Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

ELEIÇÕES 2026

VÍDEO: Maranata destaca habilidade para negociação; confira a entrevista completa

 

O segundo candidato ao governo do Estado a participar da série de entrevistas da Gazeta Grupo de Comunicações é o tucano Marcelo Maranata. Natural de Camaquã, ganhou notoriedade como prefeito de Guaíba, onte teve alto índice de aprovação, conquistando 78,18% dos votos válidos na candidatura à reeleição no município da Região Metropolitana.

Tendo Cláudio Diaz (PSDB) como vice em sua chapa, ele apontou como incentivo à cadeia produtiva do tabaco a possibilidade de ampliar a quantidade de produtos fabricados no Brasil, como a nicotina líquida, mesmo que eles ainda não sejam regularizados no País – apenas como potencial de exportação. “Isso vai dar maior valor agregado para o agricultor e para toda a cadeia da fumicultura”, justifica.

Publicidade

Como incremento ao projeto de transformar Santa Cruz do Sul em polo logístico, aponta meios como a utilização de trem e barcos. “Podem atravessar o Vale do Rio Pardo, entrar pelo Jacuí e chegar a Porto Alegre, embarcando em navios para o Porto de Rio Grande.” Também ressaltou que Guaíba atraiu o maior centro logístico do Estado.

Na conversa com a Gazeta do Sul, atribui essa e outras conquistas à capacidade de negociação, como empresário do setor varejista que é. Além disso, reforça que não tem vinculação com candidatos à Presidência da República, o que, acredita, lhe credencia a ter um diálogo mais tranquilo. “O governador tem que estar perto das pessoas. Tem que sentar na cadeira do empresário, buscar empresários para o Rio Grande do Sul. Tem que ser proativo e negociar com o governo federal”, opina.

Entrevista

Marcelo Maranata
Candidato ao governo do Estado

Publicidade

Gazeta do Sul – O Vale do Rio Pardo, essencialmente Santa Cruz do Sul, tem sua economia baseada na produção do tabaco. De que forma o senhor acredita que o Estado pode ajudar esse setor?

Marcelo Maranata – Venho de Camaquã, que vive com essa angústia. E aqui já vai a minha solidariedade ao pequeno e médio agricultor, que estava com o tabaco a R$ 300,00, foi baixando para R$ 200,00, depois para R$ 180,00, e enfrentamos essa angústia. Mais de 80% dos nossos agricultores estão endividados. É uma dívida gigante, e esse agricultor precisa do suporte do Estado. Precisamos de um Estado que olhe para ele, que crie um fundo condicional. Aposto na criação de um fundo constitucional pelo Banrisul.

O Banrisul tem a oportunidade de trazer juros mais baixos ao pequeno e médio agricultor do Estado. O lucro do banco foi de quase R$ 4 bilhões, e eu aposto num fundo garantidor para que possamos emprestar recursos aos agricultores e ter o Banrisul como um grande fomento da nossa economia e do agro.

Publicidade

A região do tabaco vem sofrendo há muito tempo. Cada vez que temos uma COP – agora vamos para a COP-12 –, é uma angústia do agricultor de não ter ninguém que o defenda lá. Então, um presidente da República, um governador do Estado, nossos deputados precisam estar atentos nessa missão quando se reúne o mundo para definir o futuro de uma região, mesmo sem saber as dificuldades e os anseios.

Nesse cenário, o que poderia ser feito para assegurar o fortalecimento da indústria e a geração de divisas?

É inaceitável que ainda tenhamos que brigar e trazer para o Brasil produtos que poderiam ser fabricados aqui. Um dos grandes desafios é fazer a transformação da indústria, principalmente a do tabaco, para que ela possa fazer tudo que puder aqui. Atualmente, não somos autorizados a produzir, por exemplo, a nicotina líquida. Não falamos do consumo no Brasil, que ainda não é regulamentado, mas o mundo inteiro está consumindo e nossa região tem capacidade de extrair essa nicotina para exportá-la.

Publicidade

Isso vai dar mais valor agregado ao agricultor e a toda a cadeia da fumicultura. Então, é necessário ter esse olhar para o pequeno e o médio agricultor. Também é importante olhar uma região inteira, que vive com a força dessa economia. Existem condições de, inclusive, se ter um polo logístico para atender a essa demanda. E aquilo que não for possível consumir internamente – e que a nossa indústria não tenha condições de fazer –, que seja possível exportar e com um valor adequado.

Geograficamente, Santa Cruz do Sul tem tudo para ser um polo logístico, mas encontra dificuldades estruturais. De que forma o Estado pode auxiliar nesse sentido?

