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VÍDEO: Gabriel Souza destaca incentivo a produtores; confira a entrevista completa

Atual vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza (MDB) morou em Santa Cruz do Sul durante cerca de duas semanas, quando da catástrofe climática ocorrida em 2024. Aponta esse período como diferencial para entender demandas regionais, como a importância da cadeia produtiva do tabaco e a necessidade de um aeroporto regional com capacidade.

Sobre a agricultura familiar, ele relembra os investimentos feitos pelo governo de Eduardo Leite, como o programa de recuperação de solo, danificado na enchente de 2024. Lamenta o fato de que a União dificulta o acesso ao crédito agrícola para esse setor produtivo e alerta que tal atitude incentiva o contrabando. “Toda vez que aperta o cerco ao tabagismo formal – ou seja, na indústria formalizada, que gera emprego aqui –, tu tens um aumento do contrabando, vindo em especial do Paraguai”, exemplifica.

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Além disso, dentro do que a região conta como infraestrutura, diz entender a relevância de um aeroporto regional, como parte da rede multimodal de logística que é beneficiada pela posição geográfica de Santa Cruz do Sul. A duplicação da RSC-287, de forma mais rápida do que vinha sendo feito pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), é outro fator que influencia positivamente para isso.

E sobre o assunto que tem ganhado destaque nos debates políticos – a minimização de danos causados pelos fenômenos climáticos –, o candidato elenca ações que têm tornado o Estado mais resiliente, como os 150 quilômetros de diques em Porto Alegre e viadutos na região de Agudo, dando fluidez para a água.

Entrevista

Gabriel Souza
Candidato ao governo do Estado

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Gazeta do Sul – De que forma o senhor acredita que o Estado pode auxiliar a cadeia produtiva do tabaco?

Gabriel Souza – O governo federal deliberou por não permitir o acesso a crédito agrícola para produtor de tabaco. O governo do Estado, ao contrário disso, fez políticas públicas que também alcançaram o produtor de tabaco – por exemplo, colocamos no programa Terra Forte. Cada produtor sabe que esse programa é realmente estratégico para melhorar a qualidade do solo e produzir mais.

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Precisamos muitas vezes comprar insumos para o solo, como calcário, e isso é viabilizado. Em especial depois das enchentes, quando a água levou a camada fértil do solo de boa parte das propriedades gaúchas. Então, apoiamos o produtor. Isso é um exemplo para mostrar que somos favoráveis à produção de tabaco aqui no Rio Grande do Sul e à indústria do tabaco. Não temos mimimi.

Somos 100% favoráveis, porque uma coisa é a produção e o plantio; outra, o consumo, o tabagismo. E toda vez que aperta o cerco ao tabagismo formal – ou seja, na indústria formalizada, que gera emprego aqui –, tu tens um aumento do contrabando, vindo em especial do Paraguai. É cigarro contrabandeado que ninguém sabe o que tem dentro.

Nós queremos continuar e ampliar essas políticas de apoio à agricultura familiar e, principalmente, à questão do produtor de tabaco, para que continuemos sendo um dos grandes exportadores do mundo desse produto, que é um dos principais da nossa pauta no Rio Grande do Sul, gera muito emprego e renda. Pode ter certeza que vamos cada vez mais incentivar o produtor, seja qual for a cultura que ele produza, onde está incluído também o tabaco. Sei da importância dessa cultura aí no Vale do Rio Pardo.

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Geograficamente, Santa Cruz pode se transformar em polo logístico. O que o Estado pensa sobre isso e como pode auxiliar?

Vamos por partes. A primeira é a questão do aeroporto. Se algum gestor público gaúcho sabe da importância desse aeroporto, esse sou eu. Se algum candidato a governador nessa eleição sabe da importância desse aeroporto, sou eu. Por quê? Explico. Nas enchentes, foi fundamental, eu estava lá. Foi quando chamamos o pessoal da aviação agrícola e outros, que usaram muito o aeroporto para trazer doações, mantimentos e medicamentos do Brasil inteiro.

Montamos um centro logístico aéreo ali para os aviões, enquanto o gramado do campo de futebol da Unisc foi o heliponto, onde pousavam os helicópteros das forças de segurança e os privados, cedidos pelos empresários. O que eu quero dizer sobre a questão aeroportuária do Estado? Hoje o Rio Grande do Sul é um dos estados brasileiros que mais tem voos regionais.

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Como é possível incentivar a aviação regional?

Temos um incentivo no combustível de aviação para companhias aéreas que mantêm mais do que três linhas para o interior do Rio Grande do Sul, como acontece nos aeroportos de Passo Fundo, Pelotas e Santo Ângelo. São linhas de Porto Alegre para aeroportos como esses ou de aeroportos do interior para São Paulo e outros lugares. Também concedemos os aeroportos de Passo Fundo e de Santo Ângelo. Ganhou uma empresa gaúcha que, por sinal, vai investir mais de R$ 100 milhões nos dois locais. Nós fizemos uma série de benfeitorias e estamos apoiando uma obra que é liderada pela Prefeitura de Santa Rosa.

