Filha de agricultores, liderança na promoção de políticas públicas para mulheres no meio rural, mestre em Desenvolvimento Regional, conselheira da mulher, assistente social, integrante da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Santa Cruz do Sul, Sinimbu, Vale do Sol e Herveiras, vereadora suplente e professora. Salete Faber, 48 anos, se destaca pelo trabalho de conexão entre pessoas e políticas públicas.
A mulher, hoje líder, carrega raízes de uma família de agricultores. Ainda na infância, em Sobradinho, Salete acompanhava o envolvimento dos pais com o movimento sindical. As lembranças das mobilizações e os vínculos com a categoria a levaram a seguir o mesmo caminho. “Eu e meus irmãos, ao completarmos 18 anos, sempre ouvíamos nosso pai dizer ‘agora vocês vão se associar no sindicato, para tornarem essa entidade cada vez mais forte’”.
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Em 1995, Salete mudou-se para Santa Cruz do Sul e passou a integrar o sindicato do município. A participação, inicialmente mais discreta, ganhou força anos depois, quando sua formação em Serviço Social a levou a atuar diretamente com projetos de habitação rural.
Em 2018, Salete foi convidada para ocupar um cargo na diretoria do Sindicato. Ela foi a primeira mulher a integrar a diretoria – até então, diretoras ocupavam apenas cargos de suplência. Na função, Salete passou a estimular agricultoras a partir da formação de grupos de mulheres, incentivar a participação em conselhos municipais e levar cursos e oportunidades de formação para localidades do interior.
Para ela, aproximar as agricultoras desses espaços significa também fortalecer as comunidades e dar visibilidade a um trabalho que, por muito tempo, permaneceu em segundo plano. “Também é muito forte o Encontro Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais. Nesse contexto, assumi a continuidade desse trabalho.”
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É nesse processo que a ação de Salete se amplia para diferentes espaços: do sindicato aos conselhos municipais, da universidade à política institucional. A atuação também ganhou força a partir das deliberações da Marcha das Margaridas, um movimento que leva representantes rurais a Brasília para debater pautas da categoria com lideranças políticas.
Professora universitária
A docência aconteceu de forma natural na vida de Salete. Há cerca de dois anos, ela começou a ser procurada pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) para participar de atividades acadêmicas e, aos poucos, foi sendo inserida no ambiente, até se tornar professora titular.
A relação com a educação vem desde a infância. Salete conta que sempre acreditou no poder do aprendizado. Na sala de aula, ela procura unir a formação teórica à experiência adquirida no contato direto com as comunidades. Hoje, além da docência no curso de Serviço Social, atua na tutoria da residência em Serviço Social do Hospital Santa Cruz (HSC), acompanhando profissionais que já concluíram a graduação.
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Vereadora suplente
A entrada de Salete na política institucional também está ligada à sua trajetória no movimento sindical. Segundo ela, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) e os sindicatos passaram a defender a necessidade de ampliar a representação do movimento em diferentes espaços de decisão, em níveis federal, estadual e municipal.
Foi dentro desse projeto que o nome de Salete surgiu para disputar uma vaga na Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul. A candidatura fez parte de uma estratégia regional, com outros representantes do movimento sindical concorrendo em municípios da região. No primeiro ano de tentativa, Salete assume como vereadora suplente, com compromissos voltados à agricultura familiar, à saúde e aos direitos das mulheres.
Conselheira da mulher
A aproximação de Salete com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) de Santa Cruz do Sul ocorreu a partir da própria atuação do sindicato nos espaços de participação social. Como representante dos trabalhadores rurais, ela já integrava diferentes conselhos municipais e tinha maior afinidade com temas ligados à saúde, aos direitos das mulheres, aos idosos e às crianças e aos adolescentes.
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Em 2023, Salete foi convidada a integrar uma chapa para disputar a direção do CMDM. “Fui convidada para trazer esse contexto do rural para o urbano.” Inicialmente, optou por concorrer à vice-presidência; posteriormente, assumiu o atual cargo de presidente. A experiência fez com que Salete ampliasse a atuação que já desenvolvia com as mulheres agricultoras. Para ela, os conselhos são espaços importantes para transformar as demandas das comunidades em discussões e políticas públicas.
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