A socioeconomia do Vale do Rio Pardo convive com inquietação nessa reta final de agosto, um cenário que deixa intranquilidade para o restante do ano e, naturalmente, para toda a realidade gaúcha. Nos mais diversos ambientes sente-se essa angústia, em forma de comentários preocupados: que a rotina dos negócios está em ritmo muito lento. A razão para tanto pode estar em notícia divulgada na capa e na página 7 da Gazeta do Sul dessa sexta-feira: “Indústria registra queda de 35,4% nas exportações de tabaco”. O produto agrícola que tem sido o grande motor da economia do Rio Grande do Sul ao longo dos anos se ressente, agora, da taxação aplicada pelos Estados Unidos, que inibe embarques para aquele mercado. A isso somou-se, em julho, o reflexo de antecipação de embarques havidos para a Ásia, outro destino tradicional da matéria-prima brasileira, e ainda a flutuação do câmbio.
Quando o produto que em 2025 assegurou mais de US$ 3 bilhões em vendas externas tem seu comércio restringido em mais de um terço, é inevitável que essa mesma terça parte de recursos, que teriam sido auferidos, deixa de circular em todos, simplesmente todos, os setores. De pronto, há menos dinheiro para ir ao comércio, para utilizar serviços, projetar investimentos, e todos começam a sentir que, em maior ou menor grau, algo ocorreu.
Em uma sociedade, como a gaúcha, já tão castigada e tão claudicante em função de contratempos climáticos, essa energia extra que o tabaco sempre assegurou agora falta em decorrência de um cenário externo confuso. Haverá formas de contornar? Certamente, porque a economia e o mercado global sempre foram, em todas as épocas, dinâmicos o suficiente para que, se um espaço se fecha, outro se abre, mas isso requer paciência e resiliência. E resta saber se o Rio Grande do Sul ainda dispõe desses dois atributos.
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O importante, em todas as circunstâncias, é que a sociedade regional e a gaúcha tenha presente o que representa o tabaco, e, mais do que nunca, se una em torno dele e da defesa de seus mercados. Essa cultura está presente em dezenas de milhares de pequenas propriedades no Estado, e proporciona às famílias uma renda que nenhuma outra atividade tem oferecido, ainda mais quando se constata que as lavouras de tabaco ocupam pequena parcela da área, quando muito dois ou três hectares. Enquanto isso, plantações como a da soja ou do milho, para citar duas, ou mesmo a criação de gado de corte ou de leite, exigem uma estrutura muito onerosa e cada vez mais tecnificada, quase se tornando inviáveis na realidade econômica de muitos agricultores.
Ter protagonismo na socioeconomia, em qualquer tempo, é também reconhecer os méritos da relação custo-benefício de culturas como o tabaco, que está presente no País há séculos e é demandado no exterior pela qualidade única da matéria-prima. Se já não bastasse o maniqueísmo das campanhas antitabagistas, que, de forma míope, atacam essa cultura e esse produto, mas fazem vista grossa a todos os demais dilemas em sociedade (o contrabando, por exemplo), a inibição do comércio por questões pontuais, como a tarifa extra norte-americana, dificulta ainda mais a sustentação econômica do setor, e de todo um Estado
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