Como prefeito de Guaíba, fui o administrador que mais executou obras na história. Antes sem hospital e endividada, a cidade hoje conta com a maior unidade de urgência, emergência e traumatologia do Rio Grande do Sul. O município, que enfrentava graves problemas de segurança pública, é o décimo mais seguro do Estado. Também atraímos para lá o maior centro logístico gaúcho. Trata-se da vivência de quem compreende as demandas do setor produtivo e constrói um ambiente propício para negociações. Garantimos a instalação da Aeromot, primeira fábrica de aeronaves do município, o maior aporte privado do Estado. Essa conquista resulta do cotidiano de quem atua no setor empresarial e vivencia a rotina de quem empreende e trabalha diariamente.

Publicidade

Essa bagagem como comerciante e microempresário levou-me a alcançar a maior aprovação entre os prefeitos do Sul do País. Promovemos uma ação marcante no município ao adquirir uma usina própria de asfalto. Com esse investimento, fomos a gestão que mais pavimentou vias na história da cidade, cobrindo 350 ruas.

Compreendo de forma clara como transformar o Rio Grande do Sul a partir dessa vivência municipal. A realidade do País manifesta-se nas prefeituras e no cotidiano das cidades. É nelas que a vida ocorre, não no Palácio Piratini. Um governador precisa manter-se próximo da população. Deve agir com proatividade, colocar-se no lugar do empresário, atrair investimentos para o Estado e negociar de maneira firme com a União.

A conclusão do lote 4 do Porto de Rio Grande depende de parceria com o governo federal. Da mesma forma, os avanços na RSC-453, na ERS-153 e na RSC-130 exigem cooperação com a esfera federal. Talvez tenhamos de retomar o pagamento da dívida. O chefe do Executivo gaúcho deve negociar independentemente de quem ocupe a Presidência da República, seja de esquerda ou de direita, e demonstrar habilidade política à margem do governante no Palácio do Planalto. Considero essa uma das minhas principais virtudes: fui o prefeito que mais captou recursos na história de Guaíba. Sem apadrinhamento de Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva ou Eduardo Leite, alcancei esse espaço com trabalho, visão empreendedora e gestão voltada às pessoas.

O que o senhor pensa e de que forma atuaria para minimizar os efeitos de eventuais cheias e estiagens que podemos ter pela frente?

Fui presidente da Granpal (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre), maior entidade composta por prefeitos do Estado, junto com o prefeito [Sebastião] Melo, de Porto Alegre. Nós somos 19 municípios, 40% do PIB está na nossa associação. Queríamos que fosse usado o recurso de R$ 6,6 bilhões que atualmente está depositado na conta do governo estadual. Desafiei o vice-governador. Disse a ele: ‘Eu quero que você me pegue aqui depois do debate e me leve numa obra pronta com o dinheiro no caixa.’ Isso é de quem não tem senso de responsabilidade e eu não vou falar aqui da enchente, da insegurança e dos problemas que o Estado teve, porque eu vivi isso não olhando pela televisão, olhando de helicóptero, andando de lancha. Enfrentamos a situação ao lado de 60 mil pessoas de Guaíba que perderam tudo.

Nós tivemos a primeira enchente que destruiu três bairros da nossa cidade, foram mais de mil caminhões de resíduos. Depois veio de novo, em novembro. Havíamos terminado de arrumar a cidade, e veio tudo de novo em maio, quando 60 mil pessoas perderam tudo. E ainda acolhemos 20 mil pessoas de Eldorado do Sul. Isso é em caráter de urgência, é pauta número um do governador. Precisamos dar prioridade para essas necessidades, porque a burocracia não pode vencer as pessoas.

No Estado, os entraves burocráticos sobrepõem-se às necessidades dos cidadãos. O período de calamidade pública não foi utilizado para dar celeridade aos processos licitatórios e ao início das intervenções.

De que forma o senhor pretende minimizar as filas da saúde?

Nós não tínhamos hospital em Guaíba e hoje somos a maior urgência e emergência do Estado, além da maior traumatologia. Investimos muito no município e sei muito bem como dar atenção à saúde. Quem pretende governar o Rio Grande do Sul, com suas 497 cidades, precisa ter administrado pelo menos uma. Pergunto aos meus adversários: ‘Qual cidade vocês administraram? Qual empresa gerenciaram?.’

Quero ver como é o posto de saúde, a escola e o hospital nessas localidades. Nós não tínhamos atendimento hospitalar. Trata-se do olhar de quem já fez. Da mesma forma como atuamos na área municipal, faremos na saúde estadual. A minha proposta é regionalizar. Hoje é inaceitável que um paciente saia de Torres para fazer um tratamento em São Borja.

É inadmissível atravessar o Estado em uma ambulância, correndo risco de morte, doente e debilitado, porque o governo não utilizou de forma inteligente uma rede de apoio dividida em sete regiões. A minha proposta é que cada uma dessas sete regiões conte com todas as especialidades e que o Estado reúna os profissionais para fixar cidades de referência dentro de um raio de atuação – uma em traumatologia, outra em cardiologia –, garantindo o atendimento próximo. Devemos descentralizar a regulação central por meio das 18 coordenadorias regionais.

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.