Havia uma série de aeroportos que precisavam de investimento e concessões ou novas cessões de uso, e o governo do Estado, nessa gestão, viabilizou. Então, tenho condições sim de viabilizar melhorias no Aeroporto de Santa Cruz do Sul em parceria com a Prefeitura e o governo federal. Conheço o assunto e, sim, é possível fazer alguns investimentos em parceria com esses entes federados, exatamente para melhorar a capacidade logística da região, que tem conexão também com a rodovia.

E em relação ao modal rodoviário?

A 287 é uma rodovia que, no trecho Santa Cruz do Sul, na travessia urbana, já foi duplicada. Estamos duplicando agora até Venâncio Aires – são mais 30 quilômetros, 12 já feitos em Santa Cruz e mais 30 sendo executados até Venâncio Aires. Então, é uma rodovia que tem concessão, e sou favorável às concessões, acho que é o jeito. O Estado nunca conseguiria fazer essas duplicações. A EGR [Empresa Gaúcha de Rodovias], em 14 anos de existência, duplicou meros sete quilômetros.

Se é para conceder rodovia, não podemos conceder para nós mesmos, né? Porque foi isso que aconteceu na EGR. É uma empresa estatal, é a única no mundo, praticamente. Não se tem notícia de outra empresa estatal, 100% pública, que é concessionária de uma rodovia. Tu sabes que nem na China comunista isso existe? No Rio Grande do Sul, o governo do PT, o último governo do PT aqui, criou uma estatal que é concessionária de rodovias. Em outras palavras, o Estado decidiu conceder rodovias para quem? Para ele mesmo.

Isso tudo é verdade, reconheço que não é uma concessão perfeita, mas vamos ser francos: essa duplicação até Venâncio, e que já foi feita ali em Santa Cruz do Sul, a EGR demoraria décadas para fazer. Em 14 anos, duplicou sete quilômetros. A Sacyr, em menos de cinco, está duplicando 42 quilômetros.

O que o seu plano de governo projeta para minimizar os efeitos dos fenômenos climáticos, como cheias?

Essa pergunta é muito boa. Se você vai entrevistar os demais candidatos, com o devido respeito a eles e a ela, a verdade é que eles não têm proposta sobre quase nenhuma área, infelizmente. Nós temos algo existente, que é o Plano Rio Grande. São mais de 200 obras e ações do governo do Estado que já foram concluídas, estão em andamento ou vão iniciar. Ao serem realizadas, elas tornarão o Rio Grande do Sul o Estado mais resiliente do Brasil.

Estamos fazendo em Agudo, ali perto de Santa Cruz do Sul, na RS-348, por exemplo, uma obra que eu sempre cito porque antes o Rio Jacuí subia e encontrava a rodovia no meio do caminho. Então, ou a rodovia virava um dique, que impedia a passagem da água, ou era rompida e precisava-se corrigir ali o impacto. Agora estamos fazendo dois grandes viadutos, um de 400 e outro de 500 metros.

Também estamos fazendo na Grande Porto Alegre projetos para novos 150 quilômetros de diques. Evidente que isso tem um tempo, faz pouco mais de um ano que houve a liberação dos recursos federais para tanto. Quem prometeu o contrário, me perdoe. Com o devido respeito, está faltando com a verdade com o eleitor.

São diques de 7 metros de altura. Olhe para cima agora, onde você está: certamente aí o pé- direito é de 3 metros. Nosso dique vai ter 7,60 metros, para fazer frente às cheias de acordo com o que aconteceu em 2024. Então, realmente, trata-se de um processo mais lento em alguns dos casos. Em outros não, já conseguimos entregar casas populares, protocolos de segurança e alertas e sistema de monitoramento.

O senhor irá manter ou extinguir a EGR?

Eu sou o único candidato sincero nesse assunto. Sou favorável a concessões, assim como ao diálogo. Não dá para atropelar ninguém para fazer concessões. A gente sempre vai discutir muito, e aí, na 287, foi feita uma concessão. Agora, como faço para tirar concessões para extinguir a EGR? Tenho que tirar as rodovias dela. Se eu tirá-las e não conceder à iniciativa privada, para quem vão as rodovias? Para o Daer. Aí piora a situação.

Quero transformar ou extinguir a empresa ou eventualmente analisar a possibilidade de transformá-las numa empresa fornecedora de projetos de engenharia para o Estado, porque lá há bons engenheiros. Então, a EGR é extinta e fica o ônus, o passivo dela, para os cofres públicos.

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