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PREVENÇÃO

Lente Climática ajuda municípios do Vale do Rio Pardo a identificar riscos climáticos

Presidente do Cisvale e prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker destacou benefícios | Foto: Bruno Pedry/Nascimento MKT

A elaboração de um diagnóstico para identificar riscos, orientar prioridades e preparar os municípios para os impactos das mudanças climáticas entrou na agenda de resiliência do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale). Para isso, os participantes tiveram acesso à Lente Climática, metodologia vinculada ao AdaptaCidades que propõe uma leitura detalhada de cada território a partir das ameaças atuais e futuras, das áreas e populações expostas, vulnerabilidades e capacidade de prevenção, resposta e recuperação.

Com a construção dessa etapa de forma conjunta, o objetivo é reunir elementos que subsidiem os Planos Municipais de Adaptação à Mudança do Clima e orientar decisões diante de eventos como inundações, enxurradas ou estiagens. Segundo o engenheiro ambiental Roberto de Monte Baccar Pilz, responsável pela apresentação, a ferramenta vai além da compilação de dados ao propor o cruzamento entre ameaça, exposição, vulnerabilidade e capacidade adaptativa para compreender o perigo real em cada localidade. 

A primeira fase do trabalho consiste no levantamento das informações. Depois há a triagem das fontes e integração dos registros históricos, territoriais, populacionais e atmosféricos, resultando em mapas, indicadores, setores críticos, cenários e lacunas a serem preenchidas.

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“A Lente Climática nos ajuda a olhar o município com os ‘óculos do clima’. Não basta saber que determinado evento ocorreu; precisamos entender onde aconteceu, quem foi atingido, com que recorrência, quais estruturas estão expostas e qual é a capacidade existente para prevenir e responder”, destaca Pilz, membro da Câmara do Meio Ambiente do Cisvale. Ao organizar esses dados, segundo ele, é possível transformá-los em diagnósticos, traçar prioridades e medidas concretas.

Para saber

O AdaptaCidades faz parte do Programa Cidades Verdes Resilientes, política federal para aumento da qualidade ambiental e da resiliência das cidades diante dos impactos da mudança climática. O programa articula o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério das Cidades e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com ações destinadas, entre outros objetivos, a fortalecer a capacidade dos entes federativos para qualificar diagnósticos, planejamento, governança e projetos de adaptação climática. O programa foi estruturado para apoiar 581 municípios, abrangendo cerca de 52 milhões de pessoas, com suporte à construção de planos de adaptação às mudanças do clima.

Trabalho conjunto

A iniciativa envolverá diferentes setores das prefeituras, incluindo registros da Defesa Civil, relatórios ambientais e de saneamento, dados da Assistência Social sobre populações vulneráveis, estatísticas da Saúde ligadas a eventos extremos, planos diretores, zoneamento, mobilidade, além de informações do meio rural, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de instituições de ensino e pesquisa.

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A diretora-executiva do consórcio, Léa Vargas, diz que essa articulação é crucial. “Os municípios possuem muito conhecimento sobre seus territórios, mas as informações muitas vezes estão em secretarias, sistemas e bases diferentes. Nosso papel é contribuir para que esse conteúdo seja organizado, compartilhado e transformado em uma leitura técnica comum.” A mobilização é considerada estratégica porque o Vale do Rio Pardo foi incluído no AdaptaCidades, projeto para dar suporte às demandas.

 

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