eu estava desenvolvendo atividades de geoeducação, que é um dos pilares para que um lugar se torne um Geoparque Mundial da Unesco.”

A jovem, atualmente com 27 anos, relatou que essa aproximação desde o início da graduação despertou ainda mais o gosto pela área e se tornou fonte de pesquisa para as diversas atividades da graduação e das formações seguintes. “Agora, no Doutorado, abri para uma pesquisa mais ampliada, com geoparques de Língua Portuguesa. Pesquiso atividades desenvolvidas nos geoparques do Brasil e de Portugal para crianças com deficiência. Estar no Geoparque Quarta Colônia, ter as oportunidades que tive nesse ano, de viajar para a Grécia e Portugal, conheci muitas dessas pessoas que necessitava entrevistar para dar seguimento a minha pesquisa e também os grandes nomes da área que criaram o próprio conceito de Geoparque”, destaca Eduarda.

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A experiência internacional ocorreu no primeiro semestre deste ano, com a participação no Curso Intensivo Internacional de Geoparques Mundiais da Unesco, realizado entre os dias 15 e 25 de maio, na Ilha de Lesvos, na Grécia, seguindo para Arouca, em Portugal, onde participou do I Fórum de Geoparques Mundiais da Unesco da CPLP, de 27 a 30 maio. A segunda edição deste evento será sediada na Quarta Colônia, em 2028.

A rede mundial é composta por 241 geoparques, em 51 países. No Rio Grande do Sul, concentram-se o Geoparque Quarta Colônia, o Caminhos dos Cânions do Sul Geoparque Mundial da Unesco e o Caçapava Geoparque Mundial da Unesco. Além destes, o Brasil possui mais três, sendo: Araripe Geoparque Mundial da Unesco (Ceará); Seridó Geoparque Mundial da Unesco (Rio Grande do Norte); e Uberaba Geoparque Mundial da Unesco (Minas Gerais).

Geossítio Cascata Cara de Índio, em Ivorá

Conforme Eduarda, para que um geoparque seja reconhecido com selo mundial da Unesco, é necessário que tenha uma gestão articulada. “Neste caso, a gente fala que o Geoparque só existe por causa do Condesus, que é o Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia, o qual abrange os nove municípios que compõem o território (Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Sêca, São João do Polêsine e Silveira Martins). O Condesus completou 30 anos na semana passada e é o primeiro Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Brasil. Neste sentido, os nove prefeitos da região já eram articulados em questão territorial. Foram desenvolvidos inúmeros projetos. O primeiro passo é fazer um inventário geológico do território, que foi feito pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). A iniciativa partiu do Condesus e da UFSM. Então, em 2019, a Universidade coloca os projetos de geoparque como uma estratégia de desenvolvimento dela própria, e aí os professores, os técnicos, vão para o território e passam a desenvolver, junto com a comunidade, essa estratégia.”
Além dessa gestão, a diretora ressalta que o principal é ter um patrimônio de relevância internacional, o que, na Quarta Colônia, está atrelado aos fósseis de dinossauros mais antigos já descobertos no mundo. “Seguidamente as descobertas aparecem nas notícias, de animais que viveram na Quarta Colônia. A gente tem seis sítios fossilíferos, com atuação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA) da UFSM, que fica ao lado do escritório do Condesus.”

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Trabalho paleontológico

Eduarda destacou que a ideia de geoparques surgiu na Europa: “E a Unesco começou a apoiar e colocar como um projeto de desenvolvimento territorial deles. Dentro da Unesco está a Global Geoparks Network (GGN), que é a rede global de geoparques da qual nós fazemos parte. Por isso que temos esse contato internacional, porque, no momento que você pretende ser um geoparque, envia-se um dossiê de candidatura mostrando tudo o que existe no território, como cultura, gastronomia, paleontologia, biodiversidade. Primeiro analisam se tem potencial e enviam avaliadores. Na Quarta Colônia, dois avaliadores vieram em 2022, e em 2023 a gente recebeu o certificado de Geoparque Mundial da Unesco. Agora, quatro anos depois, avaliadores voltaram ao território para a revalidação do selo, o que ocorreu em julho. Estamos no aguardo do retorno desta avaliação, o qual se dá com três opções: verde (continua com o selo), amarelo (necessário melhorar alguns quesitos em dois anos) e o vermelho (que perde o selo), mas estamos confiantes que vamos receber o cartão verde, porque foi muito positiva a avaliação deles do território. O feedback inicial deve vir em novembro, mas a resposta final sai apenas em abril do ano que vem”.

Eduarda durante a recepção aos avaliadores da Unesco neste ano

Ainda segundo a diretora, registrou-se expressivo aumento no turismo após a certificação. Eduarda ressalta: “O turismo é a nossa engrenagem”, sendo o reconhecimento internacional um impulso que amplia a visibilidade da região e suas características, estimulando a valorização do que já existe e fomentando a criação de novos roteiros e produtos relacionados.

O escritório do Geoparque Quarta Colônia está situado em São João do Polêsine, mas, conforme ressalta Eduarda, os atrativos estão espalhados pelos nove municípios. É possível saber mais acessando o site www.geoparquequartacolonia.com.br ou as redes sociais oficiais.

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